Venda de carros registra leve reação em maio

03/06/2020

Mesmo com as duas lojas de São Paulo fechadas desde 24 de março, o grupo Amazon, concessionária Volkswagen, conseguiu vender em maio 48 carros mais do que em abril. Não é muito. Mas representa um aumento de quase 150% na comparação com o mês anterior.

Consumidores que tiveram, no mês passado, a certeza de que seriam menos afetados pela crise do que inicialmente previam aproveitaram oportunidades ou descontos e cederam aos argumentos de vendedores que, na quarentena, têm feito do telefone, e-mail ou Whatsapp suas principais ferramentas de trabalho.

Em todo o país, o mercado de veículos novos teve uma leve reação em maio na comparação com abril. Foram licenciados 62,1 mil carros, comerciais leves, caminhões e ônibus. Isso representou aumento de 11,6% em relação ao mês anterior. Mas na comparação com um ano atrás, os volumes ficaram muito mais baixos, com queda de 74,6%.

Apesar de ó resultado estar bem abaixo do normal, o gerente da Amazon, Marcos Leite, comemorou o avanço. Antes da pandemia, o grupo chegava a vender em torno de 220 veículos por mês. Em abril, foram só 33, uma queda de 85%. Mas, em maio o total já subiu para 81, o que significa a diminuição de 63% em relação aos meses anteriores à crise.

Alguns consumidores aproveitaram promoções ou vantagens oferecidas nos financiamentos, como postergação de prazo, para antecipar a troca de carro, segundo Leite. Na concessionária paulistana, a maior demanda foi por veículos das faixas de preços mais altas, acima de R$ 100 mil. Em alguns casos, o cliente sequer saiu de casa. O carro foi entregue pelo concessionário. O gerente acredita que alguns esperam a reabertura da loja para fechar negócio.

O presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave), Alarico Assumpção Júnior, está ansioso para que as autoridades autorizem o funcionamento das revendas no Estado de São Paulo, que costuma absorver 26% das vendas de veículos novos no país. A Fenabrave passou os últimos dias na preparação de protocolos se compromentendo a seguir medidas de higiene e segurança.

Segundo Assumpção Júnior, a leve reação do mercado em maio deve-se, em parte, à reabertura do comércio em algumas regiões do país. O dirigente calcula que de abril para maio, o percentual de concessionárias com áreas de venda funcionando subiu de 30% para 56%. Além disso, unidades do Detran retomaram serviços de emplacamento, com hora marcada.

No acumulado de janeiro a maio, o licenciamento de 675,9 veículos representou uma queda de 37,69% em relação aos primeiros cinco meses de 2019. O presidente da Fenabrave diz que somente com o resultado de junho a entidade estará apta a fazer projeções para o ano.

Se de um lado, a pandemia afetou a venda de veículos, por outro, o movimento nas oficinas não está tão mal. Segundo Assumpção Júnior, a venda de serviços de consertos, manutenção e de peças de reposição nas oficinas das concessionárias, que permaneceram abertas em praticamente todo o país, desde o início da pandemia, equivalem, hoje, a cerca de 60% do que era antes da crise.

O dirigente aponta, sobretudo, a necessidade de manutenção de caminhões e de tratores num período em que a produção e distribuição de alimentos puxa grande parte da atividade no país.

Fonte: Valor Econômico