Vitória de Biden pode acelerar a transição global para energia limpa, diz Fatih Birol

09/11/2020

A eleição de Joe Biden e Kamala Harris como presidente e vice-presidente dos EUA pode acelerar a transição global para energia limpa. A avaliação é do diretor-geral da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), Fatih Birol, que disse estar ansioso para apoiar presidente e a vice-presidente eleita a atingir novas metas de energia e clima na maior economia do mundo.

Birol vem reforçando a necessidade de ações urgentes dos países em direção à transição energética para que as metas do Acordo de Paris sejam alcançáveis. Defende que a resposta dos governos e da indústria frente ao aquecimento global está longe de ser satisfatória e que são necessárias “mudanças rápidas e generalizadas nos sistemas globais de energia”, algo que seria sensivelmente mais difícil caso Donald Trump fosse reeleito.

Na contramão das recomendações da IEA, Trump promoveu a desregulamentação no setor de óleo e gás, realizou leilões recordes de área de exploração, promoveu a expansão da indústria do carvão e não avançou na transição da indústria automobilística. Trump também retirou os Estados Unidos do Acordo de Paris.

Na disputa eleitoral, medidas para a redução de emissões e combate ao aquecimento global ganharam espaço na candidatura democrata, sobretudo depois que a Califórnia e o vizinho Colorado enfrentaram incêndios florestais de proporções recordes no verão norte-americano.

Promessas da nova gestão

Entre as primeiras promessas de Biden para combater as mudanças climáticas estão o retorno rápido dos Estados Unidos ao Acordo de Paris, o aumento das restrições à indústria de óleo e gás e o reposicionamento do governo quanto à indústria automobilística visando a neutralização de emissões dos veículos.

Já a vice-presidente eleita é ainda mais enérgica no combate à emergência climática. A senadora pelo estado da Califórnia chegou a apoiar a proposta dos socialistas para o corte radical de emissões, o chamado Green New Deal, encabeçado pela deputada democrata Alexandria Ocasio-Cortez (Nova Iorque). O plano previa investimentos de US$ 10 trilhões em 10 anos para a agenda climática.

O conjunto de propostas de Biden é menos abrangente e considerado mais próxima da iniciativa liderada pela presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi (Califórnia), e a deputada democrata Kathy Castor (Flórida). Chamada de “Solving the Climate Crisis”, a proposta prevê  zerar as emissões líquidas de gases do efeito estufa (GEEs) do país até 2050.

O plano foi apresentado no Congresso em julho mas não tinha chance de ser aprovado durante o governo Trump.

Fonte: epbr