Definição de metas no biodiesel traz previsibilidade e investimentos

03/11/2018

A definição do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) das datas e percentuais da mistura de biodiesel ao diesel dará uma nova sustentação ao mercado.

O CNPE definiu que, a partir de junho de 2019, a mistura será de 11%, subindo um ponto percentual por ano, a partir dos meses de março, até chegar a 15% em 2023.
Essa previsibilidade é muito boa e vai permitir uma ampliação de escala a médio e longo prazos no setor”, diz Juan Diego Ferrés, presidente da Ubrabio (União Brasileira dos Fabricantes de Biodiesel).

Seguindo o cronograma de mistura e uma recuperação do PIB (Produto Interno Bruto) nos próximos anos, o setor deverá sair dos atuais 5,5 bilhões de litros de biodiesel produzidos para 9,5 bilhões em 2023, acredita Ferrés.

O setor poderá ser impulsionado, ainda, pela chamada demanda autorizativa, que é o consumo acima do patamar mínima exigido pelo governo, com percentuais variados, que podem ir de 20% a 30%, ou até mais, dependendo da atividade.

A agricultura é uma delas, principalmente as áreas cultivadas que estão próximas das unidades de produção.

As grandes frotas nos centros urbanos, onde os níveis de poluição são elevados, também poderão estar na mira das distribuidoras. Estas vão se adaptar às exigências específicas do setor.

Ferrés destaca também a demanda que virá com a regulamentação do Renovabio (uma política nacional para o setor de biocombustíves para o país). A compra de certificados de descarbonização —os CBios (Crédito de Descarbonização por Biocombustíveis)— vai dar sustentação maior à produção de biodiesel.

Para Daniel Furlan, da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), a regulamentação das metas traz um incentivo à agregação de valor no setor.

Haverá uma demanda firme para óleo, previsibilidade de consumo e incentivo às indústrias de processamento de soja.

A previsibilidade deverá trazer novos investimentos e movimentar toda a cadeia de produção, que é extensa. Ela parte dos contratos de compra da matéria-prima e termina nos leilões e distribuição do combustível.

Furlan relembra ainda que o valor agregado virá não apenas das vendas internas do óleo mas da conquista de novos mercados para derivados como ácidos cítricos, catalisadores e glicerina.

A mudança da mistura de 11% começa em junho do próximo ano. Com a estimativa de mais uma safra recorde de soja, o ideal teria sido o início dessa mistura em março, como ocorrerá nos anos seguintes, na avaliação do mercado. A colheita de soja ocorre nos primeiros meses do ano.

​Incertezas Esse vaivém nas reformas ministeriais não é bom para o futuro governo, comentou um ex-ministro da Agricultura sobre a volta atrás na fusão entre os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente.

A realidade é outra A época de campanha acabou, e o governo eleito não pode mais continuar com ensaios. As indefinições mostram fraquezas, e elas serão aproveitadas pelos concorrentes do Brasil.

Pressão externa Um dos principais motivos dessa volta atrás, segundo informações do setor, foram as repercussões externas. Líder mundial em exportações em vários produtos, o país não poderia ficar à mercê de barreiras vindas de importadores por questões ambientais. Já chegam os problemas de sanidade animal vividos pelo país nos últimos anos.

Agora a China Após a Rússia anunciar a reabertura de importações de carne brasileira de nove unidades, a China também está prestes a liberar quatro frigoríficos de Mato Grosso.

Protocolo O Imac (Instituto Mato-Grossense da Carne) assinou um protocolo de intenções com o núcleo de qualidade da carne do governo chinês. O resultado será a visita de uma missão do país asiático ainda neste mês ao estado.

Fonte: Folha de S.Paulo