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Rio domina renda do petróleo mesmo com migração da produção; veja principais cidades beneficiadas

Um levantamento inédito sobre a renda gerada pelas petrolíferas por meio de compensações financeiras (royalties e participações especiais) e pagamento de tributos revela que a aceleração da produção na Bacia de Santos fortalece o caixa dos municípios paulistas, mas não altera a liderança do Estado do Rio de Janeiro. Oito dos dez principais beneficiários são prefeituras fluminenses. O diagnóstico, elaborado pelo Programa Macrorregional de Caracterização de Rendas Petrolíferas (PMCRP), e antecipado com exclusividade ao Estadão/Broadcast, revisou 14 anos de produção nas bacias de Santos, Campos e Espírito Santo. Nos três primeiros municípios do ranking, as receitas petrolíferas representaram, em 2024, mais de 35% do orçamento público. O litoral fluminense abrange campos do pré-sal da Bacia de Santos e do pós-sal da Bacia de Campos, as duas maiores fronteiras de produção do País. eldquo;A migração da produção para Santos trouxe mais receita para as cidades de São Paulo, mas Campos ainda exerce influência nessa distribuição regionalerdquo;, destaca a coordenadora do projeto, Paula Araújo. Em 2010, a Bacia de Santos, que abrange os litorais do Rio, São Paulo, Paraná e Santa Catarina, respondia por apenas 3% da produção nacional em 2010. Após se tornar a principal área de exploração em 2018, sua fatia chegou a 77% em 2024, alta de 2,84 p.p. ante 2023. Já a participação da Bacia de Campos na produção recuou para 20,30%, queda anual de 3,12 pontos, refletindo nas esferas municipais. O levantamento mostra que, em alguns casos, a participação da renda petrolífera caiu 50%. eldquo;Isso não significa menor dependência, mas que os municípios apenas passaram a receber menos diante das estratégias das operadoraserdquo;, acrescenta. Dados O estudo, conduzido pela Fundação Instituto de Administração (FIA), atende a uma condicionante do licenciamento ambiental federal coordenado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), e foi financiado pela Petrobras. A caracterização contempla 63 municípios influenciados por empreendimentos da Brava Energia, BW Energy, Equinor, Karoon, Perenco, Petrobras, Prio, Shell, TotalEnergies, Trident Energy e avalia 49 indicadores distribuídos em 14 perguntas-chave. Conforme Araújo, compreender quanto dos orçamentos municipais está ligado ao pagamento de tributos pelo setor ainda é um desafio. eldquo;São aspectos que esbarram no sigilo fiscal das prefeituras, mas importantes para a comparabilidade de alguns dados e para que a população entenda a composição das receitas dos locais onde moraerdquo;, explica a pesquisadora da FIA. Também faltam informações sobre empréstimos municipais lastreados em eldquo;royalties futuroserdquo;. eldquo;São operações prevista na Lei 13.609/2018, mas que expõem os cofres locais ao risco da volatilidade da commodity e da queda abrupta da arrecadaçãoerdquo;, sustenta Araújo. Ainda na consolidação dos dados, o PMCRP detectou uma divergência de R$ 1,6 bilhão nos valores de participações especiais informados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). eldquo;Não houve perda para os entes, mas o caso expõe fragilidades na divulgação de números tão sensíveiserdquo;, afirma a pesquisadora. Quanto à criação de fundos soberanos, Araújo vê o cenário com preocupação, já que só Maricá, Niterói, Ilhabela, Saquarema e o Estado do Espírito Santo contam com o mecanismo. eldquo;São recursos finitos, vinculados ao mercado internacional e às estratégias empresariais. As cidades que não se prepararem sofrerão quando a arrecadação diminuir.erdquo; Novos relatórios para detalhar o uso das receitas e iniciativas para reduzir a dependência do petróleo estão previstos para 2026, dentro do PMCRP.

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Etanol ou gasolina: o que vale mais a pena em 2026? Veja cálculo

A decisão entre os dois combustíveis mais comuns voltou a pesar no bolso do motorista brasileiro. Dados mais recentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis mostram que o etanol hidratado perdeu competitividade na maior parte do País na semana encerrada em 3 de janeiro, com alta de preços em diversos Estados. Etanol mais caro Segundo o levantamento da ANP, compilado pelo AE-Taxas, o preço médio do etanol subiu 0,22% na comparação semanal, alcançando R$ 4,49 o litro nos postos pesquisados em todo o Brasil. O biocombustível registrou aumento de preços em 15 Estados, queda em quatro e no Distrito Federal, além de estabilidade em seis unidades da Federação. No Amapá, não houve coleta de dados. Em São Paulo, principal produtor e maior mercado consumidor do combustível derivado da cana no País, o valor médio permaneceu estável, em R$ 4,28 o litro. Ainda assim, o combustível não se mostrou vantajoso frente à gasolina no Estado, considerando a relação de preços. Entre os destaques regionais, a maior alta porcentual foi registrada no Tocantins, onde o etanol subiu 3,92% e passou a custar R$ 5,04 o litro. Já a maior queda ocorreu no Acre, com recuo de 12,35%, apesar de o preço ainda permanecer elevado, em R$ 5,25. O menor valor encontrado em um posto foi de R$ 3,59, em São Paulo, enquanto o maior chegou a R$ 6,08, no Acre. Na média estadual, o etanol mais barato foi registrado em Mato Grosso do Sul, a R$ 4,00 o litro. No outro extremo, o Amazonas apresentou o maior preço médio do País, de R$ 5,49. Paridade desfavorável Na comparação direta com a gasolina, o cenário também não favorece o etanol. Na média nacional, a paridade ficou em 72,19% na semana analisada, patamar considerado desfavorável, já que a referência tradicional indica vantagem apenas quando o combustível derivado da cana custa até 70% do preço da gasolina. Com isso, o etanol foi considerado mais competitivo em apenas um Estado: Mato Grosso do Sul. Lá, além do menor preço médio do País, a paridade ficou em 67,34%, o que torna o biocombustível financeiramente mais interessante para o consumidor. Executivos do setor, no entanto, ressaltam que a regra dos 70% não é absoluta. Dependendo do modelo do veículo, especialmente em carros flex mais modernos e eficientes, o etanol pode apresentar bom custo-benefício mesmo com paridade um pouco acima desse patamar. Conta na bomba: qual vale mais a pena? Para o motorista, é possível decidir rapidamente qual combustível vale mais a pena com uma conta simples. Basta dividir o preço do etanol pelo da gasolina. Se o resultado for igual ou inferior a 0,7, o etanol tende a ser a opção mais econômica. Acima disso, a gasolina costuma compensar mais. Outra forma prática é multiplicar o preço da gasolina por 0,7. Se o valor do etanol for igual ou menor ao resultado, o biocombustível é a melhor escolha. Caso contrário, a gasolina oferece melhor custo-benefício, já que o etanol tem cerca de 30% menos poder energético por litro.

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Exportações de etanol em 2025 foram as menores em oito anos

As exportações brasileiras de etanol de 2025 recuaram 14,6% em relação a 2024 e ficaram em 1,612 bilhão de litros. O volume foi o menor em oito anos. Os dados foram compilados pela Datagro a partir de informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic). A receita com as exportações tiveram decréscimo de 11,2%, para US$ 934 milhões. O preço médio do produto exportado teve leve alta de 4%, para US$ 0,58 o litro. A Coreia do Sul foi o principal destino do etanol brasileiro, com 780 milhões de litros (48,4% do total), praticamente estável na comparação anual (-0,3%). Os Estados Unidos figuraram como o segundo principal destino, com 253 milhões de litros (15,7% do total exportado), queda de 18,4%. Já os Países Baixos importaram 221 milhões de litros do Brasil (13,7% das exportações), alta de 45,3% em um ano. O Brasil ainda importou 319 milhões de litros de etanol ao longo do ano passado, um avanço de 66,2% e o maior volume importado desde 2021, segundo a Datagro. Do total adquirido, 43,9% tiveram origem nos Estados Unidos, 29,9% no Paraguai e 26,2% na Argentina.

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Importação de diesel pelo Brasil bate recorde em 2025, com aumento de 20%

As importações de diesel A (puro) pelo Brasil cresceram 20% em 2025 em relação ao ano anterior, atingindo um recorde de 17,3 bilhões de litros, em um período em que a Rússia perdeu participação para os Estados Unidos, mas manteve-se como principal fornecedor externo ao país, apontaram dados oficiais do governo e análise da consultoria StoneX. O volume foi registrado em um cenário de avanço da demanda interna, com eldquo;bons resultados das safras agrícolas e do setor industrialerdquo;, e de recuo na produção das refinarias brasileiras, segundo a StoneX. O aumento das importações ocorreu mesmo com o crescimento da mistura de biodiesel no diesel B, vendido nos postos, que passou de 14% para 15% a partir de agosto de 2025, destacou a consultoria. As importações de diesel representam mais de 20% do consumo nacional. A Rússia enviou um total de 8,1 bilhões de litros de diesel ao Brasil, volume 14% menor na comparação com 2024. A queda foi puxada entre agosto e novembro, eldquo;quando o país sofreu redução da capacidade de refino de petróleo em meio às ofensivas ucranianas contra centros de processamentoerdquo;. As importações de diesel dos Estados Unidos, por sua vez, aumentaram para 5,7 bilhões de litros em 2025, ante 2,4 bilhões em 2024. eldquo;Para 2026, as expectativas são de maior participação norte-americana, enquanto o volume russo dependerá, em parte, do conflito com a Ucrânia, com novas ofensivas podendo afetar a capacidade de refino do paíserdquo;, disse a StoneX em relatório. Outros fornecedores importantes do Brasil foram Índia, com 1,63 bilhão de litros, e Arábia Saudita, com 765 milhões de litros. A StoneX observou ainda que as expectativas indicam uma pauta importadora aquecida em 2026, principalmente pela previsão de novo recorde nas vendas de diesel B (já com mistura de biodiesel) no Brasil, que podem crescer 1,8% em relação a 2025, para 70,4 bilhões de litros, e pelas limitações da capacidade de refino. Por outro lado, o aumento da mistura obrigatória de biodiesel vendido nos postos, previsto para março, de 15% para 16%, pode desacelerar as compras do combustível importado. Gasolina As importações de gasolina A (pura) pelo Brasil somaram 3,67 bilhões de litros em 2025, um aumento anual de 27,6%. O crescimento ocorreu com o aumento das internalizações nos últimos dois meses do ano, que somaram 1,5 bilhão de litros no período, equivalente a 41% do total anual. eldquo;Mesmo com dois ajustes de preços da estatal (Petrobras) ao longo do ano, a janela de importação se ampliou no último bimestre. Com a manutenção desse diferencial elevado emdash; que chegou a superar R$ 0,30 por litro por um longo período emdash;, a gasolina A internacional se mostrou mais atrativa para o mercado internoerdquo;, disse a StoneX. Até outubro, as importações acumuladas de gasolina A apresentavam queda de 10,8% em relação a 2024. (Reuters)

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Petróleo fecha em alta, buscando corrigir perdas recentes e com Venezuela no radar

Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta de mais de 3% nesta quinta-feira, 8, tentando reaver parte das perdas recentes enquanto investidores monitoram as tensões geopolíticas globais e aguardam a divulgação do payroll dos EUA na sexta-feira, 9. O petróleo WTI para fevereiro negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex) fechou em alta de 3,16% (US$ 1,77), a US$ 57,76 o barril. Já o Brent para março, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), subiu 3,39% (US$ 2,03), a US$ 61,99 o barril. O presidente dos EUA, Donald Trump, e assessores de seu governo estão planejando uma iniciativa abrangente para dominar a indústria petrolífera venezuelana nos próximos anos, incluindo certo controle na empresa estatal do país, a Petróleos de Venezuela SA (PdVSA), segundo fontes do Wall Street Journal. Diversos executivos do setor petrolífero participarão de uma reunião com o republicano na sexta-feira. Ainda assim, os mercados de energia parecem amplamente eldquo;indiferentes e pouco impressionadoserdquo; com as últimas intervenções de Washington, diz o Julius Baer, já que as exportações de petróleo da Venezuela são pequenas demais para que uma interrupção completa importe no atual ambiente de oferta abundante. O TD Securities, porém, aponta que a incertezas sobre as exportações do país latino-americano podem pressionar a oferta de óleo transportado por via marítima no curto prazo. Em paralelo, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse nesta quinta que planeja se reunir com autoridades dinamarquesas na próxima semana, após a administração Trump reafirmar a intenção de assumir o controle da Groenlândia, ilha rica em recursos naturais. No campo macroeconômico, as atenções estão voltadas ao principal relatório de emprego dos EUA, conhecido como payroll. Para dezembro, os analistas esperam a criação de 60 mil empregos no mês, de acordo com o Projeções Broadcast. (Estadão Conteúdo)

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BYD promete avançar processo de fabricação local

Não foi à toa que durante um jantar de negócios, na quarta-feira (7), em Shenzhen, sede da BYD, Alexandre Baldy, vice-presidente da montadora no Brasil, recebeu de presente uma miniatura de cavalo. No calendário chinês, que começa em fevereiro, 2026 será o ano do Cavalo de Fogo. Representa rapidez e intensidade, qualidades essenciais para o cumprimento da dinâmica agenda que a BYD definiu para a sua operação no Brasil este ano. Segundo Baldy, entre abril e maio, a fábrica de Camaçari (BA) começará a fazer estamparia, solda e pintura dos veículos. Trata-se dos três mais importantes processos de manufatura da indústria automotiva e passo essencial para uma fábrica deixar de fazer a mera montagem para efetivamente se tornar fabricante de veículos. No dia 31 de janeiro termina o prazo fixado pelo governo federal para importação de veículos semimontados sem Imposto de Importação. A partir de fevereiro o tributo subirá para 35%. Para ler esta notícia, clique aqui.

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