Desemprego acelera para 12,7% no 1º trimestre

01/05/2019

A taxa de desemprego avançou para 12,7% no primeiro trimestre do ano, movimento já esperado, em razão da habitual dispensa de trabalhadores temporários após as festas de fim de ano.

Embora o resultado não tenha surpreendido, a subutilização recorde da força de trabalho brasileira confirmou a falta de fôlego ainda persistente no mercado de trabalho, avaliou o IBGE.

A população desempregada superou o patamar de 13 milhões, de acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua).

“O mercado de trabalho não proporciona um discurso otimista. A situação está longe de ser favorável. Estamos diante de uma situação que não está avançando”, avaliou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

Faltou trabalho para 28,324 milhões de brasileiros no trimestre encerrado em março. Além dos desempregados, o cálculo inclui os que trabalham menos horas do que gostariam e os que estariam aptos a assumir um emprego embora não estejam em busca de uma vaga. Entre eles há um montante também recorde de 4,843 milhões de desalentados, aquelas pessoas que não procuram emprego por acreditar que não conseguiriam uma oportunidade, por exemplo.

Subutilização. “Um quarto da força de trabalho ampliada está subutilizada”, ressaltou Azeredo. Por outro lado, o mercado financeiro recebeu bem o desempenho da Pnad Contínua, que veio ligeiramente melhor do que o estimado. Se neutralizados os efeitos sazonais, a taxa de desemprego teve uma pequena queda na passagem de fevereiro para março, de 12,2% para 12%, segundo cálculos de economistas de bancos como Itaú e Fibra.

“Mas o quadro geral do mercado de trabalho ainda se mostra muito enfraquecido. A melhora é muito tímida, principalmente em relação ao mercado de trabalho formal, em função da recuperação também fraca da atividade econômica. Os empresários hesitam um pouco em contratar diante da incerteza com a atividade e com a agenda de reformas”, ponderou o economista do Banco MUFG Brasil Mauricio Nakahodo.

O cenário de elevadas incertezas, principalmente no longo prazo, é o que pesa contra uma melhora mais intensa do mercado de trabalho, acredita o analista Thiago Xavier, da Tendências Consultoria Integrada.

Fonte: O Estado de S.Paulo