Empresários criticam guerra da vacina e prometem ajuda

22/12/2020

Atentos ao movimento político em torno da “guerra das vacinas”, empresários acompanham com preocupação as discussões que colocam em lados opostos o governo federal e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB-SP). Temem que essa discussão tire do foco o plano de imunização contra a covid-19 e incendeie prematuramente o debate da sucessão de 2022. Indústrias já consideram a ideia de bancar parte da vacinação para apressar a reativação da economia.

“É hora de tratar do urgente”, diz Horácio Piva, da Klabin. “Empresário é pragmático e não quer saber, neste momento, qual a leitura política para 2022”. A ideia é primeiro vacinar as pessoas e depois ver o impacto político disso.

Para Robson Braga de Andrade, presidente da CNI, é hora de deixar a discussão política de lado e unir esforços para traçar planos de vacinação. A indústria, segundo ele, avalia bancar parte da campanha de vacinação para trabalhadores não incluídos no início do programa, na faixa entre 20 e 50 anos, com recursos do Serviço Social da Indústria. Segundo ele, o Sesi está em 2.500 municípios e poderá ser base para pontos de vacinação.

“Lamento isso [guerra das vacinas] ter ocorrido em um país com tradição de combate epidemiológico”, afirmou Pedro Wongtschowski, presidente do conselho de administração da Ultrapar.

Piva entende que o empresariado não está tão engajado como esteve no início da pandemia, quando houve muitas doações de respiradores. Mas acha que as empresas poderão ajudar pelo menos na logística de distribuição de vacinas. Para Luiza Trajano, do Magazine Luiza, que lançou a companha nacional “Vacina para todos” em suas redes sociais, é preciso haver um planejamento estratégico e união de esforços.

Fonte: Valor Econômico