Petrobras quer vender parcela que falta na BR Distribuidora, mas esbarra nas condições do mercado

02/07/2020

O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, afirmou hoje, em Live do Valor, que a intenção da companhia é vender a parcela remanescente que possui no capital da BR Distribuidora. Segundo ele, a venda ainda não foi executada devido às condições de mercado.

“A bolsa brasileira foi uma das que mais caíram, o que não trouxe ambiente amigável para follow on”, disse, afirmando que a companhia tem que ser “paciente” e aguardar o “momento certo” para a venda das ações.

Castello Branco reiterou que a Petrobras também pretende vender a participação que possui na Braskem. De acordo com o executivo, a companhia conversa com a Odebrecht sobre o acordo de acionistas, de forma a permitir a venda das ações com direito a voto.

O presidente da Petrobras ressaltou que a venda da fatia na Odebrecht não deve acontecer “nos próximos meses”, mas frisou que a petroleira trabalha “ativamente” para acelerar esse processo.

Venda TBG

Castello Branco afirmou ainda que há um “problema” que atrapalha o processo de venda dos 51% de participação da petroleira na TBG. Segundo ele, há uma divergência quanto à tarifa de transporte no gasoduto.

“Queremos tarifa bem mais baixa. Isso se traduziria em preço mais baixo para o consumidor”, disse Castello Branco, afirmando que a indefinição dessa situação traz incertezas para possíveis compradores da fatia da estatal na TBG.

O executivo ressaltou que uma decisão sobre essa questão tiraria uma “nuvem” sobre a venda da TBG, tornando mais “célere” a venda dos 51% da Petrobras na empresa.

Castello Branco também disse que os acordos de desinvestimentos feitos com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) estão sendo atendidos e que a venda da Gaspetro segue normalmente. Ainda sobre os desinvestimentos, Castello Branco afirmou que a estratégia da empresa é vender ativos onde a Petrobras não é a dona natural, o que inclui campos maduros e em águas rasas.

“A ideia é sair de todos os campos terrestres e de águas rasas, ficando com águas profundas e ultraprofundas. Nisso, Petrobras é imbatível”, disse.

(Esta reportagem foi publicada originalmente no Valor PRO, serviço de informações e notícias em tempo real do Valor Econômico)

Fonte: Valor Investe