BR vê boas oportunidades com abertura do refino

26/06/2020

A BR Distribuidora acompanha com interesse os desdobramentos da venda das refinarias da Petrobras, que recebeu ontem as ofertas vinculantes pela RLAM, na Bahia. O presidente da BR, Rafael Grisolia, disse que vê com otimismo a abertura do mercado de refino e que a companhia espera se valer de sua posição de maior distribuidora de combustíveis do país para conseguir melhores condições contratuais nos próximos anos. Enquanto isso, a empresa já vem buscando diversificar sua base de fornecedores, por meio da importação.

Desde que foi privatizada, em meados do ano passado, a BR vem fortalecendo a sua área de comercialização. No primeiro trimestre, 23% do volume de gasolina e diesel da empresa foi suprido por importadores.

Grisolia explicou que a BR possui contratos curtos (de um ano, na média) com a Petrobras, o que lhe permitirá aproveitar eventuais ganhos com a abertura do refino assim que os novos entrantes chegarem. O executivo explica que a estatal, enquanto agente dominante, trata todas as distribuidoras de forma igualitária na hora de assinar seus contratos e que a BR quer buscar o seu “espaço de direito” por melhores condições, sem travas nas negociações.

“[A venda das refinarias] vai trazer um dinamismo ao mercado e traz oportunidades. Hoje a Petrobras trata todos os distribuidores de forma igual, devido a aspectos concorrenciais, corretamente… O que imaginamos é que, quando houver a venda das refinarias, esses contratos terão que ser revistos. A BR é, em geral, sempre a maior cliente de qualquer refinaria. Sendo [a empresa] a principal cliente, que condições negociais podemos ter em relação ao nosso perfil de crédito e de volumes?”, destacou Grisolia, ao participar da “Live do Valor ” sobre os rumos da BR no mundo pós-covid-19.

Ele afirmou que as medidas de isolamento social impactaram profundamente o mercado, mas que as vendas dão sinais de recuperação. No caso do diesel, a demanda já voltou aos níveis pré-crise, dando um “sinal de otimismo” sobre a recuperação econômica. No mercado do Ciclo Otto (veículos que rodam com gasolina e/ou etanol), por sua vez, o consumo também melhorou, mas ainda se mantém 20% abaixo dos patamares anteriores à pandemia.

Segundo Grisolia, contudo, já há analistas que apostam na possibilidade de que os volumes do ciclo Otto tenham até um “ganho marginal”, frente aos patamares pré-crise, na medida em que as pessoas optem pelos veículos particulares, em detrimento do transporte coletivo, na tentativa de se prevenirem contra o vírus.

O executivo disse ainda que a administração da BR tem feito uma revisão do seu plano estratégico, frente à nova realidade do mercado pós-pandemia. Grisolia comentou que não se trata de “mudanças substanciais” nas atuais diretrizes da distribuidora, mas sim de incorporar ao planejamento alguns aprendizados trazidos pela pandemia. Ele cita que a crise atual mostrou ser possível reduzir o uso de escritórios, por meio do home-office – embora o trabalho remoto precise ser melhor estruturado – e reforçou a necessidade de se apostar em serviços delivey das lojas de conveniência. “A crise reforçou que temos que ter uma visão centrada no cliente”, disse.

Sobre a necessidade de redução de custos, Grisolia afirmou que o trabalho de reestruturação da BR pós-privatização tem ajudado a companhia a enfrentar o momento com mais tranquilidade. Ele citou que a empresa cortou o quadro pessoal de 5,4 mil trabalhadores (entre próprios e terceirizados) para cerca de 4 mil. Segundo ele, contudo, o enxugamento foi pontual e não há sinalização de novos cortes na mesma proporção. “[O corte já feito] dá segurança para olharmos para outras oportunidades de redução de despesas”, disse.

A BR é atualmente uma empresa de controle pulverizado. A Petrobras, principal acionista (37,5%), quer vender uma nova fatia de suas ações. Grisolia vê o movimento como natural. Questionado se a distribuidora teria a intenção de aproveitar o momento para emitir novas ações, o executivo negou. “Nossa estrutura de capital hoje é leve, temos uma baixa alavancagem e somos geradores de caixa.”

Fonte: Valor Econômico