Nova gasolina terá custo maior, mas consumo deve ser menor

04/08/2020

A partir de agora, toda gasolina produzida ou importada pelo Brasil terá que seguir um novo padrão, que vai aumentar a qualidade do combustível e deixar o carro cerca de 5% mais econômico, segundo estimativas da Petrobras. Com as novas especificações de destilação, densidade e octanagem, o preço final deve subir.

“A Petrobras informou que deve ter uma pequena alteração no preço, em torno de 2% a 3%, então a gente acredita que o custo vai ficar equivalente à economia que o consumidor vai ter com esse novo combustível”, afirma o presidente do sindicato dos postos (Minaspetro), Carlos Guimarães.

Se as estimativas da Petrobras se confirmarem, um carro popular que faz 14 km por litro passaria a fazer 14,7 km por litro. Considerando-se o atual preço médio da gasolina em Belo Horizonte, R$ 4,22, um aumento de 3% elevaria o custo para R$ 4,34. Cruzando os dados, o motorista, que hoje gasta R$ 0,30 para rodar cada quilômetro, passaria a gastar R$ 0,29, ou seja, praticamente o mesmo valor.

Se a expectativa para os gastos é de manutenção, para a qualidade do combustível e desempenho do motor, os novos parâmetros prometem um avanço no desempenho. O primeiro ponto a ser mudado é a definição de um valor mínimo para a Massa Específica (ME), que passa a ser de 715 kg/m³.

“Quanto maior é a massa, maior é a densidade energética e, com o mesmo volume de combustível injetado no motor, mais energia será gerada na queima. Espera-se que isso proporcione maior rendimento, diminuindo o consumo e aumentando a autonomia do veículo”, explica a especialista em regulação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) Ednéia Caliman.

Outras mudanças importantes, que prometem aumentar a eficiência energética, são as mudanças no padrão de octanagem, que mede a resistência da gasolina, e no ajuste da destilação, que passa ter um valor mínimo para a temperatura em 50% (T50), de 77°C, o que controla a volatilidade do combustível. “Uma gasolina com um bom perfil de destilação garante um bom funcionamento do motor, em quesitos como partida a frio, aquecimento, dirigibilidade”, diz Ednéia.

Outro importante avanço ocorre na avaliação da octanagem para o padrão Research Octane Number (RON), já presente nas especificações da gasolina de outros países e que facilita a implantação de novas tecnologias de motores. “A exigência de um valor mínimo visa garantir o bom funcionamento do motor, inibindo falhas de detonação”, diz Ednéia. Essas mudanças já são obrigatórias para toda gasolina produzida nas refinarias desde o dia 3 de agosto. Entretanto, devido à necessidade de adaptação e de ajustes de estoques, as distribuidoras ainda terão 60 dias. Os postos já podem vender a nova gasolina, mas ainda têm 90 dias para até essa medida se tornar obrigatória.

Mudança dificultará fraude em combustível

As novas especificações da gasolina vão dificultar fraudes no combustível. “Uma forma de se fraudar é através da mistura de solventes, que possuem a mesma densidade da gasolina comercializada hoje”, destaca o presidente do Minaspetro, Carlos Guimarães. “Com a nova gasolina terá uma densidade maior, vai ser impossível fraudá-la com solventes”, explica Guimarães.

Os benefícios vão além. O mentor em tecnologia e inovação em Energia a Combustão da Sociedade dos Engenheiros de Mobilidade (SAE Brasil), Everton Lopes, destaca que a nova gasolina trará vantagens consideráveis para o meio ambiente. “Ao usar o novo combustível, o consumidor reduz as emissões de gás de efeito estufa, o que é muito bom para o meio ambiente”, diz Lopes.

Fonte: O Tempo