Com pandemia, PIB do Brasil encolhe 1,5% no primeiro trimestre

29/05/2020

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasildiminuiu 1,5% no primeiro trimestre deste ano, na comparação com o quarto trimestre de 2019, feitos os ajustes sazonais, de acordo com o resultado das Contas Nacionais divulgado há pouco pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O período foi marcado por medidas de isolamento social, impostas a partir da segunda quinzena de março, para conter o avanço da pandemia de covid-19, o que provocou forte impacto na atividade econômica no fim do trimestre.

A queda do PIB do primeiro trimestre deste ano interrompe a sequência de quatro trimestres de crescimentos seguidos e marca o menor resultado para o período desde o segundo trimestre de 2015 (-2,1%). Com isso, o PIB está em patamar semelhante ao que se encontrava no segundo trimestre de 2012.

O resultado ficou em linha com a mediana apurada pelo Valor Data junto a 48 consultorias e instituições financeiras, que apontava para queda de 1,5% no período, com ajuste sazonal. O intervalo das estimativas era de queda de 2,5% até redução de 0,8%.

No quarto trimestre do ano passado, o PIB cresceu 0,4% frente aos três meses imediatamente anteriores, com ajuste sazonal — dado revisado de alta de 0,5% anteriormente divulgada.

Na comparação ao primeiro trimestre de 2019, o PIB teve queda de 0,3%. Por essa base de comparação, a mediana das projeções de analistas ouvidos pelo Valor Data era de retração de 0,2%.

Oferta

Na abertura do resultado pelo lado da oferta, o PIB da indústria teve retração de 1,4% no primeiro trimestre, na comparação aos três meses anteriores (outubro a dezembro de 2019), ficando em linha com a mediana apurada pelo Valor Data.

No quarto trimestre de 2019, o setor ficou estável na comparação ao período imediatamente anterior, feito o ajuste sazonal — dado revisado de alta de 0,2%.

Na comparação ao primeiro trimestre de 2019, o PIB industrial caiu 0,1% neste início de ano — por essa base de comparação, a expectativa de analistas era de uma retração de 0,3%.

No PIB, o resultado da indústria engloba, além do setor de transformação e extrativo, a construção civil e a produção e distribuição de energia e gás.

O setor de serviços, componente de maior peso no PIB pela ótica da oferta, teve contração de 1,6% nos três primeiros meses do ano, frente ao quarto trimestre do ano passado. Pela mediana, analistas esperavam baixa de 1,3%.

No quarto trimestre do ano passado, o setor de serviços havia crescido 0,7% sobre os três meses anteriores — dado revisado de alta de 0,6%.

Na comparação ao primeiro trimestre do ano passado, o PIB do setor de serviços, que engloba comércio, intermediação financeira e serviços públicos, caiu 0,5% .

Já a agropecuária avançou 0,6% no primeiro trimestre, abaixo da mediana apurada pelo Valor Data, de alta de 1,5%. Ante o mesmo período do ano passado, o PIB agro cresceu 1,9%.

Demanda

Pela ótica da demanda, o consumo das famílias recuou 2% no primeiro trimestre, frente ao trimestre imediatamente anterior. A estimativa do Valor Data era de queda de 1,3%.

A demanda do governo cresceu em 0,2% de janeiro a março, diante de uma expectativa de alta de 0,3% pela mediana dos analistas.

Já a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), medida dos investimentos em máquinas, equipamentos, na construção e pesquisa, cresceu 3,1% de janeiro a março, ante o período de outubro a dezembro de 2019. A expectativa era de queda de 0,5%.

No quarto trimestre do ano passado, a FBCF havia recuado 2,7% frente ao terceiro trimestre, com ajuste sazonal — dado revisado de uma baixa de 3,3% anteriormente divulgada.

Em relação ao primeiro trimestre de 2019, os investimentos cresceram 4,3% neste início de ano. Analistas esperavam uma ligeira alta de 0,3% por essa base de comparação.

O IBGE também informou que a taxa de investimento foi de 15,8% no primeiro trimestre de 2020.

Setor externo

As exportações de bens e serviços recuaram 0,9% no primeiro trimestre deste ano, em relação ao trimestre imediatamente anterior. A mediana das projeções coletadas pelo Valor Dataapontava para queda de 1,2%.

Em relação ao primeiro trimestre de 2019, houve retração de 2,2% das exportações. Por essa base de comparação, a mediana das projeções era de queda de 2,8%

“As exportações foram bastante prejudicadas pela demanda internacional. Um dos países muito importantes para a gente que tem afetado nossas exportações é a Argentina. E a China também, que no primeiro trimestre foi o primeiro país a fechar as fronteiras. Então as nossas exportações foram bastante afetadas”, encerra Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.

Já as importações subiram 2,8% ante o quarto trimestre, abaixo mediana das projeções coletadas pelo Valor Data, que apontava alta de 4,2%.

Em relação ao primeiro trimestre do ano passado, houve expansão de 5,1% das compras de bens do exterior no primeiro trimestre deste ano.

Fonte: Valor Econômico