Petrobras quer vender oito refinarias, 50% de sua capacidade

27/04/2019

Estatal anunciou que pretende negociar conjunto de refinarias em sete estados, que podem processar 1,1 milhão de barris, o equivalente à metade da capacidade da empresa. Medida visa dar maior competitividade e transparência ao segmento de refino.

A Petrobras informou ontem que pretende vender oito refinarias que totalizam capacidade de refino de 1,1 milhão de barris por dia. Esse volume corresponde acercada metade da capacidade da estatal. Além disso, a empresa pretende se desfazer da rede de postos no Uruguai e estuda fazer uma venda adicional de participação na BR Distribuidora. Hoje, e latem 71% do capital da subsidiária, dona da maior rede de postos no país.

A decisão foi tomada pelo seu Conselho de Administração. O anúncio foi feito um dia depois de a empresa aprovar em assembleia mudança de

regras que permite agilizara venda de subsidiárias, que agora não precisam mais do aval dos acionistas.

MAIOR CONCORRÊNCIA

Estão nos planos da empresa a venda de refinarias como a polêmica Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco, uma das obras envolvidas na Lava-Jato; Landulpho Alves (Rlam), na Bahia; Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais; Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná; Alberto Pasqualini (Refap ), no RioGr ande do Sul; e Isaac Sabbá (Reman), em Manaus; além da Unidade de Industrialização do Xisto (Six), no Paraná; e Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (Lubnor), no Ceará. Para Adriano Pires, sócio do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), a notícia é positiva, mas é preciso atenção no modelo de venda para evitara criação de monopólios regionais privados:

— É importante saber quem vai comprar para não se construírem monopólios regionais. O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) terá uma participação importante nesse processo. E a Petrobras terá que definir bem esse modelo. Além disso, ele lembrou que a criação de maior concorrência no setor vai reduzir o risco de interferências do governo nos preços dos combustíveis, como ocorreu há duas semanas, quando a Petrobras recuo udo reajuste de 5,7% no diesel após pedi dodo presidente Jair Bolsonaro, preocupado com uma possível greve dos caminhoneiros.

— Com mais concorrência, a Petrobras poderá ter mais liberdade de preços. Mas isso não significará necessariamente preços menores ao consumidor, pois os novos compradores vão seguir as cotações do mercado internacional —afirmou Pires.

Em nota, a Petrobras disse que a venda dos ativos possibilitará “maior competitividade e transparência ao segmento de refino no Brasil”, em linha com o posicionamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e às recomendações do Cade.

Fonte: O Globo