Brasileiro adere a carteira digital, mostra pesquisa

17/06/2020

Há muito uma promessa, as carteiras digitais têm ganhando popularidade. Segundo levantamento da área de Inteligência de Mercado da Globo, quase dois terços dos usuários de smartphones no país (61%) diz usar uma dessas opções de pagamento. O Brasil tem cerca de 600 carteiras digitais disponíveis, incluindo nomes como Ame (da B2W), MercadoPago, PayPal e PicPay.

Um destaque do levantamento é a rápida adesão aos pagamentos por QR Code. As etiquetas, que começaram a ser usadas no país de forma mais consistente nos últimos dois anos, já foram usadas por mais de um terço (35%) das pessoas. Já os pagamentos por (usando tecnologia NFC, que chegaram ao país em 2008) já foram usados por menos de um quarto dos usuários de smartphones (23%). As duas modalidades são mais usadas por homens, jovens das classes A e B.

Na avaliação de Eduardo Schaeffer, diretor de negócios integrados da Globo, a massificação do NFC é restringida pela tecnologia, já que é preciso ter um aparelho compatível – normalmente os modelos mais caros dispõem dessa capacidade. Já o QR Code só precisa de uma câmera fotográfica para funcionar – apesar de também ter algumas restrições em termos de resolução e capacidade de processamento do aparelho.

Ele avalia que um dos grandes desafios para o avanço no uso das tecnologias é a necessidade de ensinar as pessoas a usarem essas opções. Quase um terço dos entrevistados, por exemplo (32%), diz saber o que é um pagamento por aproximação, mas afirma que nunca usou ou baixou aplicativos para fazê-lo. Entre os fatores para não usar essa opção estão a preferência pelo pagamento com cartão (32%), com dinheiro (28%) e a falta de confiança. “Como a pessoa nunca teve contato, ela nem entende o que [a tecnologia] faz”, diz.

Na avaliação de Gueitiro Genso, presidente do PicPAy, a pandemia terá um papel importante nessa disseminação. Segundo ele, nos últimos dois meses a curva de adoção acelerou. Em abril, foram 3 milhões de cadastros, contra uma média de 500 mil anteriormente. Ele destacou como impulsionador o uso para recebimento do Auxílio Emergencial do governo. De acordo com ele, a tendência é que o uso se mantenha por conta do efeito de rede e da comodidade. “Quem não queria testar testou e está usando. E quando o hábito empodera, o consumidor não volta atrás”, diz.

Na avaliação de Schaefer, o potencial de crescimento é muito grande e haverá espaço para diversos competidores na medida que eles forem se especializando em diferentes nichos. Em algum momento, no entanto, alguns devem ganhar mais relevância. “É um mercado para poucos nomes, quem consegue adesão mais rápida”, diz Eduardo Petribu, diretor comercial de financeiro e auto da Globo.

Fonte: Valor Econômico