Governo fará estudos sobre privatização da Petrobras, diz Onyx

22/08/2019

A privatização da Petrobras entrou no radar da equipe econômica. O ministro da Economia, Paulo Guedes, pretende desestatizara empresa até o fim do mandato do presidente Jair Bolsonaro. Antecipada pelo jornal Valor Econômico, a notícia fez as ações da estatal saltarem cerca de 6%. Os papéis preferenciais (PN, sem direito a voto) subiram 5,95%, e os ordinários (ON, com voto), 5,32%.

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, afirmou ontem que o governo realizará estudos objetivos sobre a privatização da Petrobras. Mas admitiu que pode demorar.

—Estamos indo passo a passo—disse.—O governo faz estudos e trabalha de maneira objetiva. A Petrobras como um todo passará por estudos

pela equipe do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos), do BNDES, da equipe do Ministério de Minas e Energia. As ações de desestatizações são criteriosas. Temos muitos anos pela frente.

O entorno de Guedes avalia haver no governo uma mudança de percepção, no sentido de apoiar a privatização da Petrobras, mesmo que a longo prazo. A principal razão seria a necessidade de arrecadar recursos para a União.

ENTRAVES À FRENTE

Outro argumento citado por fontes do Ministério da Economia é a necessidade de abrir o mercado de combustíveis no país, para baixar os preços. A greve dos caminhoneiros é citada como exemplo do problema de haver um monopólio estatal nesse mercado.

Interlocutores de Guedes dizem ainda temer deixar uma Petrobras saneada financeiramente para outro grupo político, em caso de mudança de governo, que novamente transformaria a estatal em “palco de corrupção”.

A venda da Petrobras, porém, está longe de ser unanimidade dentro do governo. Enquanto o entorno de Guedes acredita que esse será o caminho para a empresa até 2022, integrantes do Ministério de Minas e Energia têm posição diferente.

O ministério responsável oficialmente pela Petrobras é resistente à ideia de se desfazer completamente da empresa. Por isso, a privatização da estatal de petróleo é tratada com cautela por integrantes do governo, que preferem focar nas outras estatais já anunciadas, como a Eletrobras.

Uma fonte ressaltou ainda que a venda da Petrobras teria de passar pelo Congresso, portanto dificilmente ocorreria no atual governo. Além disso, a estatal teria de ser dividida, pois não seria possível repassar uma empresa de tal porte ao setor privado.

No início da noite, o porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, foi perguntado se a iniciativa tem sido discutida entre o presidente e a equipe econômica. Ele afirmou:

— Não há (discussão) por parte do presidente. Ao menos, não me formulou nenhuma ideia nesse sentido.

Na campanha eleitoral, Bolsonaro disse, em sabatina da Globonews, que admitia privatizar a Petrobras, ainda que fosse “pessoalmente contra”. Em novembro, citou uma possível “privatização parcial”. Já em abril, afirmou, também na Globonews, ter “simpatia” pela venda da estatal.

Ena semana passada, Guedes, em evento no Rio, disse ao presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, que ele poderia “privatizar coisas maiores” que Correios e Eletrobras. Castello Branco, por sua vez, antes de assumira estatal, afirmou diversas vezes ser favorável à privatização.

Para as empresas de petróleo que atuam no Brasil,Petrobras é estatal ou privada. Segundo o executivo de uma petroleira, que não quis ser identificado, o que as empresas sempre quiseram era que a Petrobras não fosse a única a atuar no setor, e este já é o cenário atual:

— A Petrobras é uma das mais competentes entre as grandes petroleiras mundiais, com capacidade técnica extraordinária, é orgulho nacional. Mas privatizar é uma decisão política do governo.

Para Adriano Pires, da CBIE, a privatização da Petrobras deve entrar em pauta em 2020, após a venda da Eletrobras. Ele acredita que o modelo de capitalização, com oferta de ações em Bolsa, é o mais adequado:

—Assim, o governo não entrega a companhia para um investidor apenas.

O Ibovespa avançou 2%, aos 101.202 pontos. Já o dólar comercial recuou 0,53%, a R$ 4,0296, após o Banco Central vender US$ 200 milhões. Bem abaixo da oferta, de US$ 550 milhões.

Fonte: O Globo