Sem redução de salário, varejo fala em demissão

Com a maioria das lojas fechada por causa das medidas de restrição para conter o avanço da pandemia, pesos pesados do varejo brasileiro veem risco iminente de demissões em massa dos trabalhadores, se o governo não reeditar o Programa Emergencial de Manutenção de Emprego e Renda, conhecido como BEM.

Em reunião ontem, associados do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV) manifestaram preocupação com a lentidão da reedição da Medida Provisória 936, que criou o programa que expirou em dezembro de 2020.

Com suspensão de contratos e redução de jornada de trabalho, com pagamento de parte dos salários pelo governo, o programa garantiu a manutenção de 11 milhões de empregos, segundo o próprio ministro da Economia, Paulo Guedes.

“Já estamos terminando março e o programa não foi reeditado, isso está trazendo uma inquietação muito grande entre os empresários, porque muitas lojas estão fechadas em São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Pernambuco, por exemplo”, diz o presidente do IDV, Marcelo Silva.

Os empresários, diz, estão no limite, porque têm de cumprir o pagamento da folha de salário e dos impostos e, por outro lado, não têm o faturamento adequado para fazer frente a essas despesas. “É uma questão de caixa: se não vende, não tem como pagar as contas.” Ele frisa que essa questão tem de ser resolvida este mês. “Se o governo não sinalizar com a volta do programa, pode ocorrer demissão.”

Pedidos. Diante da incerteza, Silva conta que o varejo começou a adiar os pedidos a fornecedores, para não acumular estoque.

Participaram da reunião de ontem executivos das lojas Riachuelo e Renner, das redes de farmácias Pague Menos, Raia/drogasil, Panvel; e varejistas como Ri Happy, Magazine Luiza, Carrefour, GPA, por exemplo.

Apesar de supermercados e farmácias estarem com o funcionamento autorizado, Silva explica que muitas lojas ficam dentro de shoppings e, portanto, não podem abrir. O comércio eletrônico avançou, mas ainda é uma parcela pequena. As 73 empresas associadas ao IDV faturam R$ 411 bilhões e respondem por 777 mil empregos diretos em 34 mil lojas físicas e 246 CDS.

Fonte: O Estado de S.Paulo