Combustíveis têm o quinto reajuste do ano

Após dez dias da demissão do seu principal executivo, a Petrobrás reajustou ontem os preços dos seus combustíveis nas refinarias. A gasolina fica 4,8% mais cara para as distribuidoras a partir de hoje; o óleo diesel, 5%; e o gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha, 5,2%.

Com esse reajuste, o quinto do ano, o presidente da estatal, Roberto Castello Branco, reafirma a independência da sua gestão, que deve acabar no próximo dia 20. Sua demissão foi comunicada pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, pelas redes sociais, após o anúncio de reajuste, no dia 19, considerado excessivo pelo governo.

No centro das divergências entre o presidente da República e o executivo está, sobretudo, o preço do diesel, que, desde janeiro, acumula alta de 33,9% (a gasolina, 41,6% e o GLP, 17,1%). O combustível pesa no bolso de grandes consumidores, entre eles os caminhoneiros, uma das mais importantes bases eleitorais de Bolsonaro. Por causa do diesel, a categoria chegou a ameaçar repetir a greve histórica de maio de 2018, que parou o País.

O argumento de Castello Branco e sua diretoria, no entanto, é que, se não reajustar os preços, a empresa vai perder dinheiro, como aconteceu no passado. A estatal revê os seus valores nas refinarias à medida que a cotação do petróleo sobe no mercado internacional e também quando o real perde valor em comparação ao dólar. Essa é a Política de Paridade Internacional (PPI), adotada em 2016. A empresa não divulga, porém, as variáveis que utiliza para calcular o PPI e os seus prazos de revisão dos preços para se alinharem aos de paridade. Na verdade, nenhuma petrolífera no mundo divulga essa informação, porque isso anteciparia à concorrência dados estratégicos.

Pelos dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço do diesel da Petrobrás ainda está abaixo do praticado no mercado internacional, o que justificaria o aumento de hoje. Já os da gasolina e do GLP estão acima.

“É preciso considerar ainda que os reajustes da Petrobrás estão mais frequentes. Em 2020, eram praticamente mensais. Neste ano, já foram cinco em dois meses. Essa mudança pode estar relacionada às tensões entre a gestão da Petrobrás e as cobranças públicas feitas pelo presidente Jair Bolsonaro”, avalia o coordenador técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Rodrigo Leão.

Fonte: O Estado de S.Paulo