Outubro tem maior venda mensal de gasolina do ano

Depois de engatar a marcha a ré no começo da pandemia, a venda de gasolina acelerou no Rio Grande do Sul. Em outubro, o consumo do combustível teve alta de 13,1% frente a setembro, alcançando 297,569 milhões de litros. Trata-se do maior volume de venda mensal, no Estado, ao longo de 2020. GZH buscou os dados no site da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que regulamenta o setor.

Na visão de analistas, a retomada dos negócios reflete a flexibilização de medidas de isolamento social nos últimos meses. Durante a fase inicial da pandemia, a venda de gasolina havia despencado com o fechamento de empresas. O volume mais baixo em 2020 foi registrado em abril (202,765 milhões de litros).

– Houve maior movimentação em outubro, teve campanha eleitoral. Quando o clima esquenta, o pessoal também viaja mais para o Litoral. No inverno, fica mais recluso – avalia João Carlos Dal’Aqua, presidente do Sulpetro, que representa os postos de combustíveis no Estado.

Por outro lado, o dirigente lembra que houve piora nos casos de coronavírus, o que ameaça deslocamentos.

– Não tenho dúvida de que a flexibilização do distanciamento social teve o maior impacto na alta da venda de gasolina em outubro – frisa o economista-chefe da consultoria ES Petro, Edson Silva.

Os dados da ANP contemplam os repasses das distribuidoras para os postos. Mesmo com a melhora na venda frente a setembro, o setor seguiu no vermelho em relação a outubro de 2019. Nesse tipo de comparação, houve queda de 2,6% no volume de gasolina comercializado no Estado.

O resultado também é negativo no acumulado de 2020. De janeiro a outubro, a venda encolheu 11,6%, para 2,572 bilhões de litros, conforme a ANP.

Sócio-fundador da consultoria MaxiQuim, João Luiz Zuñeda projeta que, até o final do ano, o setor pode colher novos avanços, mas sem recuperar todas as perdas geradas pela pandemia. Conforme o especialista, a queda no acumulado deve ficar abaixo de 10%.

Para Dal’Aqua, o comportamento dos negócios, entre o final de 2020 e a largada de 2021, dependerá do quadro da covid-19. Nesse sentido, o líder empresarial faz um apelo para que a população respeite protocolos contra o coronavírus.

– As próximas semanas dependerão dos índices de contaminação. É inevitável que o pessoal se movimente, mas é preciso ter precaução. A sociedade precisa comprar essa ideia. Penalizar somente quem está trabalhando não resolve o problema – afirma Dal’Aqua.

O comportamento recente da venda de gasolina no Estado pega carona no embalo nacional. Em outubro, o volume negociado no país cresceu 8,4%, para 3,390 bilhões de litros. É o maior resultado mensal, até agora, em 2020.

Entretanto, o setor continua com desempenho negativo no acumulado do ano. De janeiro a outubro, a queda chegou a 7,9% no Brasil – ou seja, a baixa é menor do que a gaúcha.

– O ambiente de incertezas se projeta em todos os segmentos da economia. A pandemia trouxe isso. Estamos passando por momento de altos índices de contágio e ocupação de leitos hospitalares. A situação, obviamente, pode impactar o consumo – diz Silva.

Cenário de equilíbrio para os preços, dizem analistas
Entre a reta final de 2020 e o começo de 2021, o preço da gasolina tende a apresentar relativa estabilidade no Rio Grande do Sul, dizem analistas. Ou seja, nas próximas semanas, a perspectiva é de que não haja disparada nem queda intensa nas bombas dos postos.

A demanda aquecida em relação ao começo da pandemia até pode estimular avanços no valor cobrado dos consumidores. Mas a covid-19 ainda provoca impactos na economia, incluindo o desemprego. É a permanência da crise que tende a tornar mais difícil o repasse para as bombas.

– Há um cenário de equilíbrio. O preço não deve subir nem cair muito – projeta João Luiz Zuñeda, sócio-fundador da consultoria MaxiQuim.

Entre os dias 6 e 12 de dezembro, o litro da gasolina comum custou R$ 4,54, em média, no Rio Grande do Sul, indica pesquisa da ANP em 136 postos. No mesmo período, o valor estimado no país foi menor: R$ 4,481.

– Deve haver certa estabilização no preço, com pequenas variações para mais ou para menos – pontua o economista­chefe da consultoria ES Petro, Edson Silva.

Fonte: Gaucha ZH