PIB cresce apenas 1,1% e analistas reveem projeções

01/03/2019

No segundo ano após o fim da recessão, a economia brasileira registrou crescimento de 1,1% em 2018, segundo dados do IBGE. O índice é o mesmo de 2017 e frustrou as projeções do início do ano passado que apontavam para um avanço do PIB de 2,8%. Com isso, analistas reveem suas previsões para 2019. Na média, as apostas agora apontam para uma alta de 2,05% – há duas semanas, a média era de 2,4%. O agravamento da crise na Argentina, a greve dos caminhoneiros, as incertezas do período eleitoral e a persistência do desemprego são fatores que contribuíram para o fraco desempenho da economia.

Em 2018, o crescimento foi menos concentrado na agropecuária do que no ano anterior. Apesar da situação ainda precária no mercado de trabalho, o consumo das famílias foi o principal motor da economia, com avanço de 1,9%.

A economia cresceu 1,1% em 2018, o mesmo ritmo de 2017, frustrando expectativas que apontavam, no início do ano passado, para um avanço médio de 2,8%. Após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmar ontem o modesto avanço no Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todo o valor gerado na economia) de 2018, analistas cortaram as projeções para 2019. Agora, na média, as apostas apontam para um crescimento de 2,05% este ano, ante 2,4% duas semanas atrás, como mostraram as pesquisas do ‘Estadão/Broadcast’.

Dois anos após o fim da recessão, a atividade econômica ainda está 5,1% abaixo do pico do início de 2014, configurando a mais lenta recuperação em 40 anos, nas contas da LCA Consultores. Para Mônica de Bolle, pesquisadora do Instituto Peterson de Economia Internacional, em Washington (EUA), o Brasil poderá experimentar uma nova década perdida, recuperando as perdas apenas em 2021 ou depois.

De acordo com a economista, a “destruição de capacidade produtiva” causada pela política econômica do governo Dilma Rousseff (PT) e pelos efeitos das investigações sobre corrupção nos setores de petróleo e construção ajuda a explicar a lentidão da retomada. “Não tem como a recuperação ser rápida”, disse, citando ainda a crise política iniciada nas eleições de 2014.

Previdência. O secretário de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, afirmou que o crescimento pode chegar a 2,9% se a reforma da Previdência for aprovada.

Para a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, a economia tem problemas estruturais. Ela defende a reforma da Previdência como “primordial” e frisa que juros mais baixos, como sugerem alguns economistas, poderiam ajudar, mas as duas medidas não impulsionariam a atividade. “Fica uma coisa de que basta melhorar a confiança para o empresário sair investindo. Não é bem assim.”

A frustração em 2018 foi forjada, mês a mês, com o agravamento da crise econômica na Argentina, a greve dos caminhoneiros, em maio, as incertezas do período eleitoral e a persistência do desemprego.

No ano passado, o crescimento foi menos concentrado na agropecuária do que em 2017. O PIB industrial teve a primeira alta desde 2013, mas o avanço de apenas 0,6% foi minado por uma freada no segundo semestre. O crescimento de 4,1% nos investimentos foi inflado por uma questão contábil. A alta de 1,9% do consumo das famílias foi o motor do crescimento, porém os dados de emprego e renda não animam.

Fonte: O Estado de S.Paulo