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Inflação acelera a 0,38% em abril e fica acima das projeções

A inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), acelerou a 0,38% em abril, disse nesta sexta-feira (10) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O índice havia subido 0,16% em março. Remédios, alimentos e gasolina pressionaram a inflação de abril, que ficou acima da mediana das previsões do mercado financeiro. Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam variação de 0,35%. Apesar da aceleração em abril, a taxa de 0,38% é a menor para o mês em três anos, desde 2021. À época, o IPCA havia subido 0,31%. No acumulado de 12 meses, a inflação brasileira perdeu força. O índice desacelerou a 3,69% até abril. É o menor patamar desde junho do ano passado (3,16%). Ainda assim, o novo resultado ficou acima da mediana das projeções, que era de 3,66%, segundo a Bloomberg. A inflação estava em 3,93% nos 12 meses até março. REMÉDIOS E ALIMENTOS EM ALTA Em abril, 7 dos 9 grupos de produtos e serviços do IPCA tiveram alta de preços. Saúde e cuidados pessoais (1,16%) e alimentação e bebidas (0,70%) registraram os maiores impactos no índice mensal (0,15 ponto percentual cada). Em saúde e cuidados pessoais (1,16%), a principal pressão veio dos produtos farmacêuticos (2,84%). A carestia ocorreu após a autorização do reajuste de até 4,50% nos preços dos medicamentos a partir de 31 de março. Em alimentação e bebidas (0,70%), houve pressão de produtos tradicionais da mesa do brasileiro. A alimentação no domicílio acelerou de 0,59% em março para 0,81% em abril. Foram observadas altas nos preços de mamão (22,76%), cebola (15,63%), tomate (14,09%) e café moído (3,08%). André Almeida, gerente da pesquisa do IPCA, disse que, de modo geral, os alimentos ainda são impactados por choques climáticos do início deste ano. Eventos como ondas de calor e chuvas intensas afetaram a oferta de mercadorias em regiões produtoras. "Tudo isso acabou prejudicando a produção de diversos alimentos, principalmente daqueles mais sensíveis ao clima. Isso acaba se refletindo nos preços", disse Almeida. POSSÍVEL IMPACTO DAS ENCHENTES NO RS Nos últimos dias, entrou no radar de analistas um novo fator que pode gerar alguma pressão inflacionária sobre os alimentos. Trata-se do possível impacto das enchentes que devastam municípios do Rio Grande do Sul. O temor é de que a catástrofe afete estoques, com repasses para os preços. Já há, inclusive, restrições a compras de itens como arroz em supermercados. O Rio Grande do Sul é responsável por 70% da produção do cereal no Brasil. Com o receio do impacto na inflação, o governo federal anunciou a importação de até 1 milhão de toneladas de arroz. A medida é contestada por produtores. Eles dizem que as lavouras gaúchas terão condições de alimentar a demanda nacional, mesmo com as perdas nas enchentes. De acordo com o IPCA, os preços do arroz tiveram queda de 1,93% em abril. Porém, no acumulado de 12 meses, o produto ainda acumula alta de 25,46%. O avanço registrado somente em 2024 foi de 7,21%. "O Rio Grande do Sul é o maior produtor de arroz, mas também tem produção de soja e milho, que são importantes na produção de ração animal, por exemplo", afirmou Almeida. O custo da ração é um dos componentes dos preços de carnes e leite. "Essas chuvas podem acabar impactando a produção. Agora, como isso vai se refletir nos preços, a gente tem de aguardar", ponderou Almeida. O IBGE não faz projeções de preços. "É um grupo [alimentação] que deve seguir pressionando a inflação, por conta da tragédia no RS, que é um grande produtor de alimentos do país, principalmente no arroz", afirmou em relatório Andre Fernandes, chefe de renda variável e sócio da A7 Capital. GASOLINA PRESSIONA, PASSAGEM DE AVIÃO ALIVIA No grupo dos transportes, a alta dos preços foi de 0,14% em abril, segundo o IPCA. A gasolina avançou 1,50%. Assim, teve o maior impacto individual entre os subitens em alta no índice (0,08 ponto percentual). A passagem aérea, por outro lado, registrou queda de 12,09% em abril. Com isso, mostrou uma contribuição de -0,08 ponto percentual no IPCA. Foi o maior impacto individual do lado dos subitens em queda. META DE INFLAÇÃO E JUROS O IPCA serve como referência para a meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central), cujo centro é de 3% em 2024. A tolerância é de 1,5 ponto percentual para menos ou para mais. Logo, a meta será cumprida se o IPCA ficar no intervalo de 1,5% (piso) a 4,5% (teto) no acumulado do ano. Projeções do mercado apontam alta de 3,72% para o índice em 2024, conforme a mediana da edição mais recente do boletim Focus, divulgada na segunda (6) pelo BC. A estimativa está abaixo do teto da meta (4,5%). O principal instrumento do BC para o controle da inflação no Brasil é a taxa básica de juros (Selic). Na quarta (8), o Copom (Comitê de Política Monetária) da instituição decidiu mudar o ritmo de corte da Selic. Depois de promover seis reduções consecutivas de 0,50 ponto percentual, a diretoria do BC anunciou uma queda de 0,25 ponto percentual na taxa de juros, que passou de 10,75% para 10,50% ao ano. O presidente do BC, Roberto Campos Neto, e outros quatro diretores votaram pelo corte menor. Já os quatro indicados pelo governo Lula (PT) desejavam uma redução de 0,50 ponto. A inflação de serviços medida no IPCA, um dos componentes avaliados pelo Copom, desacelerou de 0,10% em março para 0,05% em abril. Em 12 meses, a taxa atingiu 4,60%. É o menor patamar desde setembro de 2021, quando a variação era de 4,41%. A inflação de serviços, porém, ainda segue acima do índice geral (3,69%). "A demanda pode influenciar alguns segmentos [de serviços]", afirmou Almeida, do IBGE. "Existem outros fatores, como aumento de custos, reajustes de planos. Tivemos reajustes de planos de telefonia móvel", completou. Por ora, a Warren Investimentos projeta IPCA de 0,32% em maio e de 0,16% em junho. "Vamos fazer alguns ajustes pontuais, no entanto, vale lembrar que a inflação de curto prazo poderá se mostrar muito volátil, tendo em vista a difícil mensuração dos efeitos das enchentes no RS", disse em relatório Andréa Angelo, estrategista da Warren. A casa espera que o IPCA deste ano e de 2025 fique em 3,80%. O economista André Braz, do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), avalia que, após a tragédia gaúcha, a inflação pode passar de 3,9% para 4,5% ao final de 2024, dependendo dos impactos. Ele, contudo, diz que essa é uma estimativa "muito preliminar". DESASTRE NO SUL GERA INCERTEZA NA COLETA DE DADOS Outro possível reflexo da catástrofe no Rio Grande do Sul é a dificuldade para o IBGE realizar a coleta de preços e outros levantamentos. A tragédia deixou um rastro de destruição na logística do estado, incluindo estragos em rodovias e derrubada de pontes. Até o momento, o IBGE diz que segue avaliando os impactos. O órgão promete se pronunciar quando tiver segurança técnica sobre possíveis medidas a serem adotadas, de acordo com cada pesquisa. A coleta dos preços do IPCA-15 de maio, por exemplo, vai do período de 16 de abril a 15 de maio. Esse intervalo já abrange os efeitos das enxurradas. O IPCA-15 é divulgado antes do IPCA, trazendo um panorama dos preços para o indicador oficial.

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Petrobras diz que Brasil já descobriu 'filé-mignon' do Sudeste e precisa de margem equator

O diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Joelson Mendes, diz que é preciso "desmistificar" a relação entre a atividade petrolífera no litoral do Amapá e potenciais impactos ambientais na amazônia. A estatal iniciará nova ofensiva para reverter negativa de licença para um poço no bloco 59, que completa um ano este mês, e defende que eventual produção de petróleo na área teria impacto mínimo, sem necessidade de infraestrutura em terra. "Em que um poço a 170 km de Oiapoque, ou uma produção que vem a ser robusta, afeta [a floresta amazônica]?", questiona. "Você gosta de Búzios, Ipanema, Leblon? Tem muito mais plataforma [de petróleo] lá." Em abril, a Petrobras anunciou uma descoberta em águas profundas na bacia Potiguar, que confirma expectativas de que há petróleo na margem equatorial brasileira e reforça o esforço pela liberação da atividade. Mendes rebate ambientalistas e diz que o Brasil não tem alternativas no pré-sal para repor reservas e evitar voltar a ser importador de combustíveis na próxima década. "Já achamos todo o filé-mignon." O que representa a recente descoberta de petróleo no Rio Grande do Norte e que efeitos terá no esforço para exploração da margem equatorial? É uma boa notícia ao confirmar que há hidrocarbonetos naquela profundidade naquela bacia, como imaginavam nossos geocientistas. Mas ainda não temos elementos suficientes para dimensionar essa descoberta. Teve gente, ex-empregada da empresa, que disse que é maravilhoso, mas a gente prefere ficar mais contido. A gente precisa fazer uma campanha exploratória na margem equatorial. Supúnhamos que tinha hidrocarboneto naquela região e agora temos certeza. Há similaridade entre a descoberta e reservatórios gigantes da Guiana e do Suriname. Isso aumenta as chances de descobertas na margem equatorial? Em águas profundas, a gente só tinha feito um poço lá em 2014, 2015. Então, a gente comprovou aquilo que a gente imaginava. Mas a margem equatorial são várias bacias. É uma região muito extensa. A gente precisa realmente fazer uma pesquisa mais robusta. O sucesso na Guiana e no Suriname e a comprovação da presença de hidrocarboneto na bacia Potiguar nos leva a crer que, em algum momento, em alguma dessas bacias, a gente vai ter alguma descoberta relevante. Essa é a nossa expectativa. Desde que a licença para o bloco 59 foi negada, a Petrobras diz ter apresentado ajustes que cumprem os requisitos questionados. A partir daí não teve notícia nenhuma mais? Não teve. Todos os questionamentos envolvem coisas pequenas perto de uma campanha desse tipo. O tempo de resgate do animal, no caso de um grande vazamento, é de 44 horas e o Ibama quer 24 horas? A gente bota a embarcação no meio do caminho. A base de Belém é muito longe? A gente faz uma base lá em Oiapoque. A gente destinou a esse projeto recursos, embarcações, em volume maior do que temos na bacia de Campos. Para atender a todos os desejos, para demonstrar que a gente vai fazer tudo o que tiver que ser feito. A rota do helicóptero está próxima lá da terra indígena? Isso tudo se resolve. Se forem coisas factíveis dentro do processo legal, não tem dificuldade técnica. A gente pode botar a melhor sonda do mundo, a gente pode botar as melhores embarcações, os melhores helicópteros, as melhores pessoas que nós já temos. Agora, se não quiser que haja exploração de petróleo na margem equatorial brasileira, aí não cabe ao Ibama. Não cabe ao ministro A ou B, cabe ao Conselho Nacional de Política Energética. E o fato é que, para fazer o leilão dessa área, em 2013, foi necessário um ok do ministro do Meio Ambiente. Não há outras oportunidades para descobrir petróleo no Brasil além da margem equatorial? Não. Eu até vi uma reportagem da Folha [publicada em 20 de abril], com um viés de dizer: "Temos muitas reservas, a reserva está crescendo, não precisamos mais de petróleo". Isso não foi dito, mas eu li dessa forma. É um grande equívoco. Eu não quero ser indelicado contigo, mas aquele tipo de reportagem acaba sendo um desserviço, porque induz a dizer que os ambientalistas estão certos, que o Brasil não precisa explorar mais petróleo. E isso não é verdade. O crescimento da produção vai até 2030, 2032. Depois a produção começa a decair. Se a gente não agregar novas reservas, a partir de 2035, a gente estará produzindo menos que hoje. Teremos novas plataformas nos próximos anos, mas, só para manter a produção, temos que botar 300 mil barris por dia de óleo novo. Mas há ao menos 28 áreas exploratórias na bacia de Santos, a maior do país, ainda sem perfuração. Não é possível encontrar petróleo novo lá? Não. A gente tem muita área exploratória e vamos investir US$ 2,5 bilhões nas bacias de Campos e Santos. Então nós continuaremos fazendo poços lá. Mas a gente já achou o "filé-mignon". A gente não vai mais descobrir nas bacias de Santos e de Campos nenhum campo gigante como Marlim, Roncador, Tupi... Por que apostar inicialmente em uma área ainda sem nenhuma estrutura para a indústria de petróleo, com litoral preservado? A gente herdou aquele processo de licenciamento da [empresa] BP extremamente adiantado. Então, contratamos uma sonda para fazer esses três poços: o bloco 59 e os dois poços da Potiguar. Era essa sequência. Estava adiantado o processo de licenciamento. Simples assim. Mas não é uma atividade que necessita de muita estrutura. Quando a gente começou na bacia de Campos, a gente começou em águas rasas. E tudo vinha para a terra através de dutos e através de gasodutos. Hoje não. Hoje o óleo sai de um FPSO [navio-plataforma] e vai para o mundo. O gás pode ser reinjetado nos poços. Se for muito gás e o Ibama não quiser autorizar gasoduto, pode sair por GNL [gás natural liquefeito]. Mas tem estrutura de apoio, que demanda porto, aeroporto, retroárea... Estrutura de apoio são embarcações, hoje em dia extremamente modernas, e helicópteros. Hoje, em Belém, você tem tudo isso. Dá para fazer de Belém. Para deslocar pessoas quando a sonda esteve lá, a gente fez de Oiapoque. Mas isso vai antropizar o mínimo. O que mais pesou em lugares como Macaé foi ter o escoamento de petróleo, o escoamento de gás... Tudo concentrado ali. A gente consegue fazer tudo aquilo que a gente está pretendendo com o mínimo de impacto. E, quando você olha o consumo energético por pessoa no Brasil, ele é quatro vezes menor do que nos Estados Unidos. E no Norte, no Nordeste, ele é menor do que a média brasileira. Você tem ali, literalmente, uma pobreza energética. Está sendo tirada daquela região do país a hipótese de verificar se dá para ser menos pobre energeticamente, se dá para ter um desenvolvimento bom naquela região. Em 2023, a Petrobras arrematou algumas áreas na bacia de Pelotas, no sul do país. Qual o potencial? A gente ficou animado. E o leilão foi um sucesso. A Petrobras teve que ganhar de outro concorrente ali. Porque está todo mundo olhando para o sucesso do oeste da África e pode haver similaridades geológicas com o oeste da África. Mas aí também teremos uma questão de licenciamento, também é uma nova fronteira. Mas é uma área menos sensível do que o Amapá, não? Qual é a questão da amazônia? É floresta. Em que um poço a 170 quilômetros de Oiapoque, ou uma produção que vem a ser robusta, afeta? Demos um grande azar de um dia terem colocado naquela bacia o nome da Foz do Amazonas. A marca registrada da Amazônia, isso é forte pra caramba, imagina colocar oito, dez plataformas lá. Mas o bloco 59 nada tem a ver com a Amazônia, só está na bacia sedimentar chamada Foz do Amazonas. Você gosta de Búzios, Ipanema, Leblon? Tem muito mais plataforma que isso lá. Entendeu? São crendices que a gente está tentando desmistificar.

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"Navio terá multa se não descarbonizar combustível", alerta Mercadante

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, chamou a atenção, nessa quinta-feira (9/5), sobre mudanças nos combustíveis para a navegação e a aviação. As regras são definidas pela Organização das Nações Unidas (ONU), que vem adotando medidas com o objetivo de reduzir as emissões de carbono, num esforço para mitigar os efeitos do aquecimento global. De acordo com Mercadante, o país precisa estar preparado, e o BNDES vem se debruçando sobre a questão. eldquo;A ONU é mandatária sobre navegação e espaço aéreo. No espaço aéreo, já estão dados a data e o volume do combustível renovável que terá que ser adotado a partir de 2027. Nós estamos financiando a produção de SAF, que é o combustível sustentável da aviaçãoerdquo;, disse Mercadante, durante apresentação do balanço financeiro do BNDES referente ao primeiro trimestre de 2024. Em sua visão, a maior preocupação envolve, no entanto, a navegação marítima. eldquo;Cerca de 90% de todo o transporte de mercadorias do planeta são feitos por navios. Eles terão multas se não descarbonizarem o combustível. E temos um problema logístico para chegar, por exemplo, à China. Nosso navio demora muito mais tempo do que, por exemplo, o da Austrália. Com isso, podemos perder competitividade. E o BNDES está debruçado sobre issoerdquo;, explicou. Uma das ferramentas que o país possui para fomentar essa transição energética é o Fundo da Marinha Mercante (FMM), que existe desde 1958 e é voltado para promover o desenvolvimento da marinha mercante e da indústria naval nacional. São vários gestores, mas o BNDES responde por 75%. Segundo Mercadante, por meio do fundo, estão em processo de contratação R$6,6 bilhões, envolvendo balsas, rebocadores, empurradores para transporte de grãos e minério, entre outras embarcações. Apesar dos desafios, ele vê uma oportunidade. eldquo;No curto prazo, para adaptar os navios, a melhor resposta é o etanol e o metanol, dos quais o Brasil é o segundo maior produtor. Nós temos a produção de etanol mais evoluída, que é o de segunda geração. É o mais eficiente, o que mais descarboniza. Podemos entrar nesse mercadoerdquo;. O presidente do BNDES afirmou que, para atender à demanda, será preciso dobrar a produção de etanol no Brasil. Subsídio à aviação O BNDES também está estudando uma forma de apoiar as empresas aéreas, tendo em vista que o setor ainda sente os prejuízos acumulados ao longo da pandemia de covid-19, quando as medidas de distanciamento social reduziram drasticamente a locomoção das pessoas, incluindo o transporte para negócios e turismo. A alternativa que vem sendo discutida envolve o Fundo Nacional da Aviação Civil (FNAC). Ele conta com recursos de contribuições provenientes das atividades ligadas ao próprio setor. eldquo;Esse fundo poderia ser acionado como garantidor para que possamos operar e oferecer crédito. Temos uma discussão em andamentoerdquo;, diz Mercadante. Segundo ele, as empresas vivem um bom momento. eldquo;Elas estão bem. O faturamento é crescente, os resultados são excelentes. Mas elas têm um passivo da pandemia. Os aviões ficaram no chão praticamente um ano e elas pagando leasing, tendo que manter equipes de profissionais, pagando taxas aeroportuárias. Foram custos muito pesados e as empresas sem faturamento. O Brasil não adotou nenhuma medida naquele períodoerdquo;. Mercadante também afirmou que, em diversos países, o setor recebeu apoio para suportar os prejuízos do período. eldquo;Depois da pandemia de covid-19, houve subsídios à aviação no mundo inteiro. Houve nos Estados Unidos, em quase todos os países europeus, na Índia e em outros. A China sempre fez isso. E é muito importante para um país do tamanho do Brasil ter o setor estruturado. A gente não chega em muitos locais importantes do território nacional se não tiver empresas que tenham uma visão sistêmica do país e que deem prioridade ao Brasil. A disposição do BNDES é contribuir para que essas empresas resolvam a situaçãoerdquo;. (Agência Brasil)

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G20 discute potencial de US$ 7,7 tri em bioeconomia e o papel dos biocombustíveis

A segunda reunião da Iniciativa de Bioeconomia do G20, que chegou ao fim nesta quinta-feira (09), discutiu o potencial de US$ 7,7 trilhões em negócios com a adoção da bioeconomia circular. A estimativa foi apresentada no recente relatório do Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD, na sigla em inglês). O documento intitulado eldquo;Uma oportunidade de negócio que contribui para um mundo sustentávelerdquo; aponta que a utilização de produtos de base biológica em setores que vão desde energias alternativas até indústrias farmacêuticas e de embalagens é capaz de movimentar trilhões até 2030. Na abertura do encontro, (7/5), a ministra do Meio Ambiente e Mudança Climática, Marina Silva, destacou a necessidade de superar falsas disputas entre bioenergia e segurança alimentar. Um dos objetivos da pasta, junto ao Ministério de Relações Exteriores, é mostrar ao mundo que, no caso brasileiro, o cultivo de grãos ou outras matérias primas para produção de biocombustíveis não coloca em risco o abastecimento de alimentos. Sendo assim, uma alternativa sustentável importante para redução das emissões de gases do efeito estufa. eldquo;Para fazer avançar a bioeconomia, além de recursos financeiros, precisamos avançar na definição global de padrões de sustentabilidade que sejam justos e levem em conta as circunstâncias nacionaiserdquo;, destacou Marina Silva. Há anos, o Brasil trava um debate, em especial com a União Europeia, sobre a relação entre biocombustíveis, desmatamento e a produção de alimentos. No final do mês passado, durante reunião ministerial do G7 sobre Clima, Energia e Meio Ambiente, a ministra já havia pontuado essa questão. eldquo;O Brasil tem plena capacidade instalada de produzir biocombustíveis sem ameaçar a floresta, garantindo alimentos para a população e a preservação de serviços ecossistêmicoserdquo;. Oportunidades para o Brasil A ministra também destacou a criação de um acordo de gestão para implementação do programa Bioeconomia para um Novo Ciclo de Prosperidade. O comitê gestor será responsável por acompanhar as ações necessárias para cumprimento das metas do Programa, que incluem número de negócios da bioeconomia apoiados, incubados e acelerados; tamanho da área de florestas públicas federais concedidas e em produção de produtos e serviços florestais, entre outras. O Brasil preside o G20 em 2024 e organizará a COP30, em 2025, na cidade de Belém (PA). A próxima reunião da Iniciativa de Bioeconomia está marcada para ocorrer em junho em Manaus/AM. Segundo Carina Pimenta, secretária nacional de Bioeconomia do MMA, eldquo;a relação da biodiversidade com as economias existe independente de um país ser rico ou não em biodiversidadeerdquo;. Pimenta destaca que a indústria da saúde, por exemplo, depende do conhecimento sobre biodiversidade para desenvolver novos medicamentos e terapias. A ministra Marina Silva ressaltou a necessidade de trazer as comunidades para o centro da agenda, destacando o papel dos conhecimentos das populações tradicionais e comunidades indígenas para o avanço da bioeconomia. eldquo;A ação humana no meio ambiente foi e ainda continua sendo a tal ponto impactante que não nos bastará apenas adaptar e mitigar mas, sobretudo, transformarerdquo;, enfatizou. Já a ministra Luciana Santos, do Ministério da Ciência e Tecnologia e Informação, afirma que o Brasil está comprometido com a transferência de tecnologia e desenvolvimento de produtos sustentáveis. eldquo;A bioeconomia é tema estratégico para o desenvolvimento sustentável da nossa estratégia nacional de ciência, tecnologia e inovaçãoerdquo;, afirmou Luciana.

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Petrobras vai produzir menos, mas ainda precisa de reservas, diz diretor de E&P

A Petrobras vai se conformar com uma queda na produção em oito a dez anos, mas mesmo com um patamar menor vai precisar de mais reservas, afirmou o diretor de Eeamp;P da estatal, Joelson Mendes, em entrevista ao estúdio epbr durante a Offshore Technology Conference (OTC) 2024, em Houston (Texas). A intenção da companhia é manter uma produção de pelo menos 2 milhões de barris/dia na próxima década, abaixo dos 2,2 milhões de barris/dia atuais. eldquo;Daqui a dez anos a Petrobras vai estar produzindo menos e a gente vai se conformar com uma produção menor. Mas, mesmo com essa produção menor, a gente vai precisar recorrer a muita reservaerdquo;, disse. eldquo;Para que nós não sejamos, antes do final da próxima década, importadores de petróleo de novo, a gente precisa reforçar isso.erdquo; Mendes reforçou que é necessário explorar novas fronteiras, especialmente a Margem Equatorial, para evitar que o Brasil se torne importador de petróleo. Segundo ele, dificilmente a companhia fará outras descobertas tão grandes quanto as de Libra, Búzios e Tupi, que ocorreram no pré-sal. Para o executivo, a companhia precisa partir em busca de novos projetos, mesmo menores, de modo a garantir relevância. eldquo;Existe uma falsa crença que a Petrobras não precisa de novas fronteiras porque tem o pré-salerdquo;, disse.

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'Petrobras discute nova etapa de recompra de ações'

A Petrobras estuda uma nova etapa do programa de recompra de ações, que começou no ano passado, disse ao Valor Sérgio Caetano Leite, diretor financeiro e de relações com investidores da companhia. eldquo;Todas as grandes empresas de petróleo, as congêneres, fazem e tratam a recompra como remuneração do acionistaerdquo;, afirmou Leite. O primeiro passo foi dado em 2023 e envolveu um projeto piloto, de cerca de 157 milhões de ações preferenciais, o qual está 86% concluído, disse Leite. eldquo;Estabelecemos agosto como prazo para finalizar [o programa], e os resultados são excepcionais porque, em média, esses programas de recompras param em 70%, 75%erdquo;, comparou. O executivo conversou com este jornal entre compromissos na Offshore Technology Conference (OTC), principal evento da indústria de petróleo, em Houston, no Texas. Leite afirmou que a empresa tem caixa suficiente para financiar os investimentos previstos, sem necessidade de recorrer ao mercado financeiro. A empresa emitiu recentemente US$ 250 milhões em títulos globais para trocar dívida cara por mais barata. Segundo o executivo, a companhia monitora o mercado em busca de operações semelhantes. Para ler esta notícia, clique aqui.

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