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Segurança e escala 6x1 são prioridades do Planalto

Ciente do calendário apertado imposto pelas eleições de 2026, o governo Luiz Inácio Lula da Silva definiu uma pauta restrita de prioridades para a retomada dos trabalhos do Congresso, em fevereiro. A estratégia da articulação política do Palácio do Planalto é concentrar esforços em três propostas consideradas centrais para a campanha à reeleição: o projeto de lei (PL) antifacção, a proposta de emenda à Constituição (PEC) da segurança pública - ambas vistas como fundamentais para responder às crises na área - e o texto sobre o fim da jornada de trabalho no regime 6x1. A mobilização em torno dessas três matérias tem, ainda, um componente eleitoral. A avaliação interna é que o governo já conseguiu aprovar agendas relevantes nos últimos anos, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Com a proximidade das eleições, a diretriz é concentrar esforços em propostas que possam ser entregues e exploradas como bandeiras. Para ler esta notícia, clique aqui.

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IPCA fecha 2025 em 4,26%, abaixo do teto da meta

Sob pressão de aumentos nas passagens aéreas e no transporte por aplicativo, a inflação oficial no País acelerou de 0,18% em novembro para 0,33% em dezembro, segundo os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar da aceleração, a alta de dezembro foi a mais branda para o mês desde 2018. Com isso, a inflação acumulada em 12 meses arrefeceu pelo terceiro mês consecutivo e fechou 2025 em 4,26%. Assim, o IPCA do ano ficou abaixo do teto de tolerância (de 4,5%) da meta de inflação, de 3,0%, perseguida pelo Banco Central. Foi também a menor inflação anual desde 2018, quando o IPCA subiu 3,75%. Para o Bank of America (BofA), trata-se de um desfecho positivo, eldquo;já que nos momentos mais pessimistas do ano o consenso via a inflação fechando o ano acima de 5,5%erdquo;, afirmou em relatório o BofA, reafirmando sua expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC inicie o ciclo de flexibilização na taxa básica de juros, a Selic, a partir deste mês, com um corte de 0,50 ponto porcentual. RITMO LENTO. Apesar de as previsões feitas pelo mercado financeiro indicarem que a inflação continuará desacelerando em ritmo lento ao longo deste ano, o IPCA não deve recuar a ponto de atingir o centro da meta de 3%, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O último Boletim Focus do Banco Central mostra que o mercado espera que a inflação oficial medida pelo IPCA fique em 4,06% em 2026. E o próprio BC projeta inflação de 3,5% para este ano, conforme comunicado do Comitê de Política Monetária. A perspectiva de retomada da alta de preços dos alimentos, fator primordial para que o IPCA de 2025 ficasse em 4,26% e abaixo do teto da meta, será um dos focos de pressão inflacionária para 2026, concordam economistas ouvidos pelo Estadão. eldquo;Os alimentos foram os que mais contribuíram para essa taxa contida (do IPCA). Alimentação realmente foi o principal fator para essa taxa menor do IPCA de 2025erdquo;, declarou Fer Economistas dizem que o preço dos alimentos, que ajudou a conter o IPCA em 2025, pode voltar a subir nando Gonçalves, economista do IBGE ao apresentar ontem os dados do IPCA. Além dos alimentos, apontam os economistas, a resistência dos preços de serviços, que continuaram a trajetória de alta ao longo de 2025 mesmo com o choque de juros, põe mais incerteza no quadro inflacionário para este ano. eldquo;Em 2026, poderemos ter uma inflação mais baixa, mas com uma inversão dos atores em relação a 2025erdquo;, prevê o economista André Braz, coordenador de índices de preços do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), lembrando que as boas safras em 2025 tiveram mais influência em levar a inflação para dentro do intervalo de tolerância do que a ação da política monetária. eldquo;Aí está a fragilidade para este anoerdquo;, diz. Entre os fatores de risco para uma retomada de preços dos alimentos neste ano, Braz aponta os problemas climáticos, safras menores e a carne bovina ainda sofrendo os impactos do ciclo de baixa oferta da pecuária de corte. eldquo;Teve uma oferta de produtos alimentícios maior, o que ocorreu o ano todoerdquo;, lembrou Gonçalves, ao falar do IPCA de 2025. eldquo;A maior oferta de alimentos também contribuiu para segurar a inflação. Os alimentos têm o maior peso no orçamento das famílias. Então isso também ajudou a segurar o IPCA.erdquo; Flávio Serrano, economistachefe do Bmg, também prevê uma reversão nos preços dos alimentos em relação a 2025, mas vê outro ponto de risco para inflação deste ano: o preço dos serviços. A inflação de serviços subiu de 4,70% em 2024 para perto de 6% em 2025, aceleração que segundo ele foi impulsionada pela demanda doméstica forte, mercado de trabalho aquecido, transferências diretas do governo e o pagamento dos precatórios. Mas, com a desaceleração do ritmo de atividade esperada para 2026 por causa do juros em 15%, maior marca em 20 anos, a perspectiva é de que o mercado de trabalho arrefeça, o desemprego cresça e os preços dos serviços percam fôlego. eldquo;O cenário é de acomodação da inflação de serviços em função de uma acomodação do mercado de trabalho, mas o risco é não acomodarerdquo;, diz Serrano, que espera que a inflação de serviços volte neste ano para o patamar de 2024, entre 4% e 5%. CÂMBIO E ELEIÇÕES. Já para a economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos, Marcela Kawauti, a inflação de serviços deve responder com altas mais moderadas neste ano em razão da subida dos juros básicos nos últimos meses. O fator de risco maior para a inflação deste ano, em sua visão, é o preço dos alimentos. Além do clima, ela aponta o câmbio como um vetor que pode afetar as cotações das commodities agropecuárias e, por tabela, o preço dos alimentos. eldquo;O câmbio pode trazer volatilidade para os preços e, no melhor dos mundos, não ajudar a inflação de alimentos, porque nesse ano certamente ajudouerdquo;, diz Marcela, lembrando que 2026 é ano eleitoral e, portanto, com perspectiva de sobe e desce do dólar, de acordo com o cenário de risco político. ebull;

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Petrobras inicia operação em unidade que amplia capacidade de produção de diesel-S-10

A Refinaria Henrique Lage (Revap) iniciou, no fim de dezembro, a operação de sua unidade de hidrotratamento (HDT) para produção de diesel S-10, informou a Petrobras em comunicado. A refinaria, localizada em São José dos Campos (SP), recebeu autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para iniciar operação comercial, após modernização. De acordo com a Petrobras, a unidade de HDT permitirá ampliar em aproximadamente 80% a produção de diesel S-10, com baixo teor de enxofre. Parte da capacidade, anteriormente destinada ao diesel S-500 emdash; com alto teor de enxofre emdash;, será realocada para a produção de diesel S-10, em resposta à demanda crescente por combustíveis mais limpos, disse a Petrobras. Para ler esta notícia clique aqui.

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Petróleo da Venezuela desperta menos interesse do mercado na transição energética, diz análise

O petróleo da Venezuela deve ser um dos primeiros a serem abandonados pelo mercado de refino na transição energética, disse o sócio da Leggio, Marcus Dersquo;Elia, em análise exclusiva enviada ao estúdio eixos nesta quinta-feira (8/1). Confira a análise na íntegra. Isso porque o petróleo venezuelano é majoritariamente pesado e extra-pesado, com maior custo de extração e refinamento, além de originar uma gama menor de produtos e menor valor agregado. eldquo;Quando você fala de transição energética, você vai estar exigindo um volume menor de petróleo no mundo, então o petróleo que o refinador vai comprar, vai ser o com maior qualidade e menor custo de refinoerdquo;, disse Dersquo;Elia. Qualidade das reservas precisa ser levada em conta Apesar de Caracas repetir há anos que o país detém as maiores reservas provadas de petróleo do mundo, estimadas em cerca de 300 bilhões de barris, não há confirmação independente do número. Com base em critérios técnicos e econômicos, a Rystad estima volumes muito menores: eldquo;4 bilhões de barris de reservas provadas e 23 bilhões de barris de reservas descobertaseldquo;. Além disso, atualmente, mais de 67% da produção é de petróleo pesado. Por isso, Dersquo;Elia defende que a questão das reservas é também associada à qualidade do petróleo extraído. eldquo;O petróleo que é produzido pela Venezuela hoje, que está presente nas principais reservas venezuelanas, é um petróleo de menor valor, é um petróleo que inclusive o mercado tem menor interesseerdquo;, afirmou o especialista.

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Lula sanciona projeto do devedor contumaz com veto a benefícios para bom contribuinte

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou nesta quinta-feira (8) o projeto de lei do devedor contumaz, com punição a sonegadores que deixam de pagar tributos de forma reiterada e sem justificativa, mas vetou dispositivos que previam benefícios a bons contribuintes. Um dos itens vetados era o desconto de até 70% em multas e juros moratórios em caso de inadimplência para empresas com bom histórico de pagamento de tributos que adquiram dívidas, como parte do programa Sintonia (Programa de Estímulo à Conformidade Tributária). Na justificativa do veto, o governo afirma que a proposta vai de encontro à Lei de Responsabilidade Fiscal ao não prever uma limitação temporal de até cinco anos para o benefício. "A proposição legislativa contraria o interesse público, ao instituir benefícios que ampliariam o gasto tributário da União", diz trecho do texto publicado no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (9). O presidente vetou ainda o prazo de até 120 meses para quitação de tributos, outro benefício previsto no âmbito do programa Sintonia. Segundo o governo, essa proposta também vai na direção contrária do que é determinado pela Lei de Responsabilidade Fiscal. A lei sancionada nesta quinta, que institui o Código de Defesa do Contribuinte, foi aprovada no fim do ano passado no Congresso, após pressão de membros do governo, entre eles o ministro Fernando Haddad (Fazenda). O texto define o devedor contumaz como pessoas jurídicas com uma dívida mínima de R$ 15 milhões correspondente a mais de 100% de seu patrimônio conhecido, que tenham inadimplência frequente e injustificada. A lei estabelece penalidades às empresas que se enquadram nesse perfil. Essas empresas poderão sofrer uma série de punições, como a suspensão imediata do CNPJ e a paralisação de suas atividades financeiras. Além disso, contribuintes que forem tidos como devedores contumazes terão seus dados divulgados no site da Receita Federal. "O Brasil finalmente se alinha às maiores economias do mundo, que há decadas abandonaram a lógica de autuar e multar automaticamente todos os contribuintes da mesma forma. É uma grande vitória para o Brasil no início de 2026, marcado por mudança definitiva da relação do fisco com os contribuintes", afirmou Robinson Barreirinhas, secretário da Receita Federal, sobre a sanção do presidente. A proposta havia sido aprovada em setembro no Senado, após ter sua tramitação impulsionada devido à megaoperação Carbono Oculto, que mirou o envolvimento da organização criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) com postos de gasolina e fintechs. O esquema movimentou R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. Devido à Operação Carbono Oculto, o texto estabelece novas regras para evitar que empresas do setor de combustível sejam usadas pelo crime organizado para lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. Uma delas é a previsão de que a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) estabeleça um capital social mínimo para empresas no setor de combustíveis, que vai de R$ 1 milhão emdash;para as que trabalham com revendaemdash; até R$ 200 milhões para as companhias que atuam na produção.

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O que esperar para a inflação de 2026? IPCA desacelera, mas alimentos e serviços são focos de risco

Apesar de as previsões feitas por economistas e pelo mercado financeiro indicarem que a inflação continuará desacelerando em ritmo lento ao longo de 2026, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) não deve recuar este ano a ponto de atingir o centro da meta de 3%, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O último Boletim Focus do Banco Central (BC) aponta que o mercado financeiro espera que o IPCA, a medida oficial de inflação, fique em 4,06% em 2026. E o próprio BC projeta inflação de 3,5% para este ano, conforme comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom). A perspectiva de retomada da alta de preços dos alimentos, fator primordial para que o IPCA de 2025 ficasse em 4,26% e abaixo do teto da meta (4,5%), será um dos focos de pressão inflacionária para 2026, concordam economistas ouvidos pelo Estadão. Além disso, a resistência dos preços de serviços, que continuaram a trajetória de alta ao longo de 2025 mesmo com o choque de juros, põe mais incerteza no quadro inflacionário para este ano. eldquo;Em 2026, poderemos ter uma inflação mais baixa, mas com uma inversão dos atores em relação a 2025erdquo;, prevê o economista André Braz, coordenador de índices de preços do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV). No ano passado, as cotações dos alimentos ajudaram a inflação, mas os preços monitorados e os preços dos serviços, não. Tanto é que esses dois últimos grupos encerraram 2025 acumulando variações acima do intervalo de tolerância da meta. As safras boas em 2025 tiveram mais responsabilidade em levar a inflação para dentro do intervalo de tolerância, do que a política monetária, na avaliação do economista da FGV. eldquo;Aí está a fragilidade para este anoerdquo;, ressalta. Safras Entre os fatores de risco que poderão levar a uma retomada de preços dos alimentos neste ano, ele aponta problemas climáticos, safras menores e a carne bovina ainda sofrendo os impactos do ciclo de baixa oferta da pecuária de corte. Segundo Braz, os preços do grupo alimentação devem voltar a subir um pouco este ano, mas não explodirão. eldquo;Não estou prevendo alta de 8% ao longo do ano, mas pode subir entre 3% e 4% em 2026, a depender das condições climáticas.erdquo; Flávio Serrano, economista-chefe do Bmg, também prevê para este ano uma reversão nos preços dos alimentos em relação a 2025. Para 2026, ele projeta alta de 4,5%. eldquo;Terá um uma subida boa, de três pontos porcentuais.erdquo; Outro ponto de risco para inflação deste ano, segundo Serrano, é o preço dos serviços. A inflação de serviços subiu de 4,70% em 2024 para perto de 6% em 2025 Essa aceleração, segundo o economista-chefe do Bmg, foi impulsionada pela demanda doméstica forte, mercado de trabalho apertado, transferências diretas do governo e o pagamento dos precatórios. Mas, com a desaceleração do ritmo de atividade esperada para 2026 por causa do juros básicos em 15%, a maior marca em 20 anos, a perspectiva é de que o mercado de trabalho arrefeça, o desemprego aumente e os preços dos serviços percam fôlego. Serrano espera que a inflação de serviços volte neste ano para o patamar de 2024, isto é, fique entre 4,% e 5%. eldquo;O cenário é de acomodação da inflação de serviços em função de uma acomodação do mercado de trabalho, mas o risco é não acomodarerdquo;, alerta o economista. Ele lembra que em boa parte de 2025 o mercado de trabalho surpreendeu com números fortes. eldquo;Acho mais fácil a inflação de serviços não desacelerar do que a inflação de alimentos acelerar muito este anoerdquo;, afirma Serrano, destacando a fragilidade do cenário inflacionário de 2026, diante dessas incertezas. Câmbio e eleições Já para a economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos, Marcela Kawauti, a inflação de serviços deve responder com altas mais moderadas neste ano em razão da subida dos juros básicos nos últimos meses. eldquo;Com taxa de juros subindo, em algum momento o mercado de trabalho e a inflação de serviços vão ter que responder para baixo, a não ser que a gente tenha um evento catastróficoerdquo;, diz Marcela. O fator de risco maior para a inflação deste ano, na opinião da economista, é o preço dos alimentos. Além do clima, ela acrescenta o câmbio como um vetor que pode afetar as cotações das commodities agropecuárias e, por tabela, o preço da comida no prato do consumidor. eldquo;O câmbio pode trazer volatilidade para os preços e, no melhor dos mundos, não ajudar a inflação de alimentos, porque nesse ano certamente ajudouerdquo;, diz Marcela. Ela lembra que 2026 será um ano eleitoral e, portanto, com perspectiva de sobe e desce do dólar, de acordo com o cenário de risco político. Outro problema interno do País que pode pressionar o câmbio, apontado pela economista, é o desajuste das contas públicas. eldquo;Preços de alimentos e de bens industriais são muito dependentes de câmbio. Por isso, tenho um pouco de dúvida em relação ao comportamento desses preços para 2026erdquo;, diz Marcela. Preços administrados Quanto aos preços administrados pelo governo, que junto com os serviços respondem por 55% do IPCA, nas contas de Braz, da FGV, a perspectiva inicial é de que ajudem a inflação deste ano. Serrano, do Bmg, pondera que as tarifas de energia e combustíveis são sensíveis a fatores específicos. No ano passado, por exemplo, a expectativa inicial era de que a tarifa de energia elétrica subisse 4,5%, mas acabou aumentando 12%. Para 2026, Serrano diz que espera reajuste perto de 5% para a energia elétrica. eldquo;Reajustes menores e bandeiras verdes no final do ano devem ajudarerdquo;. Mas há um fator de risco: os reservatórios das hidrelétricas estão abaixo da média histórica, pondera. Quanto aos combustíveis, derivados de petróleo, a mudança geopolítica que o mercado da commodity está passando depois que os Estados Unidos invadiram Venezuela, dona da maior reserva petrolífera do mundo, pode afetar as cotações do diesel e da gasolina, a depender dos desdobramentos. Se o preço do petróleo mantiver e o câmbio também, Serrano acredita que a Petrobras poderá reduzir os preços da gasolina e, assim ajudar, a inflação deste ano.

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