Auxílio e vendas online garantem virada do Natal

Em meados do ano, quando a flexibilização da quarentena permitiu que as lojas físicas de todos os segmentos do comércio voltassem a funcionar, pareceria um delírio prever que este Natal poderia ter crescimento de vendas. Hoje, as projeções vão do empate até uma alta real (acima da inflação) de 3,4% no volume de vendas ante o Natal de 2019, porém com comportamentos distintos entre os vários segmentos.

O auxílio emergencial, que já injetou R$ 293,8 bilhões na atividade, é apontado pelos economistas como a “tábua de salvação” que tem garantido a rápida retomada das vendas. Em outubro, pelo sexto mês seguido, o comércio varejista cresceu sobre o período imediatamente anterior, aponta a Pesquisa Mensal de Comércio, do IBGE, e registrou desempenho 8,3% acima do primeiro bimestre, quando não havia pandemia.

Juros na mínima histórica, facilitação de pagamento pelos lojistas, como alongamento de prazos e até aceitação de cheque pré-datado, no caso de pequenos comércios, além do repasse parcial da alta de preços, têm ajudado nas vendas.

“Dá para comemorar a virada do jogo, mas não dá para comemorar a goleada”, afirma o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Fabio Bentes. A entidade ampliou de 2,2% para 3,4% o crescimento das vendas de Natal para este ano ante 2019.

A expectativa é que o Natal movimente R$ 38,1 bilhões. Se a projeção se confirmar, será o maior crescimento desde 2017, quando a variação havia sido de 3,9% sobre o ano anterior. No ano passado, as vendas do Natal avançaram 2,7%.

Entre os fatores que sustentam a projeção, o economista aponta a própria dinâmica de recuperação que o varejo vem experimentando nos últimos meses e o forte desempenho do comércio online. Embora represente uma parcela pequena das vendas totais do varejo, o e-commerce é tido como uma importante alavanca para esse crescimento. A expectativa da CNC é de um crescimento real de 64% nas vendas do comércio online no Natal.

“O Natal deste ano vai ficar perto do desempenho do ano passado, com destaque para o comércio online”, afirma o economista-chefe da Associação Comercial de São Paulo, Marcel Solimeo. Na sua avaliação, diante do atual cenário “empatar será um bom resultado”.

Poupança. Solimeo reforça que o alongamento dos prazos do crediário, que já chega a 30 meses nas grandes lojas, e juros na mínima histórica devem ajudar nas vendas. No entanto, ele acrescenta outro fator importante: a poupança. “Tem muita gente que ficou sem comprar há muito tempo e tem dinheiro guardado para gastar no Natal.”

Embora o auxílio emergencial tenho sido cortado pela metade a partir de setembro, do ponto de vista macroeconômico a poupança compulsória formada pela classe média alta ao longo dos meses compensaria a perda de recursos do auxílio que irrigaria as vendas do Natal, explica Solimeo.

Para Rodolpho Tobler, coordenador da Sondagem do Comércio do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, o Natal deste ano será um pouco melhor do que o de 2019 graças ao auxílio emergencial. Mas ele pondera que poderia ser melhor ainda se o dólar não tivesse tão alto e a inflação, tão pressionada pelos alimentos. “No início da pandemia, a gente não achava que teria um Natal positivo”, lembra.

Altamiro Carvalho, assessor econômico da Fecomércio/SP, projeta aumento de 1% no faturamento do comércio no Estado de São Paulo para a data. “Sem o auxílio emergencial, o desempenho do Natal seria negativo entre 2%e 3%, com a absoluta certeza.”

Fonte: O Estado de S.Paulo