Venda de etanol das usinas caiu 13% em agosto

11/09/2020

O volume de etanol comercializado pelas unidades produtoras do Centro-Sul atingiu 2,69 bilhões de litros em agosto, com queda de 13,3% na comparação com igual mês de 2019. Do volume total, 306,34 milhões de litros foram direcionados ao mercado externo e 2,38 bilhões comercializados domesticamente, informou ontem a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

As vendas de hidratado no mercado interno continuam mais fracas. Somaram 1,60 bilhão de litros em agosto, queda de 20,54% na comparação com os volumes observados no mesmo mês do ano passado. As vendas de anidro, por sua vez, atingiram 794,85 milhões de litros, uma redução de 2,6%.

Os envios de etanol para o mercado externo, por outro lado, atingiram 306,34 milhões de litros em agosto – aumento de 6,28% em relação ao mesmo mês de 2019. Do início desta safra 2020/21, em abril, até 1º de setembro, o volume de embarques totalizou 1,10 bilhão de litros, crescimento de 25,17%.

No acumulado da safra 2020/21 até 1º de setembro, as vendas de etanol pelas unidades produtoras do Centro-Sul somaram 11,74 bilhões de litros, com retração de 17,85% na comparação com mesmo período do ciclo 2019/20. Desse total, 10,64 bilhões de litros foram destinados ao mercado interno – uma queda de 20,64%.

Também segundo a Unica, a quantidade de cana-de-açúcar processada pelas usinas do Centro-Sul somou 42,11 milhões de toneladas na segunda quinzena de agosto, 12,21% menos que 47,97 milhões registradas no mesmo intervalo de 2019. No acumulado da safra 2020/21, a moagem alcançou 415,09 milhões de toneladas, um aumento de 3,83% sobre as 399,79 milhões processadas em igual período do ciclo 2019/20.

Para o diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues, “a redução no ritmo de moagem nos últimos 15 dias de agosto decorre das chuvas que impactaram a operacionalização da colheita em algumas regiões canavieiras do Centro-Sul”.

As maiores reduções de moagem foram observadas no Estado do Paraná e em Mato Grosso do Sul. Em São Paulo, as regiões de Assis e Piracicaba foram as mais prejudicadas.

Na segunda metade de agosto, a produção de açúcar atingiu 2,93 milhões de toneladas, montante 16,34% superior ao produzido no mesmo período do ano anterior. De abril até 1º de setembro, a fabricação do adoçante totalizou 25,89 milhões de toneladas, alta de 43,76%.

Do aumento total de 7,88 milhões de toneladas na produção de açúcar observado até o momento, cerca de 6,04 milhões derivam da mudança do mix de produção e as outras 1,84 milhão resultam do avanço da moagem e da melhor qualidade da matéria-prima, conforme a Unica.

A produção de etanol alcançou 2,16 bilhões de litros na segunda quinzena de agosto, contra 2,73 bilhões em igual período de 2019/20. No acumulado da safra já forma 18,97 bilhões de litros, 7,1% menos.

RenovaBio: metas

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) publicou no Diário Oficial da União as novas metas de descarbonização dos transportes do programa federal RenovaBio para entre 2020 a 2030. São as mesmas submetidas à consulta pública pelo Ministério de Minas e Energia e não sofreram alterações, apesar de críticas de produtores e distribuidoras de combustíveis. Dessa forma, para este ano as distribuidoras terão que comprar 14,53 milhões de Créditos de Descarbonização (CBios). Cada CBio equivale a uma tonelada de carbono de emissão evitada com a substituição de combustíveis fósseis por biocombustíveis. A meta anterior para 2020 previa que as distribuidoras reduziriam a pegada de carbono dos combustíveis em 29,06 milhões de toneladas, mas o governo decidiu reduzir as metas por causa da queda do consumo provocada pela pandemia. Cada distribuidora terá sua meta individual reduzida de forma proporcional ao corte da meta nacional deste ano.

(Camila Souza Ramos)

Fonte: Valor Econômico