Produção do pré-sal tem alta de 21,6% no ano passado

23/01/2020

A produção de petróleo nos campos do pré-sal bateu todos os recordes em 2019, totalizando 633,98 milhões de barris, alta de 21,6% em relação a 2018, como antecipou o colunista do GLOBO Lauro Jardim. A produção de gás natural foi de 25,9 bilhões de metros cúbicos no ano passado, um aumento de 23,27% na mesma comparação.

De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), a produção no pré-sal representou cerca de 62% de todo o petróleo extraído no país no ano passado: 1,02 bilhão de barris. A produção brasileira subiu 7,78% entre 2018 e 2019. Só em dezembro, houve alta de 15,4% em comparação com o mesmo mês do ano anterior, com protagonismo do pré-sal, na costa do Sudeste. Na comparação com dezembro de 2018, o pré-sal produziu 40,2% a mais no último mês de 2019.

Para especialistas, a produção de petróleo no país continuará crescendo em 2020 a reboque do pré-sal. Além do aumento da produção de várias plataformas instaladas nos últimos anos pela Petrobras, a expectativa é de incremento na produção de outras empresas que atuam no país.

No entanto, aumenta a preocupação no setor coma possibilidade de o governo adi arpara o próximo ano os leilões de áreas do pré-sal que estavam previstos para 2020. O governo sinalizou que pretende mudaras regras do regi mede partilha, que a legislação atual obriga para áreas no pré-sal, para atrair mais investidores.

As empresas preferem o regi mede concessão, em que pagam outorga pelo direito de explorar uma área e ficam com todo o risco e o lucro da produção. No modelo de partilha, o lucro é dividido coma União. Além disso, a Petrobras tem direito de preferência. Essas particularidades foram apontadas entre as razões de dois dos quatro blocos oferecidos n omega leilão do pré-sal em novembro do ano passado terem ficado sem interessados.

‘HORA DE PÉ NO ACELERADOR’

Apesar de avaliarem como positiva a possibilidade de mudança nas regras da partilha, especialistas dizem que o governo deveria faze risso coma máxima urgência ainda neste primeiro semestre para que os leilões do pré-sal possam ser realizados no fim do ano.

Para Leonardo Miranda, sócio na área de Petróleo e Gás do escritório TozziniFreire Advogados, seria suficiente o governo tirar o direito de preferência da Petrobras. Dessa forma, ele avalia que seria possível realizar leilões ainda neste ano, considerando o ritmo forte do setor nos últimos anos, após a retomada dos leilões em 2016, e os preços significativos do petróleo no mercado internacional:

— O governo deveria resolver rápido essa questão do direito de preferência da Petrobras. É fácil, melhor do que mexer no regime de partilha. Não tem que diminuir o ritmo, tem que colocar o pé no acelerador. A indústria está muito dinâmica —ressalta Miranda.

Paulo Valois, sócio do Schmidt Valois, concorda:

— Acho a medida correta, mudando o regime para relançar os leilões. Mas o governo deveria acelerar o processo para aprovar já neste primeiro semestre e poder realizar os leilões no fim deste ano já.

Em viagem à Índia, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, disse à agência Reuters que deve ir à Árabia Saudita em julho para o início das conversas sobre o convite para ingressar na Organização dos Países Exportadores de Petróelo (Opep), mas descartou decisão ainda este ano.

Fonte: O Globo