‘Prioridade é sustentar operações e empregos’

01/04/2020

A crise provocada pela pandemia do coronavírus levou a uma queda de até 63% nas vendas de gasolina da Ipiranga, uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país, em apenas uma semana. O presidente da companhia, Marcelo Araújo, disse que o momento é de “gestão de crise” para sustentar as operações.

Investimentos foram adiados, e a empresa concedeu prazo maior para o pagamento de obrigações dos 7.200 postos. Para ajudar os funcionários a se adaptarem ao modelo de a companhia contratou psicólogos.

A pandemia já afetou a venda de combustível?

Na semana passada, as vendas de gasolina e álcool caíram 63% em relaçãoàm édia esperada parau ma semana de março, coma redução da circulação dos automóveis. O diesel caiu menos, cerca de 33%. O impacto nas venda sé diferente, pois estamos nome iodas a frade soja e estamos começando a deca nade açúcar. P orisso, o diesel ac abatendo menos impacto. P orou trolado, houve queda muito grande de transporte urbano, que chegou a cair 70% em algumas cidades. É cedo ainda para saber se os números vão se estabilizar nesse patamar. Nessa primeira semana, houve ajuste de estoques. Essa crise vai ter impacto muito grande no nosso resultado. Vamos administrando semana a semana, mês a mês, até termos um horizonte mais claro. Estamos fazendo gestão de crise no momento.

Os postos estão pedindo ajuda financeira?

Temos 7.200 postos em todos os estados e 2.300 lojas de conveniência. Pegamos os principais compromissos que tinham conosco, como financiamento, locação e royalties, e parcelamos para depois de junho e julho. Foi uma primeira ajuda para dar fôlego a eles. Vamos ajudar na coordenação para que possam mais rapidamente usufruir das medidas que o governo anunciou, acessando o crédito financeiro.

As ações do governo até agora são suficientes?

Vai depender muito do tempo que durar a crise. Talvez para um primeiro momento as medidas foram boas. Mas, agora, a preocupação é operacionalizar essas medidas. É como viabilizar as questões trabalhistas entre pequenos e médios empresários e fazer chegar essas linhas até os postos. Tem uma corrida contra o tempo. Se chegar tarde demais, o empresário não consegue sustentar seus compromissos. Hoje todos os nossos postos estão operando.

A Petrobras vem anunciando reduções dos preços do combustível nas refinarias, mas essa queda não chega às bombas. O que está acontecendo?

A nossa percepção é que isso é natural. A cadeia é muito longa. O mesmo acontece quando o preço nas refinarias sobe, mas não há repasse imediato. O que houve foi uma aceleração muito grande na queda dos preços nas últimas duas semanas exatamente quando o volume caiu muito. A maioria dos postos ainda está com os estoques dos preços antigos. Mas já estamos vendo os preços caindo. E, naturalmente, se os preços internacionais se mantiverem baixos, isso vai chegar ao consumidor.

Já mudaram o cronograma de investimentos?

Postergamos investimentos e despesas que não eram essenciais. O negócio de combustíveis trabalha com margens muito apertadas e uma queda de 30% a 50% inviabiliza os negócios a médio prazo. Por isso, há a necessidade de adiar alguns projetos, como abrir novo posto ou iniciar obra de construção de terminal. Estamos adiando por pelo menos três meses novos investimentos. Nesse momento a prioridade é sustentar as operações existentes e os empregos. Não temos plano de alterar o quadro de pessoal.

Que mudanças fizeram por causa do home office?

Temos 2.750 funcionários. Colocamos 90% em home office em uma semana. Antes da crise, se você me perguntasse se seria possível fazer isso, eu diria que seria impossível. E fizemos isso sem ruptura na produtividade. Estamos alugando equipamentos e aumentando a capacidade de conexão. Funcionou perfeitamente. Fazemos pesquisas diárias com protocolo de check-in e

check-out para manter as pessoas ativas e engajadas. Uma coisa muito importante foi a contratação de apoio psicológico para os colaboradores que estão com dificuldade de se adaptar a esse novo momento. É um novo modo de trabalhar e é para enfrentar esses tempos.

Fonte: O Globo