Artigo: Reflexões sobre a representatividade dos revendedores de marca própria e independentes

18/08/2020

Hoje, 18 de agosto de 2020, li no blog do Clubpetro um artigo escrito pelo meu amigo revendedor Ricardo Pires sobre a representatividade dos postos independentes. Apesar de admirar o trabalho do Ricardo na Revenda e na construção da empresa, sou forçado a discordar frontalmente do que ali foi escrito.

O Minaspetro, assim como a Fecombustíveis e todos os seus 34 sindicatos afiliados representam toda a Revenda brasileira, independente seja ela marca própria, como bem colocado, ou bandeirada Ipiranga, Shell, BR etc.

Sou revendedor de combustíveis há mais de 25 anos e hoje possuo postos de Marca Própria (no caso com o nome da minha rede na testeira), e possuo também postos bandeirados. Posso dizer que sofro as amarguras e os benefícios de cada uma das situações.

Refleti bastante sobre o que o Ricardo Pires escreveu e arrisco dizer que, hoje um dos revendedores que mais precisa de ajuda é o pequeno posto embandeirado, aquele que está amarrado em um longo contrato e muitas vezes sem competitividade para competir com o revendedor de marca própria que goza de bons preços.

Mas isso não quer dizer que não representamos os postos marca própria. Pelo contrário, representamos sim e muito bem! Algumas ações, conforme listo abaixo, foram lideradas pelo Minaspetro e apoiadas pela Fecombustíveis e demais sindicatos de todo o Brasil, contribuindo para fortalecer esse segmento do nosso mercado revendedor.

– Em um passado recente foi o Minaspetro que liderou a interposição de recurso contra a compra da Ale pela Ipiranga (Grupo Ultra). Demonstramos na nossa argumentação a importância da Ale para o mercado spot, para os postos de marca própria e para a competitividade do mercado. Nossa ação culminou com a não aprovação da venda;

– Em 2014, logo que assumi o Minaspetro, lutamos pela obrigatoriedade da manutenção da amostra testemunha e fizemos uma grande análise de qualidade comprovando que não havia diferença de qualidade entre os postos bandeirados e os postos de marca própria, e nem mesmo diferença entre o transporte CIF e FOB;

– O Minaspetro, em 2016, inovou com uma negociação espetacular com a adquirente Stone com taxas para TODOS OS ASSOCIADOS (independente da marca) muito melhores que as taxas oferecidas pelas distribuidoras;

– No ano passado, fechamos parceria histórica com a CEMIG SIM para geração de energia solar, propiciando 25% de redução nas contas de luz para TODOS OS ASSOCIADOS (independente da marca) sem a necessidade de qualquer investimento;

– Lideramos, em 2018, as tratativas com o Ministério do Trabalho sobre as absurdas exigências imputadas para todos os revendedores (independente da marca). Foram mais de 20 reuniões ao longo do ano, que culminaram na diminuição das exigências iniciais do órgão junto à Revenda;

– Também em2018, nossa parceira com a Fundação Dom Cabral criou um curso inédito no Brasil para o desenvolvimento dos revendedores associados (independente da marca), ajudando, inclusive, muitos revendedores a melhorarem a rentabilidade e operação dos seus negócios; em 2019, inovamos ao levar os revendedores para o Vale do Silício, nos EUA, para repensarem seus negócios e se reinventarem;

– Ainda em 2019, lutamos com a COPASA e fizemos um grande estudo com mais de 4.000 análises para diminuirmos a quantidade de parâmetros nas análises de água que somos obrigados a fazer mensalmente e que são tão onerosas para todos os revendedores (independente da marca);

– Sobre a questão da percepção dos clientes sobre a qualidade dos combustíveis, infelizmente diariamente assistimos a mídia condenando a qualidade da gasolina e os donos de postos. Somos tratados como bandidos, precisamos mudar nossa imagem! E isso não ocorre só nos postos de Marca Própria não, mas em toda a revenda.

Vivemos diariamente visitando todos os postos de combustíveis do Estado de Minas Gerais, independente de suas marcas, fazendo checklist, evitando erros que possam gerar autuações. O departamento jurídico do Minaspetro é o maior do Brasil e atende a centena de chamadas mensalmente, de todos os revendedores associados (independente da marca).

O próprio Ricardo Pires, neste mesmo blog, há algum temo atrás, chamou o Minaspetro e a Fecombustíveis de dinossauros, por estarmos “contra a modernidade” dos aplicativos das distribuidoras. No mês de julho, a capa da revista do Minaspetro estampou uma matéria extremamente polêmica, criticando estes aplicativos que cobram taxas absurdas da revenda brasileira e o pior, criam campanhas agressivas que, muitas vezes, confundem o revendedor e certamente prejudicam os postos Marca Própria.

Sobre a venda direta de etanol, o Minaspetro já se posicionou contra, por entender que poderá haver muita sonegação fiscal e que prejudicará todos os revendedores honestos se a questão não for solucionada antes da liberação.

Comentando ainda sobre alguns tópicos do artigo, acho curioso o Sr. Wladimir, da Suporte Postos, falar sobre postos Marca Própria, quando o próprio dirigiu a Texaco em Minas Gerais durante muitos anos e sempre execrou estes revendedores independentes.

Para não ficar apenas no campo das ideias, aproveito a oportunidade para anunciar que estamos atendendo a demanda dos revendedores e, a partir de hoje, iniciamos a criação de uma diretoria para postos Marca Própria! Convidamos os revendedores de todo o Estado que apoiam a causa dos postos independentes para participar do fortalecimento desta representatividade.

Em breve, o Minaspetro fará uma live para debater o assunto e apresentar novas ações em prol dos postos independentes.

Gostaria de terminar este meu desabafo dizendo que o Minaspetro é a casa do revendedor, de todo o revendedor, não importa qual marca esteja ostentando, aqui é a sua casa!

Contem sempre conosco!

Forte abraço,

Cadu

Por Carlos Guimarães, revendedor e presidente do Minaspetro