Bolsonaro escolhe perfil técnico para comandar BC

16/11/2018

O economista Roberto Campos Neto vai substituir Ilan Goldfajn na presidência do Banco Central no governo de Jair Bolsonaro. Ele foi anunciado ontem, depois que Ilan descartou a permanência no cargo, como adiantou o Estado. De perfil técnico, Campos Neto é diretor do Santander e respeitado no mercado financeiro – ele é neto do ex-ministro Roberto Campos (19172001). O nome do economista agradou aos seus pares e deverá ter boa receptividade entre investidores. Para alguns analistas, no entanto, por ter ocupado somente cargos em empresas privadas, sua capacidade de se adaptar ao setor público é uma incógnita. Eles também apontaram que será importante que a futura equipe econômica reforce os sinais de que o Banco Central terá independência de fato. A indicação de Campos Neto ainda deverá ser referendada pelo Senado. Também foi confirmada ontem a permanência do secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, no cargo, o que já era esperado pelo mercado.

Profissional experiente e reconhecido, com ampla visão sobre o sistema financeiro e a economia nacional.” Ilan Goldfajn, ATUAL PRESIDENTE DO BC

O economista Roberto Campos Neto foi anunciado oficialmente ontem como o substituto de Ilan Goldfajn no Banco Central no governo de Jair Bolsonaro. “Com extensa experiência na área financeira, pós-graduado em Economia pela Universidade da Califórnia em Los Angeles (Ucla), Campos Neto deixa a diretoria do Banco Santander, onde ingressou em 2000”, informou, em nota, a assessoria do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes. Também foi confirmado que o atual secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, permanecerá no cargo no novo governo.

Campos Neto, como o nome indica, é neto do também economista Roberto Campos (19172001), ministro do Planejamento durante o governo do marechal Humberto de Alencar Castelo Branco (1964-1967) e um dos maiores expoentes do pensamento liberal no Brasil. O executivo é respeitado no mercado financeiro por seu perfil técnico, mas não é um nome muito conhecido. Para alguns economistas, uma questão que terá de ser observada será a sua capacidade de se adequar ao setor público, tendo em vista que sempre ocupou cargos privados (ver pág. B3).

O futuro presidente do BC é próximo de Paulo Guedes e já vinha contribuindo com ideias para o programa de governo desde antes da eleição.

O “plano A” do novo governo para o BC era a manutenção de Ilan, mas, conforme informou o Estado na edição de ontem, ele preferiu deixar o cargo, por motivos pessoais. O BC publicou uma nota em que Ilan felicita seu possível sucessor (a indicação precisará ser referendada pelo Senado). “Profissional experiente e reconhecido, com ampla visão sobre o sistema financeiro e a economia nacional e internacional, Roberto Campos Neto conta com seu apoio (de Ilan) e sua confiança no futuro trabalho à frente do BC.”

Ilan afirmou, no comunicado, que permanecerá à frente da autoridade monetária, por pedido do próximo governo, até o nome de seu sucessor ser apreciado pelos senadores. Disse também que continuará trabalhando para que os parlamentares aprovem o texto de autonomia do BC, com mandatos fixos e intercalados dos diretores, ainda este ano.

O presidente do Santander Brasil, Sérgio Rial, desejou êxito a Campos Neto, dando destaque ao fato de ocupar uma função importante para o desenvolvimento do País. “Roberto Campos Neto é um profissional com sólida formação e profundo conhecimento da área econômica. Desejamos a ele muito êxito no desempenho de sua nova função, tão importante para o desenvolvimento do País.”

Campos Neto, de 49 anos, trabalhou no Banco Bozano Simonsen de 1996 a 1999. Com a incorporação do banco ao Santander, em 1999, passou a atuar como chefe da área de renda fixa internacional, cargo que ocupou até 2003. No ano seguinte, foi para a gestora Claritas. Em 2005, voltou ao Santander como operador e em 2006 foi chefe do setor de trading. Em 2010, passou a responder pela área de Tesouraria e formador de mercado regional e internacional.

Tesouro. A manutenção de Mansueto no novo quadro econômico era esperada pelo mercado e por quem acompanha a equipe de transição. Ele é secretário do Tesouro desde abril de 2018 – antes, tinha ocupado o cargo de secretário de Acompanhamento Econômico. Trabalhou no Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), é mestre em Economia pela USP e cursou doutorado em Políticas Públicas no MIT.

Fonte: O Estado de S.Paulo