‘Uma conversa conserta tudo’, afirma Guedes

14/04/2019

Após Jair Bolsonaro intervir na Petrobras para revogar o reajuste do diesel, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que “o presidente já reconheceu que não entende muito de economia”, e que, se ele fizer algo “que não seja muito razoável”, “uma conversa conserta tudo”.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse ontem em Washington que, caso o presidente Jair Bolsonaro faça alguma coisa “que não seja muito razoável” na economia, tem certeza de que conseguirá “consertar”. Ele fez a declaração ao ser perguntado por jornalistas sobre a intervenção do presidente na Petrobras na última quinta-feira para suspender o reajuste do diesel previsto para o dia seguinte. A ação provocou queda de 8,5% nas ações da estatal anteontem. —O presidente tem muitas virtudes, fez muita coisa acertada e já disse que não conhece muito economia. Se ele eventualmente fizer alguma coisa que não seja muito razoável, eu tenho certeza de que nós conseguimos consertar. Uma conversa conserta tudo. Guedes está em Washington desde quarta-feira, onde participa de reuniões do FMI e do Banco Mundial. O ministro afirmou que Bolsonaro pode ter levado em conta na sua decisão questões políticas, mas frisou não ter conversado com ele ainda sobre a questão:

— O presidente já disse

para vocês que ele não era especialista em economia. Então é possível que alguma coisa tenha acontecido lá. Ele, ao mesmo tempo, é preocupado com efeitos políticos. Estavam falando em greve dos caminhoneiros, esse tipo de coisa, então é possível que ele esteja lá, tentando manobrar isso… Apesar das perdas da Petrobras, a decisão do presidente Jair Bolsonaro de suspender o aumento do preço do diesel foi vista na equipe econômica como uma forma de evitar prejuízo maior. Na avaliação de uma fonte do Ministério da Economia, o país não poderia correr o risco de passar por uma nova greve de caminhoneiros em um momento em que a economia patina. No ano passado, o PIB cresceu apenas 1,1%, frustrando as projeções que chegavam a 3% antes da paralisação. —A economia está sem tração. A última coisa que poderia acontecer é uma greve do nível que ocorreu. Acredito que o presidente suspendeu para discutir —disse a fonte. A equipe econômica ainda não se reuniu para discutir a reação à crise que colocou o governo em um impasse: garantir a saúde financeira da Petrobras sem causar atritos com os caminhoneiros. A estratégia vai ser discutida na próxima semana.

AMORTECIMENTO FISCAL

Uma das opções na mesa é um sistema para amortecera oscilação de preços nas bombas, como deverias era Cide, que acabou sendo desvirtuada. Nesse modelo, a tributação sobre os combustíveis aumentaria quando o petróleo estivesse mais caro e diminuiria quando a cotação do óleo subisse. A medida, no entanto, precisaria ser incluída em uma reforma tributária ainda em elaboração. Também dependeria do avanço da reforma da Previdência, já que presumiria uma renúncia de arrecadação. A ideia chegou a ser proposta no governo Temer, mas não avançou.

Fonte: O Globo