WhatsApp Pay quer chegar a estabelecimentos no segundo semestre

O WhatsApp trabalha para permitir que o envio e recebimento de dinheiro por meio do aplicativo, hoje restrito a pessoas físicas, seja feito também a lojistas a partir do início do segundo semestre, apurou o Estadão/Broadcast. Para isso, já teria fechado parceria com a Rede (empresa de maquininhas do Itaú Unibanco), além da Cielo (de Bradesco e Banco do Brasil), disseram fontes, que pediram o anonimato uma vez que a informação ainda não é pública.

Ampliar o número de donas de maquininhas na solução de pagamentos era uma das condições do Banco Central para que o WhatsApp pudesse desbravar também o mercado corporativo. É o chamado P2M, ou seja, de pessoa para estabelecimento. Por ora, o início da solução para lojistas depende do aval do BC.

Ao contrário das pessoas físicas, os lojistas terão de pagar pelas transações para oferecer a ferramenta aos seus clientes, o MDR, na sigla em inglês. Por isso, o regulador impôs que mais empresas participassem do arranjo. No modelo previamente anunciado, há cerca de um ano, estava prevista apenas a participação da Cielo. O modelo desagradou o BC, que suspendeu a solução.

Diante disso, o modelo de pagamentos estruturado pelo WhatsApp para lojistas teve de ser revisto. Na tentativa de obter o aval do regulador, o Facebook, dono do aplicativo, iniciou uma nova rodada de negociações com donas de maquininhas interessadas em sua solução. Dessas tratativas, além da parceria com a Rede, também teria tido conversas com a Stone, que ainda poderia aderir à ferramenta, de acordo com duas fontes.

A nova parceria em maquininhas é vista como o passaporte para que o WhatsApp consiga lançar a transferência de dinheiro também de pessoas físicas a comerciantes no Brasil. Na semana passada, o presidente da Cielo, Paulo Caffarelli, afirmou, em conversa com a imprensa, que era esperada a autorização do Banco Central para o P2M ainda neste ano. Na ocasião, negou dificuldades nessa direção.

“Não tem dificuldade nenhuma. Está dentro do processo de análise do BC, que vem discutindo frequentemente com o WhatsApp e as bandeiras. Devemos ter notícia no decorrer do ano”, disse Caffarelli.

Ainda não se sabe qual será o custo das transações para o lojista receber pagamentos por meio do WhatsApp. No anúncio do ano passado, quando apenas a Cielo era parte da solução, foi anunciada uma taxa de 3,99% por pagamento tanto no débito quanto no crédito.

Esse é, aliás, outro avanço que a ferramenta da big tech terá ao partir também para o P2M. Isso porque ao envolver lojistas, os usuários do WhatsApp poderão utilizar também seus cartões de crédito nos pagamentos feitos por meio do aplicativo. Nos bastidores, o que se comenta é que o P2M é uma ponte para um leque maior de soluções financeiras, incluindo pagamento por QR Code, os quadradinhos, e outros.

Para a agência de classificação de risco Moody’s, o avanço do Facebook com a solução para as pessoas físicas dará oportunidade à big tech justamente de alavancar outros serviços financeiros além dos pagamentos. A estratégia, na visão da classificadora, poderia ser acelerada com a implementação do open banking, sistema de compartilhamento de informações, no Brasil, previsto para este ano.

O WhatsApp possui mais de 120 milhões de usuários no Brasil. O País é o segundo maior mercado para o aplicativo, atrás somente da Índia, com mais de 400 milhões de adeptos.

Procurado, o WhatsApp disse que “está trabalhando com as autoridades locais e parceiros para estudar o futuro lançamento do P2M no Brasil”. “O WhatsApp está animado com a possibilidade de trazer este serviço inovador e tão esperado para os brasileiros”, afirmou, em posicionamento ao Broadcast.

O Banco Central não se pronunciou. Rede também não se manifestou. A Stone afirmou que “possui uma plataforma apta a servir diversos parceiros, inclusive ferramentas como o WhatsApp”. “As inovações em pagamento nos últimos anos vêm tornando o mercado financeiro um espaço mais democrático e acessível, o que é ótimo para o País”, acrescentou a empresa de maquininhas.

Fonte: O Estado de São Paulo