FMI defende ‘contenção forte’ para permitir que economia se recupere

28/03/2020

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, traçou um cenário sombrio para a economia mundial, em decorrência da pandemia de coronavírus. Em videoconferência, ela defendeu fortes medidas de contenção a fim de controlar a propagação da doença e estabelecer as bases para uma forte recuperação em 2021. Ela afirmou ainda que acabar com o isolamento de forma prematura não fará com que a atividade econômica mundial se recupere:

— Não há como chegar a uma recuperação forte sem contenção forte.

CRISE PIOR QUE A DE 2009

O presidente Jair Bolsonaro, por exemplo, tem se mostrado contrário a um distanciamento mais restritivo entre as pessoas. Ele defende o isolamento vertical, apenas para idosos ou pessoas com doenças crônicas. Para a dirigente do FMI, a pandemia de coronavírus levou a economia mundial a uma recessão pior do que crise financeira internacional de 2009. Ela enfatizou que, em uma estimativa conservadora, serão necessários investimentos da ordem de US$ 2,5 trilhões para ajudar as nações emergentes neste momento a saírem dessa “parada repentina”.

— Sabemos que suas reservas e recursos internos não serão suficientes —afirmou. — Está claro que entramos em uma recessão. Segundo Kristalina, os mercados emergentes sofreram um êxodo de capital de mais de US$ 83 bilhões de dólares nas últimas semanas. Muitos deles já estavam fortemente endividados, e 80 países pediram ajuda de emergência ao FMI. Na última quinta-feira, o Fundo pediu aos líderes do

G-20 (bloco que reúne as 20 maiores economias do mundo) o respaldo para a duplicação da capacidade de financiamento de emergência do organismo multilateral de crédito, para que seja dada uma resposta mais forte à pandemia do coronavírus. Segundo o FMI, a doença causará uma recessão mundial em 2020.

Em um comunicado ao G-20, Kristalina afirmou que a profundidade da contração e a velocidade de recuperação da economia vão depender da contenção da pandemia e de “quão fortes e coordenadas são nossas ações de política monetária e fiscal”. Segundo ela, é indispensável apoiar os mercados emergentes e as economias em desenvolvimento, que têm sido particularmente afetados pela crise, a paralisação repentina da atividade econômica, a fuga de capitais e, em alguns países, a forte queda dos preços de matérias-primas.

Fonte: O Globo