Investimento avança, influenciado por mudança tributária

01/12/2018

Os investimentos na economia cresceram 6,6% no terceiro trimestre, em relação ao período anterior. O indicador mostra o quanto é destinado do PIB para aumentar a capacidade produtiva do país. O resultado, que é o melhor desde o último trimestre de 2009, não reflete a realidade. O resultado foi inflado por uma mudança, em vigor desde julho, no Repetro, regime tributário especial para o setor de óleo e gás. Sem o efeito, economistas calculam que a expansão teria sido equivalente a menos da metade. — Com a mudança, plataformas de petróleo antigas, que não eram contabilizadas como investimento, passaram a entrar nessa conta de uma vez só, distorcendo o resultado —explica Silvia Matos, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV). Segundo o economista-chefe do Banco ABC, Luis Otávio Leal, sem o efeito do Repetro, o resultado seria de 2,3%. Nas contas do Itaú Unibanco, os investimentos teriam expandido só 1% no terceiro trimestre. —Esse aumento (de 6,6%) é resultado de um efeito contábil, não significa que o país realmente teve este percentual de investimento no período— explica Artur Passos, economista do Itaú Unibanco. Com as regras anteriores do Repetro, para contar como benefício, as empresas“exportavam” plataformas fabricadas no país para subsidiárias no exterior. A embarcação, que não saía do país, era contabilizada como alugada. Neste ano, novas regras permitiram que o benefício estivesse disponível para plataformas que fazem parte do estoque da companhia. Com isso, as embarcações passaram a ser consideradas importações de máquinas e equipamentos, elevando os investimentos, mesmo que essas operações tenham sido feitas antes do terceiro trimestre. A alta real, diz Alessandra Ribeiro, economista da Consultoria Tendências, foi motivada pela importação e compra de máquinas e equipamentos e pelo setor imobiliário, num cenário de juro baixo.

Um dos setores que freia os segmento é a construção civil, que representa cerca de 55% do resultado. A construção é o único setor que ainda está no campo negativo na comparação do terceiro trimestre deste ano com o mesmo período de 2017. Foi o 18º recuo seguido, dessa vez de 1%. Na comparação com o trimestre anterior, no entanto, teve alta de 0,7%. A melhora tem relação direta com o desempenho positivo da atividade imobiliária.

Fonte: O Globo