Etanol evita emissão de 515 milhões de toneladas de CO2 desde o lançamento dos carros flex

10/06/2020

De acordo com levantamento da União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica), entre março de 2003 (data de lançamento da tecnologia flex) e maio de 2020, o consumo de etanol (anidro e hidratado) no Brasil evitou a emissão de mais de 515 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera. Volume é equivalente às emissões anuais somadas de Argentina, Venezuela, Chile, Colômbia, Uruguai e Paraguai.

Para chegar esse resultado, a área técnica da entidade se baseou em dados fornecidos pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), e realizou um cálculo por meio do RenovaCalc, calculadora usada para determinar a eficiência energética da cadeia produtiva do etanol e biodiesel, um dos atores que lastreiam a emissão de créditos de carbono (CBIO) do Renovabio.

Quando avaliado o ciclo de vida completo, o etanol proporciona uma redução de até 90% na emissão de  gases do efeito estufa (GEE) em relação à gasolina. O aumento da mistura do biocombustível na gasolina tem sido visto como um caminho para mitigar a emissão de GEE e atender as metas do Acordo de Paris.

“A vantagem da adoção de uma política de blend é que ela promove a redução instantânea da pegada de carbono de toda a frota, além de reduzir a poluição. O Brasil é um grande campo de testes e comprova a segurança da mistura, com toda a gasolina comercializada contendo 27% de etanol anidro e sendo utilizada em carros importados”, avalia Evandro Gussi, presidente da Unica.

O levantamento também chamou atenção para o impacto do etanol na saúde pública, em especial, evitando mortes pela covid-19. O texto cita um estudo de Harvard que concluiu que o aumento de apenas 1% na concentração de material particulado fino (MP 2.5) no ar resulta em um incremento de 8% das mortes pelo novo coronavírus.

Segundo projeções da Unica, o ano de 2020, antes da covid-19, representaria um marco no combate às mudanças climáticas, pois registraria o pico de emissões de GEE globais.

“Ao planejar a retomada após a pandemia, líderes dos setores público e privado devem manter em mente os desafios postos, como a transição energética de fontes de energia fósseis para renováveis, a redução das emissões de GEE globais e a sustentabilidade das cadeias produtivas, em termos sociais e ambientais”, avalia Gussi.

De acordo com ele, “o Brasil tem dado contribuições significativas, pois, apesar de ter uma matriz energética com 45% de fontes renováveis, tem políticas já estabelecidas para ampliar essa participação, como o RenovaBio”.

Fonte: EPBR