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A balança comercial brasileira registrou um superávit de US$ 4,343 bilhões em janeiro, uma alta de 85,8% sobre o dado do mesmo mês de 2025, diante de um recuo mais forte nas importações do que a queda observada nas exportações, apontou o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) nesta quinta-feira (5), atribuindo o movimento ao desaquecimento da economia.

O saldo observado, o segundo maior já registrado pelo Mdic para meses de janeiro, veio ligeiramente abaixo da expectativa de economistas consultados pela Reuters, que previam superávit de US$ 4,9 bilhões para o mês.

As exportações somaram US$ 25,153 bilhões no mês passado, uma queda de 1% em relação a janeiro de 2025. O movimento de retração foi mais intenso nas importações, que caíram 9,8% no mesmo período, totalizando US$ 20,810 bilhões.

Houve queda nas importações de bens intermediários e combustíveis, recuo mais relevante do que as elevações observadas em bens de consumo e bens de capital.

O diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, Herlon Brandão, afirmou que a previsão de um arrefecimento da atividade econômica diante do nível elevado dos juros no país leva a uma redução da demanda do setor produtivo, fator que explica o recuo das importações.

"Na medida em que se espere que a economia cresça menos em relação ao aumento observado no ano passado, é natural que tenha uma menor demanda por bens importados. É esperado para este ano um desaquecimento da importação", disse.

Brandão afirmou ainda que a sazonalidade do agronegócio gera variações na demanda por insumos agrícolas a depender do ritmo das safras, o que também afetou o dado de maneira complementar.

Do lado das exportações, apenas as vendas do setor agropecuário apresentaram crescimento, uma alta de 2,1%, impulsionada por melhores desempenhos de soja e milho.

Por outro lado, os embarques ao exterior da indústria extrativa caíram 3,4%, impactados por vendas menores de petróleo e minério de ferro. O dado da indústria de transformação teve recuo de 0,5%.

No recorte por regiões, os dados seguem mostrando perda de participação dos Estados Unidos. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, as vendas para o país norte-americano apresentaram recuo de 25,5%.

A participação dos EUA no total das exportações brasileiras caiu de 12,7% em janeiro de 2025 para 9,5% no mês passado. No mesmo período, a fatia da China subiu de 21,7% para 25,7%.

(Reuters)

Fonte/Veículo: Folha de São Paulo

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