Fiat mantém plano para carro elétrico no país

01/07/2020

Apesar das dificuldades impostas pela pandemia, as montadoras não abandonaram a rota de investimentos em veículos “eco-friendly”, segundo o presidente da Fiat Chrysler na América Latina, Antonio Filosa. “Investimentos em eletrificação e em carros híbridos são de longo prazo, temos várias possibilidades. Nada será substancialmente revisto”, afirmou o executivo, que participou da Live do Valor ontem.

O primeiro carro totalmente elétrico que a companhia pretende trazer à América Latina, o 500 elétrico, teve o cronograma de lançamento atrasado por causa da desaceleração dos processos nos últimos meses. De acordo com Filosa, a introdução do novo modelo no mercado latino-americano estava prevista para até o fim deste ano, mas agora deve acontecer na primeira metade de 2021.

Já a fusão entre Fiat Chrysler e o grupo francês PSA, que reúne as marcas Peugeot e Citroën, não sofreu atrasos por causa da pandemia, afirmou Filosa. O executivo reconhece que a situação trouxe maior nível de complexidade aos processos da operação, mas garantiu que o cronograma “continua firme”.

“[A fusão] Se materializará na primeira parte do ano que vem, assim como estava previsto no cronograma”, disse. A operação entre as companhias, avaliada em US$ 50 bilhões, criará a quarta maior montadora do mundo, caso seja concretizada.

Voltando ao mercado interno, Filosa disse que a evolução recente das vendas de veículos no Brasil deve confirmar a queda de 40% prevista pela Anfavea (associação das montadoras) para este ano.

Segundo o executivo, as vendas no Brasil recuaram 90% em abril e 74% em maio, enquanto na Argentina a retração foi mais intensa (100% e 80%, respectivamente). “Em junho, estão se confirmando os números que havíamos previsto, mais ou menos 50% de queda”, afirmou o executivo.

Diante desse cenário, Filosa observou que se tornou mais difícil sustentar a atual estrutura de custos da companhia. Ele ressaltou que demissões “são o último recurso” e que a Medida Provisória 936 permitiu a manutenção dos empregos até o fim do ano.

Entretanto, caso a demanda não dê sinais vigorosos de retomada para 2021, o executivo disse que a companhia terá de avaliar como ganhar competitividade na estrutura de custos. “Se o Brasil e a América Latina replicarem a curva de retomada das demais regiões, ficaríamos mais confiantes para 2021. Em caso contrário, os custos deverão ser enfrentados de uma forma um pouco mais forte, mas espero que não seja necessário.”

Filosa afirmou que o governo brasileiro tem mostrado abertura para dialogar com toda a cadeia automotiva sobre possíveis soluções para a saída da crise. “É difícil antecipar como essas conversas serão finalizadas, mas existe espaço para a criação das possíveis curas momentâneas”, disse.

Em relação a incentivos fiscais, o executivo observou que o setor automotivo ainda sofre com problemas estruturais de carga tributária e ineficiências logísticas. Como forma de amenizar pelo menos a ineficiência logística, ele lembrou que a companhia tem projeto de atração de fornecedores para se instalarem próximos à linha de montagem em Goiana (PE). Segundo ele, o plano está caminhando e há cerca de 40 empresas que devem aderir ao parque de fabricantes na região.

Fonte: Valor Econômico