Como os postos podem alcançar a excelência operacional

16/08/2019

Ele cobria folgas de um frentista em um posto de combustíveis e depois alcançou o cargo de gerente geral e supervisor de rede, gerindo mais de 400 colaboradores. Formou-se, fez especializações em respeitadas universidades e hoje é um dos maiores consultores de grandes redes de postos pelo Brasil, tendo treinado mais de 110 mil profissionais. É com o know-how de quem conhece todos os cantos de um posto de gasolina e também como gerenciá-lo que o consultor Marcelo Borja falou a uma plateia lotada no 14° Fórum Internacional de Postos de Serviços, Equipamentos, Lojas de Conveniência e Food Service, que acontece em paralelo com a ExpoPostos & Conveniência 2019.

Em tom irreverente e com participação ativa do público, Borja defendeu a tese de que é necessário se atingir a excelência operacional, onde tanto clientes, colaboradores e a empresa saem ganhando. “Não torne-se refém da margem de combustíveis”, alertou. “Cada carro que entra em seu posto é uma oportunidade de vendas”, afirmou. Segundo ele, existem ao menos 12 possibilidades de serviços a serem oferecidos para cada veículo que entra; de limpeza de pneu passando por troca de óleo até ofertar palhetas novas.

Além de potencializar ganhos, o especialista disse que também é necessário cortar despesas, tais como manutenção de problemas simples como troca de uma lâmpada queimada, gestão eficiente de insumos e liberação de crédito. Isso envolve também uma análise rigorosa para administração de equipes, além de encontrar formas de motivá-los, criando, por exemplo, prêmios para os melhores colaboradores.

Borja mostrou uma pesquisa indicando que além do abastecimento, o serviço mais valorizado pelos proprietários de veículos é a calibragem de pneus. “Muitos donos de postos estão tirando os calibradores de pneus, e isso é errado”, disse. O consultor afirmou que só o preço do combustível não segura cliente algum, e que a fidelização da clientela passa também por estabelecer um padrão de qualidade no atendimento. “Entre outras coisas o cliente valoriza preço justo com qualidade. Mas não só isso Quantos aqui podem dizer com segurança que o banheiro de seus postos estão limpos? E a oferta de serviços, como está?”, questionou.

Quem são e como agem os novos consumidores

Vivemos um momento de mudanças de comportamento que exige um conhecimento cada vez maior do consumidor pelo empresário. Atender as novas exigências e entender as tendências é fundamental para o sucesso do negócio. O alerta é da caçadora de tendências Sabina Deweik, que falou durante a palestra “O Consumidor: Gerações Y e Z”, no último dia do 14º Fórum Internacional de Postos de Serviços, Equipamentos, Lojas de Conveniência e Food Service, que acontece paralelamente à ExpoPostos & Conveniência 2019.

Segundo Sabina, estamos deixando algumas crenças para trás, como a economia da visibilidade, do status, da publicidade persuasiva, e estamos em uma transição para a economia da experiência, do compartilhamento, da credibilidade, autenticidade, transparência e da conexão, sendo que os chefs de cozinha são os gurus da atualidade, justamente pela questão sensorial e da autoexpressão. “Estamos deixando velhos paradigmas e outros que exigem mais atenção das empresas”, afirma.

Quando um consumidor da geração Z vai a um ponto de venda não realiza uma troca monetária, analisa Sabina. “Vivemos a era do sentido onde o que se vende é uma experiência, um engajamento com o consumidor e não simplesmente um produto”.

A pesquisadora alertou os participantes do Fórum para uma atenção nas mídias sociais. “Ao contrário da geração Y, que buscava uma experiência, a geração Z é mais pragmática, quer o consumo da verdade”.

Portanto, afirma Sabina, a economia da visibilidade dá espaço à economia da credibilidade, da transparência, do significado e do propósito. Sai da individualidade para a cocriação. “As empresas precisam pensar em resultados econômicos, mas também devem pensar em como impactar o mundo. Os novos consumidores estão procurando um mundo mais colaborativo, com mais coparticipação e atenção ao outro. Para uma empresa se manter relevante nos próximos vinte anos precisa refletir em como sua marca pode pensar no coletivo. Essa era de transição é definida pela busca dos sentidos e do propósito”, garantiu.

Especialista em lojas de conveniência apresenta cases de sucesso como fonte de inspiração

Praticidade, conforto e agilidade são o tripé para o sucesso das lojas de conveniência. Mas existem casos que vão além. E foram esses cases que Giselle Valdevez, sócia diretora da empresa Valsa – Valdevez e Santiago Assessoria Empresarial, apresentou durante a última palestra do 14º Fórum Internacional de Postos de Serviços, Equipamentos, Lojas de Conveniência e Food Service, realizado paralelamente à ExpoPostos & Conveniência 2019, que terminou hoje (15), em São Paulo

Antes, Giselle apresentou ao público um vídeo especialmente produzido para o Fórum com os casos de sucesso e inovação de empresas que operam no setor. Nele se destacavam iniciativas do mercado nacional de lojas de conveniência, contando os casos das redes Aghora, am/pm, BR Mania e Shell Select, além de outros formatos varejistas, fora do segmento conveniência em postos de serviços.

“Esta foi a terceira vez que participei da ExpoPostos e Conveniência, sempre trazendo esse formato que é sucesso em feiras no exterior”, garante. “Todas as iniciativas apresentadas no vídeo funcionam como inspiração para os proprietários de postos presentes, além de servir como fonte de observações e análises, dando oportunidade para meditarem sobre as possibilidades que existem, pois a criatividade e o conhecimento do público consumidor podem fazer a diferença para o sucesso de um empreendimento”.

Tecnologia melhora experiência de compra e eficiência do ponto de venda

Durante as apresentações da Arena do Conhecimento da ExpoPostos & Conveniência 2019 foram exibidas tecnologias para melhorar a experiência do pagamento no varejo de combustíveis. Um exemplo foi o painel apresentado por Wellington Granja, diretor de Soluções de Varejo da Gilbarco Veeder-Root.

Na avaliação do palestrante, a concorrência está mais cada vez mais acirrada e alternativa é diferenciar o atendimento, e ganhar a preferência do consumidor. “E se aumentássemos a velocidade da transação de venda? Percebemos que o tempo do atendente era mal utilizado. Ou seja, o frentista muitas vezes procura encerrar a venda rapidamente, para não tumultuar o funcionamento do posto. Um dos entraves é a dificuldade de oferecer aos consumidores outros produtos ali, ao lado da bomba, sem abrir mão da eficiência”.

A solução da Gilbarco Veeder-Root foi criar o Prime Pay, uma “maquininha de cartão” que permite a venda de combustíveis, produtos de pista e loja de conveniência em uma única solução, com emissão do comprovante de pagamento e documento fiscal no próprio aparelho. O tempo de atendimento médio caiu de 3 minutos para 50 segundos, de acordo com Granja. O aparelho possui app independente de computadores convencionais. Também permite integrações on-line via API com outros sistemas, inclusive com outras retaguardas do mercado.

Jornalista Alexandre Garcia afirma que pessoas precisam parar de torcer contra o país

Em sua palestra no 14° Fórum Internacional de Postos de Serviços, Equipamentos, Lojas de Conveniência e Food Service, realizada na manhã desta quinta-feira (15), o jornalista Alexandre Garcia afirmou que desde criança ouviu dizer que o Brasil é o país do futuro. “Estou com quase 80 anos e continuo ouvindo a mesma frase. Temos uma grande riqueza natural. E qual é a verdadeira riqueza do país? Os nossos cérebros, as nossas cabeças. Muitos torcem contra. Já somos um país rico”, disse. O Fórum acontece paralelamente à ExpoPostos & Conveniência 2019, no São Paulo Expo.

Garcia lembrou de brasileiros que conseguiram superar situações adversas e hoje são referência em sua área. Entre os exemplos citados por ele está o do pianista e maestro João Carlos Martins, que, mesmo após vários contratempos tais como atrofia dos dedos, lesão muscular em um dos braços e neurológica, continua sendo um ícone da música instrumental. Para traçar um paralelo de como o Brasil tem potencial de desenvolvimento, ele trouxe em seu discurso casos como o de Cingapura, que passou de ilha pobre a quarto país mais rico do mundo; Coréia do Sul, que em meio século deixou a miséria e se tornou potência mundial, e o Japão, reconstruído após ser alvo de bombas atômicas e atual terceira economia do planeta.

Segundo o jornalista, um dos exemplos de que muitos torcem contra o Brasil está no fato de 76 deputados federais terem votado contra a Medida Provisória da Liberdade Econômica, que possui dispositivos tais como o que pretende simplicar a abertura de empresas e reduz a burocracia do dia a dia das empresas. Suas críticas recaíram também aos seus “coleguinhas” (jargão para se referir a outros jornalistas). “Há sete meses meus coleguinhas também estão torcendo contra o país”, disse.

Ao final de sua palestra, Alexandre Garcia disse estar confiante nas reformas em curso no governo federal, tais como as da Previdência e Tributária, e medidas futuras, entre elas as que envolvem as relações de trabalho e sindical.

Fonte: 2PRÓ Comunicação