União vai estimular produção de óleo e gás em terra

22/08/2019

O choque de energia barata prometido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, vai incluir a revitalização da produção de petróleo e gás em campos terrestres. Será lançado hoje o Reate 2020 — Programa de Revitalização das Atividades de Exploração e Produção de Petróleo e Gás Natural em Áreas Terrestres. A meta do governo é praticamente duplicar a produção, dos atuais 270 mil barris por dia para 500 mil barris até 2030. Deste total, 67% da produção seriam de gás natural.

— Em função dos menores custos do gás produzido em terra, na comparação com o pré-sal, vamos experimentar redução de 30% a 40% dos preços atualmente praticados no Brasil. Com o crescimento da produção onshore (terrestre), vamos ter novas empresas. O retorno é mais rápido do que a produção no mar — afirmou o secretário de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia, Márcio Félix.

O empurrão poderia dar fôlego para um setor que encolheu: a produção de óleo e gás em terra responde por menos de 10% do total. Em setembro do ano passado, os campos em terra produziam 274 mil barris diários, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP). Hoje são 235 mil barris.

Para dinamizar o setor, o caminho será o estímulo à criação de start-ups de base tecnológica para exploração e produção de petróleo e gás terrestres. Além disso, a ANP selecionou 726 áreas terrestres em 14 estados (Amazonas, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe, Espírito Santo, Santa Catarina, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul) e 712 blocos exploratórios onshore para colocar em oferta permanente.

O primeiro leilão será em 10 de setembro. Serão ofertados 263 blocos terrestres.

MAIS QUE A BOLÍVIA

Para estimulara entrada de empresas de pequeno e médio porte no setor, estuda-se a possibilidade de permitir o uso das reservas de óleo e gás como garantia de financiamentos.

Nos cálculos do governo, seria possível alavancar os investimentos, que passariam de R $1,6 bilhão par a R$ 4 bilhões ao ano, coma perspectiva de gerar 700 mil empregos, principalmente no Nordeste. Espera-seque o número de companhias no setor salte das atuais 50 para 500.

As projeções do governo são ambiciosas: que a produção de gás natural desses campos salte de 25 milhões de metros cúbicos por dia para 55 milhões. Isso é quase o dobro dos 30 milhões de metros cúbicos importados hoje da Bolívia.

Segundo Anabal dos Santos Júnior, secretário executivo da Associação Brasileira de Produtores Independentes de Petróleo (ABPIP), há demanda de empresas privadas para produzir em terra.

Já o presidente da PetroSynergy, Sergio Paez, destaca que a devolução de campos terrestres pela Petrobras é essencial para aumentar a produção. Há quase 20 anos, a empresa, que participará do leilão, arrematou o Campo de Tabuleiro de Martins, em Alagoas, que produzia 100 barris por dia. Hoje são 350 barris.

— O Brasil tem um grande potencial a ser explorado, precisa sair dessa situação de quase abandono —disse Paez.

Fonte: O Globo