Ultrapar prevê reaquecimento contínuo da atividade econômica no 2º semestre

14/08/2020

Para o grupo Ultra, o segundo semestre deverá ser marcado pelo reaquecimento contínuo da atividade econômica e consequente recuperação dos resultados da distribuidora de combustíveis Ipiranga, que foi a operação da holding mais afetada pela crise desencadeada pela pandemia covid-19.

“Ao nosso ver, as principais dificuldades ficaram para trás”, disse o presidente da Ultrapar, Frederico Curado, em teleconferência com a analistas.

O executivo comentou ainda que a agenda estratégica do Ultra permanece inalterada, com foco em busca de melhoria contínua em todos os negócios e disciplina de gestão de caixa. E, nos próximos anos, a expectativa é a de que o valor implícito do AbasteceAí, novo negócio do grupo, se materialize.

Curado ressaltou que, apesar da decisão de não pagar dividendos intermediários neste ano, que tradicionalmente ocorre na metade do ano, por causa das incertezas geradas pela pandemia, haverá distribuição de proventos relativos ao exercício em conformidade com a política da Ultrapar.

Desempenho melhor que o esperado

O executivo ressaltou que a habilidade de gestão de operações da companhia se mostrou eficiente e o grupo teve desempenho melhor do que o previsto, considerando o impacto da pandemia nos negócios da Ultrapar. “Conseguimos atravessar esses três meses até melhor do que esperávamos no início”, disse Curado, em teleconferência com analistas, para comentar os resultados do segundo trimestre, nesta quinta-feira (13).

Conforme o executivo, todas as empresas das Ultrapar foram consideradas essenciais e operaram sem nenhuma interrupção durante pandemia. Foram registrados pouco mais de 500 casos de infecção por covid-19 no grupo, o equivalente a cerca de 3% dos funcionários, e 450 doentes já se recuperaram e voltaram a trabalhar normalmente.

Segundo Curado, a companhia manteve o foco na saúde de seus colaboradores e na manutenção das operações, mas também foi pró-ativa no suporte aos clientes, com vistas a preservar a integridade de toda a cadeia na crise. Nessa frente, o grupo renegociou contratos e prestou apoio em capital de giro, sem comprometer sua saúde financeira.

“Conseguimos assegurar a continuidade das cadeias e mantivemos o nível de inadimplência controlado, sem crescimento no trimestre”, afirmou o presidente da holding.

Dentre as operações do Ultra, os impactos da crise da covid-19 se concentraram na distribuidora de combustíveis Ipiranga e vieram em duas frentes, uma de redução de demanda e outra de perda de estoque, na esteira da forte desvalorização do petróleo e da volatilidade de preços de combustíveis.

“Os demos negócios se mostraram muito resilientes. A própria Extrafarma, que teve 7% da rede fechada, se mostrou resistente”, comentou Curado. “Foi um trimestre difícil, que testou a agilidade da empresa em diversas vezes, com resultados que a nosso ver são bastante satisfatórios”.

Recuperação dos resultados da Ipiranga

Segundo o diretor financeiro e de relações com investidores da Ultrapar, André Pires, a distribuidora de combustíveis Ipiranga deve manter a tendência de recuperação gradual de volumes e resultados nos próximos meses. Ainda assim, os números devem ser inferiores aos vistos no ano passado, acrescentou Pires, na teleconferência com analistas.

A tendência, na visão do grupo, também é a de manutenção da volatilidade dos preços de combustíveis. “A recuperação já foi vista em junho e permanece no início do terceiro trimestre”, afirmou o executivo.

No segundo trimestre, os desdobramentos da pandemia e a guerra de preços no petróleo afetaram a relação entre oferta e demanda global, resultando em forte queda dos preços da gasolina e do diesel em abril, com recuperação em maio e junho. Os preços do etanol também se desvalorizaram em abril, com a demanda afetada pelas medidas de distanciamento social.

Privatização do refino

A privatização de 50% da capacidade de refino no Brasil, que está concentrada nas mãos da Petrobras, traz ganho para todos e as grandes distribuidoras de combustíveis tendem a se beneficiar porque têm escala e capacidade de garantir a compra de volumes elevados no longo prazo, na avaliação do presidente do grupo Ultra.

“Vemos um enorme benefício para todo mundo”, disse Curado. “Independentemente de sinergias, a Ipiranga e demais distribuidoras irão se beneficiar desse movimento.”

Mas ainda é cedo para discutir mais detalhadamente o processo de privatização em si e seus efeitos, porque ele tende a ser longo, observou o diretor financeiro e de relações com investidores do Ultra. “O processo de privatização vai obviamente mudar a relação entre produtor e consumidor de derivados, mas isso vai acontecer ao longo do tempo”, comentou Pires.

Ultragaz

Segundo a direção da holding, para a Ultragaz, distribuidora de GLP do grupo Ultra, a expectativa é de recuperação nos volumes de venda no segmento a granel e manutenção do desempenho positivo no envasado, que cresceu 8% no segundo trimestre. Diante disso, comentou Pires, a previsão é a de “continuidade de resultados sólidos e consistentes”.

Ultracargo

Na Ultracargo, de armazenamento de granéis líquidos, a tendência, apesar dos impactos da crise, é de estabilidade no uso da tancagem disponível e recuperação gradual da movimentação ao longo do segundo semestre. “O foco permanece em expansões de capacidade e aumento também nos portos nos quais a Ultracargo já atua”, afirmou.

Oxiteno

Para a Oxiteno, de especialidades químicas, a perspectiva é de manutenção do volume de venda nos segmentos que tiveram desempenho positivo no auge da crise, como agronegócio e higiene e limpeza, e recuperação gradual naqueles que foram mais afetados, sobretudo o de tintas.

“O câmbio mais ‘ramp up’ da fábrica de Pasadena trazem a perspectiva de crescimento do Ebitda [resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização] em relação ao ano passado”, disse Pires.

Extrafarma

Por fim, na rede de varejo farmacêutico Extrafarma, todas as lojas estão operando normalmente e as vendas de medicamento permanecem fortes, apesar do menor fluxo de clientes, o que desenha uma tendência de melhora dos resultados recorrentes na comparação com o ano passado.

Fonte: Valor Econômico