Cosan enxerga demanda por combustíveis nos níveis pré-pandemia

17/11/2020

De acordo com o gerente-executivo de relações com investidores da Cosan, Phillipe Casale, a demanda brasileira de combustíveis confirmou no terceiro trimestre a recuperação que se desenhava em junho, na esteira da flexibilização das medidas de isolamento social, e o retorno já voltou aos níveis vistos antes da pandemia de covid-19. “Vimos uma nítida melhora no ambiente de negócios, apesar do cenário de volatilidade, mas sem oscilação brusca de preços e com a demanda perto da normalidade”, afirmou, em teleconferência com analistas nesta segunda-feira.

No intervalo, o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado da Raízen Combustíveis totalizou R$ 906,8 milhões, 37,1% acima do visto em igual trimestre de 2019. No segundo trimestre, o resultado operacional havia sido negativo em R$ 213,3 milhões. A melhora reflete a recuperação dos negócios no Brasil e o forte avanço dos resultados da Raízen na Argentina.

De julho a setembro, a forte demanda de diesel se destacou no Brasil, puxada pelo agronegócio e pela retomada da produção industrial. No ciclo Otto (gasolina e etanol), as vendas seguiram afetadas pelo menor consumo na esteira da pandemia e o segmento de aviação confirmou que a recuperação será “de fato, mais lenta”, conforme o executivo.

No país, o Ebitda da Raízen Combustíveis ficou em R$ 611,1 milhões, queda de 4,5% na comparação anual, pressionado pelas vendas menores no ciclo Otto, no segmento de aviação e custos relacionados ao RenovaBio, com impacto de R$ 25 milhões no terceiro trimestre. Ainda assim, a margem Ebitda por metro cúbico passou de R$ 91 a um ano para R$ 95,30.

Frente ao segundo trimestre, houve recuperação do resultado operacional na esteira da expansão do volume vendido, maior eficiência operacional e ganhos com a estratégia de suprimento.

Conforme Casale, o Grupo Nós, joint venture com a Femsa na área de varejo de conveniência e proximidade, vai inaugurar ainda neste ano as primeiras lojas próprias com a bandeira Oxxo e tem dado continuidade à abertura de lojas Shell Select, sobretudo no modelo de franquias. O primeiro centro de distribuição também será inaugurado neste ano e até o fim do ano-safra, serão 1,1 mil unidades.

Na Argentina, acrescentou o executivo, a Raízen registrou forte recuperação da demanda, com melhora no resultado operacional apoiada ainda na queda do custo unitário e no aumento gradual dos preços de combustíveis no país vizinho. “O quarto trimestre deve ter demanda parecida [de combustíveis no país] com o terceiro trimestre”, acrescentou Casale.

Depois de meses bastante difíceis no segundo trimestre, os números do terceiro trimestre mostram “boa tendência de recuperação da economia” e os resultados da Cosan confirmam a robustez de seu portfólio de negócios, segundo Casale. Conforme o executivo, o intervalo foi marcado pela aceleração da demanda em combustíveis, lubrificantes e gás natural.

“A pandemia segue afetando as empresas e a vida das pessoas, portanto seguimos atentos”, afirmou. O resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado da Cosan no terceiro trimestre totalizou R$ 1,7 bilhão, com alta de 6% na comparação anual e três vezes acima do resultado operacional no segundo trimestre, que concentrou os efeitos negativos da pandemia.

No acumulado dos nove meses do ano, o Ebitda ajustado de cerca de R$ 4 bilhões ficou 6,2% abaixo o visto no mesmo intervalo de 2019 e “boa parte” da variação negativa reflete os resultados dos negócios que foram mais afetados pela pandemia, que “já apontam para níveis mais normais no segundo semestre”. “Essa tendência deve se manter no quarto trimestre”, comentou.

Fonte: Valor Econômico