Petrobras tem prejuízo de R$ 1,5 bilhão no terceiro trimestre

29/10/2020

A Petrobras registrou prejuízo de R$ 1,546 bilhão no terceiro trimestre, contra lucro de R$ 9,087 bilhões no mesmo período do ano anterior. É o terceiro resultado negativo em 2020, ano em que a empresa acumula perdas de R$ 52,782 bilhões.

Segundo a estatal, o desempenho do terceiro trimestre foi provocado por itens não recorrentes, como a adesão a programas de anistia tributária e o pagamento de prêmios para a recompra de títulos de dívida. Sem isso, diz, teria registrado lucro de R$ 3,169 bilhões.

“Apesar das restrições impostas pela pandemia e pelo ambiente incerto, nosso desempenho operacional e financeiro melhorou significativamente”, disse o presidente da estatal, Roberto Castello Branco, ressaltando aumento da produção de petróleo e gás e do fator de utilização das refinarias e a “forte geração de caixa”.

A Petrobras diz que o terceiro trimestre foi marcado pela recuperação da demanda de combustíveis no Brasil, com alta de 18% em relação ao trimestre anterior. Além disso, a empresa manteve patamar elevado de exportações de petróleo e combustíveis.

A produção de petróleo e gás da estatal aumentou 5,4% no trimestre, impulsionada pelo crescimento das atividades no pré-sal. Em 2020, a alta acumulada é de 9%, o que levou a direção a rever para cima sua meta para o fim do ano.

Com maior produção e alta de 48% nos preços do petróleo, a receita da Petrobras subiu 39%. para R$ 70,730 bilhões. O Ebitda (lucro antes de impostos, taxas e depreciações, que indica a geração de caixa), subiu 33,8%, para R$ 33,440 bilhões.

O lucro da área de Exploração e Produção cresceu 22,7% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, para R$ 14,499 bilhões. Já a área de Refino, responsável pela venda de combustíveis, teve lucro 351,9% maior: R$ 2,166 bilhões.

No balanço divulgado nesta quarta (28), Castello Branco destaca que a geração de caixa em 2020 permitiu a redução da dívida bruta de US$ 87,1 bilhões, ao fim de 2019, para US$ 79,6 bilhões. “Este valor está abaixo da nossa meta anterior de manutenção do mesmo nível de dívida do último ano, dado o cenário hostil”, escreveu.

No trimestre, a empresa liquidou R$ 71,7 bilhões em empréstimos e dívidas financeiras, em operações como a recompra de R$ 21,6 bilhões em bônus globais e o pré-pagamento total das linhas de crédito de R$ 40,7 bilhões tomadas para enfrentar a pandemia.

Em reais o valor da dívida bruta da Petrobras subiu no mesmo período, de R$ 255,7 para R$ 324,7 bilhões, impactada pela desvalorização cambial. A empresa, no entanto, adota o indicador em dólar para estipular suas metas de endividamento e de dividendos.

A queda da dívida bruta em dólares passou a ser um gatilho para o pagamento de dividendos aos acionistas mesmo em anos de prejuízo, segundo revisão da política de remuneração aos acionistas anunciada também nesta quarta.

A empresa poderá remunerar os acionistas se o endividamento tiver apresentado redução no período de 12 meses anteriores, o que deve ocorrer ao fim de 2020. Mas a decisão só será tomada, diz a companhia, “caso a administração entenda que será preservada a sustentabilidade financeira”.

Com a dívida bruta abaixo dos US$ 60 bilhões (cerca de R$ 340 bilhões, na cotação atual), a estatal pode propor ainda o pagamento de dividendos adicionais, mesmo sem lucro contábil no período.

É a segunda revisão da política de dividendos sob a gestão Castello Branco, nomeado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para presidir a companhia no início de 2019. Na primeira, foi criada uma regra para o pagamento de dividendos extraordinários.

Sob seu comando, a companhia acelerou o processo de venda de ativos, sob o argumento de que precisa focar em projetos com maior rentabilidade para reduzir a dívida e melhorar o retorno aos investidores — entre eles, alega Castello Branco, o goveron brasileiro.

A empresa admite, porém, que a conclusão operações de desinvestimento foi afetada pela pandemia. Nos nove primeiros meses de 2020, diz, apenas US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,7 bilhões, ao câmbio atual) entraram em caixa.

“No entanto, o programa permanece vivo e muito ativo”, afirmou o presidente da companhia no texto que acompanha o balanço. “Há 10 operações assinadas a serem fechadas, 32 projetos em fase vinculante e 7 ativos na fase inicial do processo de desinvestimentos”.

Entre os ativos em desinvestimentos, estão oito refinarias, campos de petróleo, térmicas, unidades de biocombustíveis e de fertilizantes e operações no exterior. No início do outubro, o programa de venda de ativos da estatal ganhou aval do STF (Supremo Tribunal Federal), que autorizou o desmembramento de operações em novas subsidiárias para a venda.

A estratégia da Petrobras também vem reduzindo investimentos: nos primeiros nove meses de 2020, foram US$ 1,6 bilhões (cerca de R$ 9 bilhões), 20,6% a menos do que no mesmo período de 2019. A companhia já anunciou corte na projeção para os próximos anos, para adequar o portfólio de projetos aos novos preços do petróleo.

Castello Branco diz que apenas os projetos viáveis com petróleo a US$ 35 (cerca de R$ 200) por barril serão desenvolvidos. “Nosso objetivo é maximizar valor, não maximizar produção”, afirmou.

Fonte: Folha de S.Paulo