Atenção consumidor: você precisa saber!

19/05/2019

O Recap, Sindicato dos Postos de Combustíveis que representa mais de 1400 postos em 90 cidades da região de Campinas, vem a público esclarecer:

Os empresários donos de postos de combustíveis têm os mesmos anseios da população de ter um preço mais justo dos combustíveis no país. A alta carga tributária que chega a compor cerca de 45% do valor dos combustíveis tem afetado também os negócios, com os empresários vendo suas margens reduzirem, vendas caírem e tendo que absorver reajustes das distribuidoras para manter competitividade.

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) está propondo a verticalização no setor, por isso, queremos te explicar.

Verticalizar significa permitir que o atacado venda diretamente para você, consumidor. Isso, num primeiro momento pode parecer bom, mas não vamos nos deixar enganar.

Com essa abertura, as distribuidoras poderão vender combustíveis e operar elas próprias os postos. O modelo proposto é similar ao utilizado pelos Estados Unidos, país em que há grande concorrência na produção e na distribuição. O problema é que hoje, o Brasil tem apenas um produtor e três grandes empresas na área de distribuição que concentram o mercado neste segmento. Querem, portanto, implantar um mesmo modelo para realidades totalmente diferentes. Vale destacar que no Brasil, é apenas no varejo, com os cerca de 41 mil postos, que se tem uma competição de verdade.

É importante lembrar que a maioria dos postos que operam com uma das três principais bandeiras trabalha com longos contratos de exclusividade com sua distribuidora, com multas altas em caso de descumprimento, não podendo comprar de outro fornecedor. Caso haja a verticalização, será preciso criar uma regulação de transição, com uma janela com prazo de opção de saída para que os postos possam optar se desejam continuar ou não com a marca. Isso porque, muitos postos passariam a concorrer com seus próprios fornecedores, transferindo a concentração e a falta de competitividade que existe no atacado para o varejo. Basta lembrar o que ocorreu com os setores bancário e de telefonia.

Nós também defendemos o mercado competitivo em todos os elos da cadeia do segmento (produção, distribuição e varejo), que é o que favorece o consumidor.

A própria Agência Nacional do Petróleo (ANP) já reconheceu em notas técnicas recentes que a área da distribuição é concentrada e que os preços são ditados por três distribuidoras, que dominam cerca de 70% do mercado.

A revenda é formada por pequenos e médios empresários, sendo muitas empresas familiares que geram cerca 400 mil empregos e contribuem de forma relevante para economia do país.

Já há algum tempo o dono de posto vem sofrendo com a concentração e a falta de competitividade na distribuição. Com a verticalização, o consumidor passará a sentir esses mesmos efeitos.

Quem é contra a concentração de mercado, é contra a verticalização no setor de combustíveis.

Fonte: Correio Popular