Empresários abrem até escritório de lobby para aprovar Previdência

31/03/2019

Empresários que apoiam o governo Bolsonaro lançaram uma ofensiva pela aprovação da reforma da Previdência, cuja articulação foi golpeada nos últimos dias com as trocas de acusações entre o presidente e Rodrigo Maia (DEM-RJ). O movimento Brasil 200, formado, entre outros, por Flávio Rocha (Riachuelo), Sebastião Bomfim (Centauro) e João Apolinário (Polishop), partiu para o “corpo a corpo” com congressistas, fazendo com que eles se comprometam por escrito com a aprovação da reforma. Já reuniram a assinatura de 230 deputados e 10 senadores. O grupo vai abrir um escritório de lobby em Brasília e deve participar de discussões na Secretaria da Previdência, a convite do governo. O Instituto do Desenvolvimento do Varejo (IDV) é outro que trabalha pela reforma e já se reuniu com lideranças partidárias e com ministros. Mesmo frustrados com a paralisia em Brasília, o apoio ao governo continua, mas a confiança não é mais a mesma.

Ofensiva. Grupo de líderes empresariais que apoiam o presidente Jair Bolsonaro vai abrir escritório de lobby em Brasília e firmar parceria com o Ministério da Economia para tentar evitar que a reforma, considerada vital para a retomada do crescimento, seja barrada no Congresso

De olho na dificuldade do governo em articular a reforma da Previdência no Congresso, empresários decidiram ir de vez para o “corpo a corpo” para garantir votos suficientes para aprovar a proposta. A estratégia para reforçar o discurso a favor da ‘Nova Previdência’ começa em campanhas nas redes sociais, passa pela pressão sobre deputados e senadores, pela abertura de um escritório de lobby em Brasília e até por um convite para ocupar uma sala dentro do Ministério da Economia.

Formado por um grupo de empresários que desde a corrida presidencial apoiou Jair Bolsonaro e as políticas do ministro Paulo Guedes, o movimento Brasil 200 lidera as iniciativas. A entidade – que reúne empresários como Flávio Rocha (Riachuelo), Luciano Hang (Havan), Sebastião Bomfim (Centauro) e João Apolinário (Polishop) – tem procurado individualmente os parlamentares para recolher assinaturas dos que se comprometem a votar a favor da reforma. De acordo com o grupo, a lista já conta com 230 deputados e 10 senadores. A ideia é usar o documento para cobrar posteriormente a posição.

Para ampliar o rol de congressistas “aliados”, o Brasil 200 vai abrir um escritório em Brasília. Além disso, segundo o presidente da entidade, Gabriel Rocha Kanner, a Secretaria da Previdência ofereceu um espaço para que o grupo participe da elaboração de ajustes à proposta. A ideia é formar uma aliança com o governo para troca de informações, tanto sobre adaptações do texto quanto à possibilidade de aprovação, diz Kanner, que é sobrinho de Rocha, da Riachuelo. Procurado, o Ministério da Economia nega a concessão de espaço físico, mas confirma a parceria em dados.

Habituado a tentar influenciar políticas públicas, o Instituto do Desenvolvimento do Varejo (IDV), que reúne grandes empresas nacionais, realizou reuniões sobre a reforma da Previdência com líderes no Congresso e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ainda em 2018. Agora, a ideia é dobrar a pressão. O instituto já teve três encontros com o secretário da Previdência, Rogério Marinho, e se prepara para abordar deputados e senadores. “A gente vê que a articulação política é muito importante”, diz Antonio Carlos Pipponzi, presidente do IDV e acionista da Raia Drogasil, referindo-se aos “soluços” na discussão do texto.

Um dos aliados mais aguerridos do governo Bolsonaro, o dono da Havan, Luciano Hang, fará dupla jornada para tentar garantir a reforma da Previdência. Além de ser um dos integrantes do Brasil 200, iniciou nesta semana campanha própria nas redes sociais com o mote “Previdência ou morte”. Para reforçar o argumento, marcou “live” no Twitter – onde tem 245 mil seguidores – para tratar do assunto.

Fonte: 31O Estado de S.Paulo