EDP e Unidas se unem em parceria para carro elétrico

20/10/2020

Com a ambição de impulsionar a indústria de veículos elétricos no país, a EDP Brasil e a Unidas se uniram para viabilizar uma parceria inédita no mercado. Pelo acordo, a locadora entrará com a compra da frota e disponibilização para locação, enquanto a companhia elétrica proverá a infraestrutura para carregamento e, se preciso, até mesmo um fornecimento dedicado de energia a partir de mini usinas solares.

Na primeira fase do projeto, iniciado neste mês, 100 carros 100% elétricos estão disponíveis para aluguel nos segmentos corporativo e pessoa física, nas cidades de São Paulo, Brasília e Curitiba. Para 2021, a expectativa é que a frota da parceria chegue a 600 carros.

Projeto começa com 100 carros para aluguel corporativo e pessoa física; frota pode chegar a 600 em 2021

Já do lado da infraestrutura, os carregadores serão instalados pela EDP conforme a necessidade dos clientes. Para pessoa física, uma alternativa é disponibilizá-los nas próprias lojas da Unidas. No caso de frotas corporativas, que exigem infraestruturas maiores, a companhia pode até instalar uma pequena usina solar (no local ou remota) para atender a carga necessária.

Com a combinação de forças, as companhias pretendem “protagonizar” uma nova frente no setor, atacando questões normalmente apontadas como gargalos para o desenvolvimento mais rápido do mercado. A primeira delas é a infraestrutura. Hoje, algumas locadoras menores já oferecem veículos elétricos, mas sem o respaldo de uma empresa do setor elétrico para dar escala no suporte aos clientes.

“A grande ansiedade de quem tem um carro elétrico é onde carregá-lo. Imagina se o carro para no meio da rua e você não tem onde recarregar. A construção dessa infraestrutura é absolutamente essencial”, afirma Carlos Andrade, vice-presidente de Estratégia e Novos Negócios da EDP Brasil.

Segundo o executivo, essa é a primeira parceria comercial da EDP nesse segmento no Brasil. Até então, a companhia vinha investindo em projetos de P&D, sendo o principal deles a implementação de uma rede de recarga ultrarrápida de veículos elétricos. Com investimentos de R$ 32,9 milhões, o projeto prevê a instalação de 30 pontos no Estado de São Paulo até 2022. A rede montada formará um corredor com um total de 64 pontos de carregamento e 2,5 mil km, interligando a capital paulista a Vitória, Curitiba e Florianópolis.

A parceria também traz uma solução para acelerar o aumento da frota eletrificada no país. “O principal ‘gap’ do mercado é a oferta. Hoje são poucos carros disponíveis, as montadoras se restringem a importar um volume muito pequeno porque não possuem essa conexão com a demanda mais ampla do mercado consumidor, ficam na mão de venda no varejo”, afirma Breno Davis, “head” de Terceirização de Frotas da Unidas. “Se a aquisição do ativo ainda é um desafio, nos posicionamos como quem resolverá essa parte”.

A Unidas avalia que o aluguel deverá ser puxado pelo mundo corporativo, principalmente por empresas com metas de redução da pegada de carbono. Segundo Davis, a opção pode valer a pena para quem tem frota com perfil de alta rodagem. “Para uma empresa que usa veículos para entrega, como e-commerce e ‘last mile’, a conta de combustível é muito representativa. A substituição para um motor elétrico traz redução de consumo suficiente para pagar um investimento maior, fica equiparável.”

As companhias não informam os investimentos feitos na parceria. Por parte da EDP, a empresa diz que atua nesse segmento em vários outros países e faz compras globais de carregadores elétricos, o que lhe garante custos competitivos para trazê-los ao país. Já a Unidas afirma que, para 2021, estão previstos investimentos de cerca de R$ 120 milhões em veículos eletrificados. A empresa já trabalha com um leque diversificado de modelos, mas quer ampliar o catálogo no próximo ano.

Apesar da pandemia, o mercado de veículos eletrificados vem crescendo no país neste ano. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico, com base em dados da Anfavea, foram emplacados 13.292 veículos elétricos (puros e híbridos) até setembro, já superando o total de 2019 (11.585).

Fonte: Valor Econômico