Após privatização, novos acionistas da BR renovam conselho da rede de postos

19/09/2019

Dois meses depois de a BR Distribuidora ter sido privatizada, os novos acionistas da rede de postos de combustíveis promoveram nesta quarta-feira uma renovação quase completa do conselho de administração da empresa. Em assembleia realizada nesta tarde, foi aprovada a nova configuração do colegiado, no qual seis dos nove membros foram indicados pelos minoritários, após processo de seleção que durou dois meses. Mas, ao contrário do previsto, os minoritários não conseguiram emplacar o presidente do colegiado, que acabou sendo ocupado por um indicado pela estatal.

As cadeiras restantes serão ocupadas por conselheiros indicados pela Petrobras, que é ainda a maior acionista da companhia.

No fim de julho, em uma operação de R$ 9,6 bilhões, a Petrobras realizou oferta secundária de ações que reduziu sua participação na BR Distribuidora de 71,25% para 37,5%. Com a transação, a Petrobras deixou de ser acionista majoritário, e o capital de rede de postos foi pulverizado entre investidores como o fundo de pensão Previ, dos funcionários do Banco do Brasil, Opportunity e SPX.
Até o fim de 2017, a Petrobras detinha todas as ações da BR. Naquela ocasião, a estatal decidiu abrir o capital da rede de postos, levantando R$ 5 bilhões com a venda de 29% das ações.

Com a entrada no capital das investidores privados, os novos acionistas se organizaram para alterar a composição do conselho de administração da empresa, que até então era 100% indicado pela Petrobras. Um grupo de acionistas como as gestoras JGP, SPX, Opportunity, Verde, Atmos e alguns internacionais, além da Previ, promoveram uma rodada de conversas nos últimos dois meses para identificar seis dos nove membros do colegiado que seria formado.

O trabalho durou dois meses e cerca de 30 executivos foram entrevistados para os cargos. A relação de nomes havia sido fechada há três semanas.

– Os acionistas buscaram uma composição diversa, com conselheiros com passagem pela indústria de distribuição, varejo, pagamentos, tecnologia, governança e reestruturação. De maneira geral, foi um sucesso o processo – disse Márcio Correia, gestor dos fundos de ações da JGP, que atuou no processo de seleção de conselheiros.

Minoritários não conseguem emplacar presidente
Para presidir o conselho, o nome escolhido na assembleia desta quarta-feira foi o de Edy Luiz Kogut, indicado pela Petrobras. Engenheiro civil, Kogut é doutor em Economia pela Universidade de Chicago e fez carreira na iniciativa privada, tendo participado dos projetos de privatizações de Copesul (petroquímica), Light e Escelsa (distribuidoras de energia), de 1988 a 2004. Dos eleitos, Kogut é o únic que já compunha o colegiado.

A Petrobras também indicou Maria Carolina Lacerda (que atuou em bancos estrangeiros como UBS e Deutsche Bank) e Alexandre Firme Carneiro (que fez carreira na Shell).

Já os minoritários emplacaram: Carlos Piani, que vem da Kraft Heinz e já passou por PDG e Equatorial Energia; Cláudio Ely, que comandou a rede de farmácias Raia Drogasil; Leonel Andrade, que renunciou à presidência da empresa de milhas Smiles este ano; Mateus Bandeira, que chefiou a consultoria internacional Falconi; Pedro Ripper, ex-diretor da Oi e conselheiro da empresa de shoppings Iguatemi; e Ricardo Maia, que fez carreira como executivo na concorrente Ipiranga.
Pelo que O GLOBO apurou, os minoritários desejavam que Mateus Bandeira assumisse a presidência do conselho. Mas os investidores estrangeiros acabaram preferindo o nome de Kogut. A Petrobras se absteve de votar na assembleia. Não estão claras as razões que levaram à escolha, pelos estrangeiros, de Kogut. Mas parcela dos acionistas locais acabou não votando em Banderia, inviabilizando sua eleição para a presidência.

– No Brasil, a reunião de minoritários para eleger um conselho acontece pouco porque raras são as empresas realmente pulverizadas. E foi importante a Petrobras escolher gente de mercado, essa era uma dúvida que havia no começo do processo. Não haverá representante do governo nesse conselho – afirmou Pedro Sales, gestor da estratégia de ações da Verde Asset.

De acordo com o gestor, o caminho da empresa a partir de agora é reduzir a distância do seu desempenho operacional em relação a de rivais como Shell e Ipiranga.

– A BR tem marca, capilaridade e infraestrutura excelentes, mas sua rentabilidade está aquém da registrada pela concorrência. Não há razão para isso. O desafio vai ser eliminar essa diferença – acrescentou.

Segundo fontes que acompanham a empresa, a expectativa de acionistas é também que o conselho e a direção da BR consigam reduzir o quadro de funcionários e adequar a estrutura de salários ao desempenho.

Fonte: O Globo