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Após redução de preços, o que compensa mais: gasolina ou etanol?

Motoristas deverão começar a sentir nos próximos dias um refresco no preço dos combustíveis. É que a Petrobras anunciou redução de 5,2% na gasolina A. Desde esta terça-feira (27), a medida vale para as distribuidoras e podem chegar ao consumidor. Mas a alteração reacende uma dúvida antiga dos motoristas brasileiros: afinal, com a nova tabela, vale mais a pena abastecer com etanol ou gasolina? A resposta depende de uma combinação de fatores que vão além do valor exibido na bomba. Com o reajuste, o preço médio da gasolina A vendida às distribuidoras cairá R$ 0,14 por litro, passando para R$ 2,57. Trata-se do combustível puro que sai das refinarias e que, posteriormente, recebe a adição obrigatória de etanol anidro antes de chegar aos postos. Segundo a estatal, desde dezembro de 2022 a gasolina acumula redução de R$ 0,50 por litro, o equivalente a uma queda real de 26,9%, já descontada a inflação do período. Na prática, o corte anunciado tende a gerar alívio gradual nos preços finais ao consumidor, mas não de forma automática ou uniforme. O valor cobrado nas bombas depende de outros componentes, como custos de transporte, margem das distribuidoras, lucro dos postos e, principalmente, a carga tributária estadual e federal. Do ponto de vista do consumidor, a decisão entre etanol e gasolina passa, tradicionalmente, pela chamada eldquo;regra dos 70%erdquo;. Basta dividir o o preço do etanol pelo da gasolina. Em veículos flex, o etanol costuma ser vantajoso quando seu preço representa até 70% (0,70) do valor da gasolina, considerando o menor rendimento energético do combustível vegetal. Em motores mais modernos, essa relação pode subir para cerca de 75%, dependendo da eficiência do conjunto mecânico. É o que alerta o engenheiro mecânico Humberto Daher, sobretudo para veículos mais modernos com motores com injeção dieta de combustível. "O uso contínuo de etanol pode prejudicar o motor que tenha injeção direta. Inclusive isso aparece no manual de várias montadoras. O que recomendo aos meus clientes é intercalar ambos os combustíveis, sobretudo com as características de cada um deles. O etanol melhor desmpenho e aceleração, pode ser adequado em algumas situações", afirma. O engenheiro explica que a regra dos 70% foi criada quando o combustível tinha 22% de etanol anidro, sendo que o índice atual é de 30%. "Serve como regra geral, mas não atinge todos os carros: tem veículo que é 27% outro 20%. Ideal é o próprio motorista fazer o teste. Para isso, experimente 100% do tanque com etanol e meça o consumo. Após, faça o mesmo com gasolina, tomando cuidado de seguir a mesma rotina e trajeto. Com esses números, ele poderá descobrir a equação adequada para seu veículo", orienta. Diante desse cenário, a recomendação para o motorista é clara: comparar preços localmente e considerar o consumo real do próprio veículo. Aplicativos, computadores de bordo e históricos de abastecimento ajudam a identificar qual combustível entrega melhor custo por quilômetro rodado. Com a redução anunciada pela Petrobras, a tendência é que a gasolina volte a ganhar competitividade em diversas regiões do país, especialmente nos estados onde o etanol é historicamente mais caro ou sofre maior influência logística. Em contrapartida, em polos produtores de cana-de-açúcar, o etanol pode continuar sendo a opção mais econômica, mesmo com a queda no preço da gasolina.

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Petrobras reduz preço da gasolina, mas segura diesel em momento de incerteza sobre oferta

A Petrobras confirmou a expectativa do mercado de uma redução nos preços da gasolina com o corte de 5,2% no litro do combustível a partir de terça-feira (27/1). Entretanto, optou por manter a cotação do diesel, em meio às incertezas sobre os preços internacionais com a onda de frio nos EUA. A gasolina passará a ser vendida nas refinarias da estatal às distribuidoras a R$ 2,57 por litro, uma redução de R$ 0,14. O reajuste já era esperado desde o final do ano passado, com a queda no preço do barril de petróleo no mercado internacional. Estimativas dos importadores indicavam que as cotações da estatal chegaram a ficar mais altas do que a paridade internacional em diversas ocasiões nas últimas quatro semanas. A alteração nos preços chega em um momento em que os consumidores já começam a sentir os impactos da elevação do ICMS sobre os combustíveis, que passou a valer em 1º de janeiro. Analistas apontam que a queda pode ajudar a aliviar a inflação no curto prazo. A decisão também ajuda a manter a competitividade da gasolina frente ao etanol, antes do início da safra de cana-de-açúcar, em abril. eldquo;A expectativa é de que esse ciclo seja mais alcooleiro, o que tende a deixar os preços do etanol mais competitivos no mercado doméstico. O reajuste no preço da gasolina contribuiu para a manutenção da competitividade do produtoerdquo;, explica a responsável por precificação de combustíveis da Argus, Gabrielle Moreira. Desde 2023, a Petrobras também considera fatores como competitividade e participação de mercado na definição dos preços internos. Restam incertezas agora sobre quando a estatal fará um reajuste também no diesel, que permanece sem alterações desde maio de 2025. O cenário para esse combustível, no entanto, é mais complexo: o Brasil tem maior dependência de importação para o diesel do que para a gasolina. Além disso, nos últimos dias os preços internacionais para o combustível sofreram maior variação. Há incertezas sobre o suprimento de diesel no mercado internacional, sobretudo em meio à nevasca nos Estados Unidos no começo deste ano. Diversas refinarias da costa do Golfo do México tiveram as operações afetadas nos últimos dias, assim como campos de produção de petróleo bruto. Pelo menos 2 milhões de barris/dia deixaram de ser produzidos no país apenas no último final de semana, segundo a Reuters. As previsões climáticas indicam a continuação das temperaturas frias, o que deve ajudar a sustentar as margens do refino em patamares elevados, segundo o analista da StoneX, Bruno Cordeiro. eldquo;A possibilidade de uma redução do refino por conta da forte frente fria que atravessa os EUA acaba por ampliar os prêmios do refino de diesel, em meio à expectativa de uma possível restrição de oferta em um cenário de forte avanço do consumoerdquo;, diz Cordeiro.

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Refinaria no RS tem primeira autorização para produzir gás de cozinha sustentável

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) autorizou a operação da primeira biorrefinaria do Brasil, abrindo caminho para a produção e a comercialização contínua de gás de cozinha de origem renovável. Segundo a agência, testes indicam que o uso do combustível, conhecido como Bio-GL (de gás liquefeito), pode reduzir entre 65% e 70% as emissões de dióxido de carbono em comparação aos combustíveis fósseis. A autorização foi concedida à Refinaria de Petróleo Riograndense, localizada em Rio Grande (RS), sociedade entre a Petrobras e o grupo Ultra. É a primeira autorização concedida pela ANP em caráter permanente para unidade de refino com 100% de matéria-prima renovável. A unidade já vem fazendo testes de produção de combustíveis sustentáveis, como parte da estratégia da Petrobras para reduzir emissões dos produtos que vende. A presidente da estatal, Magda Chambriard, anunciou na semana passada R$ 6 bilhões em investimentos nessa unidade. Segundo a ANP, a documentação técnica apresentada pela empresa comprova que o Bio-GL atende integralmente às especificações físico-químicas exigidas para o gás de cozinha, o que permite seu uso de forma direta e elimina necessidade de adaptações em equipamentos ou infraestrutura. Testes laboratoriais conduzidos pela Ultragaz em fogões e aquecedores domésticos indicaram que o Bio-GL é tecnicamente equivalente ao GLP convencional, com resultados semelhantes de potência, consumo, eficiência energética e emissões de monóxido de carbono, todos dentro dos limites regulatórios. Assim, a ANP decidiu equiparar o Bop-GL ao gás de cozinha para fins regulatórios, estendendo ao produto renovável todas as regras atualmente aplicáveis à comercialização do gás de cozinha e permitindo sua circulação por toda a cadeia de abastecimento. Para a agência, a autorização consolida um marco regulatório para combustíveis renováveis no país, com impactos potenciais sobre a redução de emissões, a diversificação da matriz energética e a segurança do abastecimento. "A iniciativa de produção nacional de Bio-GL vai ao encontro do desenvolvimento de combustíveis de origem renovável no país, de forma alinhada às políticas públicas, com ganhos ambientais, de segurança energética e de abastecimento", afirmou a agência.

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Corte no preço da gasolina pela Petrobras pode aliviar IPCA no curto prazo, dizem analistas

A redução de 5,2% no valor da gasolina vendida pela Petrobras às distribuidoras, que passa a valer nesta terça-feira, 27, já era amplamente aguardada por agentes do segmento de combustíveis. Ainda assim, com os preços praticados no Brasil acima dos internacionais e com o barril de petróleo acumulando queda de quase 20% em 2025, o movimento da estatal nos primeiros dias de 2026 pode gerar uma leve diminuição nas projeções do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de curto prazo, segundo especialistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast. A companhia abandonou a Paridade de Preços Internacionais (PPI) em maio de 2023 e passou a adotar uma estratégia comercial que evita transferir a volatilidade do petróleo para o mercado interno. Entretanto, o cenário recente, marcado pela estabilidade das cotações externas do óleo e pela valorização do real em relação ao dólar, respalda a decisão, destaca o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Bruno Cordeiro: eldquo;A defasagem entre o valor de venda da Petrobras e o do produto importado chegou a superar R$ 0,40 por litro em meados de janeiro. Na última sexta-feira (23), permaneceu em R$ 0,24 mesmo com restrições de oferta no Cazaquistão e receios acerca de impactos na produção norte-americana devido à chegada do vórtice polar aos Estados Unidos.erdquo; Para o Itaú BBA, o anúncio foi neutro, embora a magnitude do corte tenha ficado um pouco abaixo da estimativa da equipe. eldquo;Depois do ajuste, os valores domésticos devem permanecer aproximadamente 5% acima da PPI, de acordo com nossos cálculos. Antes, estavam cerca de 10% superioresersquo;. O analista da Genial Investimentos, Vitor Sousa, também aponta a diferença superior a 10%. eldquo;Não foi um corte artificial; havia espaço para reduzirerdquo;, afirmou. Outro fator que reforçou a expectativa de redução dos preços foi o leilão realizado pela companhia na semana passada para um lote de gasolina A, cujo lance inicial trazia desconto de R$ 0,26 por litro em relação ao preço então vigente, acrescenta a StoneX. Efeitos Sob a ótica do mercado de combustíveis, a diminuição de cerca de R$ 0,14 por litro representa alívio no custo na origem da cadeia, observa o especialista em renda variável da Ável Investimentos, Fabio Oiko. eldquo;O preço nas bombas depende de tributos, margens de distribuição e revenda, despesas logísticas e da mistura obrigatória com etanol. Ainda assim, a medida contribui para diminuir o custo marginal do produtoerdquo;, explica. A decisão da estatal igualmente tende a influenciar as cotações do etanol, cuja safra de cana-de-açúcar começa em abril, lembra a responsável pela área de combustíveis da consultoria de preços Argus, Gabrielle Moreira. eldquo;A expectativa é de que este ciclo seja mais direcionado à produção de álcool, o que tende a tornar o etanol mais competitivo no mercado interno. O reajuste no valor da gasolina ajuda a preservar essa competitividadeerdquo;, avalia. Do ponto de vista macroeconômico, a elevação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o combustível e os fundamentos econômicos justificam o corte. Essa combinação deve reduzir o apetite pelo produto importado, acrescenta a especialista da Argus. A economista-chefe da InvestSmart XP, Mônica Araújo, lembra que o repasse das quedas nas refinarias ao consumidor final tem sido parcial, o que pode limitar o impacto sobre a inflação. Mesmo assim, há espaço para revisão das projeções de IPCA de fevereiro e março. Já para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta quarta-feira, a expectativa para a taxa básica de juros permanece inalterada. eldquo;Diante de eventos geopolíticos que trazem volatilidade às cotações do petróleo e de seus derivados, o momento em que a estatal faz esse movimento é difícil de estimar. Mas a decisão da Petrobras pode levar a um tom ligeiramente mais dovish (propenso a cortes) no comunicado, abrindo espaço para o início da flexibilização monetária em março de 2026erdquo;, pondera. O analista de ações da Suno Research, Malek Zein, ressalta que, se o petróleo permanecer no nível atual nos próximos meses, a US$ 65, uma nova alta da gasolina não está descartada. eldquo;Embora não seja uma obrigação formal, a Petrobras vem seguindo a paridade internacional, o que consideramos bastante positivoerdquo;, conclui.

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Governo expande Gás do Povo em meio a prazo apertado para aprovação no Congresso

O programa social para o gás de botijão do governo Lula (PT), o Gás do Povo, vai passar a valer em todo o país a partir de segunda-feira (26/1), dois meses depois do início da implementação em dez capitais selecionadas. A expansão ocorre a duas semanas do prazo para a aprovação pelo Congresso Nacional da Medida Provisória 1313/2025, que criou o programa. Caso não seja aprovada até 11 de fevereiro, a MP vai caducar, criando insegurança sobre a continuidade do benefício. Na prática, haverá uma semana para a aprovação, já que as atividades legislativas recomeçam apenas em 2 de fevereiro. No começo de novembro, foi instalada a Comissão Mista para discutir o texto, com o deputado Hugo Leal (PSD/RJ) como relator e o senador Nelsinho Trad (PSD/MS) como presidente. A discussão, no entanto, escorregou para o início deste ano emdash; e pode enfrentar resistência. Leia no site: Relator vai incluir classificação de gasodutos pelos estados na MP do Gás do Povo; indústria reage Uma das incertezas sobre a capilaridade do programa era a adesão das revendas de botijões. Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), há 10 mil revendas credenciadas na iniciativa. Na prática, uma em cada seis existentes no país está participando do programa. Dessas, 5 mil já estavam credenciadas na primeira fase, o que indica concentração nas capitais. O programa de combate a pobreza energética entra em vigor a poucos meses do início da agenda eleitoral. O benefício social vai distribuir uma recarga de botijão de 13 kg para famílias que recebem até meio salário mínimo por mês. Vale a leitura: Gás do Povo: como vai funcionar e quem tem direito ao novo vale-gás A expectativa é beneficiar 15,5 milhões de famílias, atendendo 46 milhões de pessoas. O programa mexe também com um mercado marcado pelo baixo crescimento nos últimos anos e gera expectativa de levar a um recorde no consumo de gás liquefeito de petróleo (GLP) no Brasil este ano. Para entender: Depois do lançamento em uma favela de Belo Horizonte (MG), reduto eleitoral do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), a segunda fase do programa vai ser lançada em um evento em Bangu, no Rio de Janeiro, em uma revenda da Supergasbras. Estão previstas as presenças de Hugo Leal; do Secretário Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do MME, Renato Dutra; e da Secretária Nacional de Integração e Articulação de Plataformas Sociais Eletrônicas do ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Analucia Faggion Alonso.

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Petróleo cai com aumento da oferta e expectativa por decisão da Opep+

O petróleo fechou em queda nesta segunda-feira, 26, refletindo os temores de uma oferta excessiva da commodity frente ao aumento de embarques da Venezuela e sob expectativas para a próxima reunião da Organização de Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+). Investidores monitoram ainda o impacto da forte tempestade de inverno nos Estados Unidos sobre a produção de petróleo e tensões geopolíticas. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para março fechou em queda de 0,72% (US$ 0,44), a US$ 60,63 o barril. Já o Brent para abril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), caiu 0,46% (US$ 0,30), a US$ 64,77 o barril. Segundo a Bloomberg, delegados da Opep+ afirmaram que o cartel deve seguir os planos de manter a produção de petróleo estável em março, enquanto o grupo lida com um excedente global e uma onda de riscos geopolíticos. Ainda conforme o veículo, a Chevron aumentou sua frota para transportar petróleo venezuelano aos EUA, enquanto o Casaquistão retomou operações no oleoduto do Cáspio endash; responsável por 90% da produção do país, um dos maiores fornecedores globais da commodity. Os temores sobre a oferta pressionaram o petróleo e se sobrepuseram a notícias de danos provocados pela tempestade de inverno nos EUA, cuja onda de frio ameaça a produção doméstica de energia. Para o Price Futures Group, o mercado segue em estado de alerta, reagindo a cada nova atualização sobre a tempestade. Também pesando sobre os preços, aumentou no fim de semana a preocupação de investidores com possível novo shutdown nos EUA e eventuais repercussões na economia, após democratas demonstrarem resistência em aprovar o orçamento. Limitando as perdas, a Ucrânia lançou novo ataque contra uma refinaria de petróleo da Rússia, apesar do andamento das negociações para um acordo de paz. A próxima reunião está marcada para domingo, em Abu Dhabi. Ainda no radar geopolítico, um porta-aviões dos EUA chegou ao Oriente Médio e, segundo o Washington Post, amplia as opções do governo Trump para um possível ataque ao Irã. Incertezas sobre a Groenlândia levaram a União Europeia a adiar votação do acordo comercial com os EUA, enquanto Trump ameaçou aplicar novas tarifas de 100% sobre o Canadá por fechar parceria com a China. Na visão do SEB, essas tensões devem dar algum suporte aos preços do petróleo no curto prazo. (Estadão Conteúdo)

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