Varejo deixa contratação de temporários para a última hora

15/10/2018

Mais empresas vão deixar para o último mês do ano a contratação de temporários, diante das incertezas na economia causadas pela turbulência eleitoral. De acordo com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), tradicionalmente, o mês de dezembro concentra de 10% a 15% do reforço no quadro de funcionários para as vendas de Natal. Desta vez, deve concentrar até 25% das vagas extras.
Empresários e especialistas dizem que a indefinição no cenário tornou o consumidor e o próprio varejo mais cautelosos. Ainda assim, a Associação Brasileira do Trabalho Temporário (Assertem) prevê alta de 10% nas vagas temporárias no fim do ano, com 434.429 postos de trabalho. São Paulo ficaria com 67,27% do total, seguido de Paraná (7,41%) e Rio (5,89%).
Alguns shoppings da cidade já começam a receber currículos, como o Center Shopping Rio, em Jacarepaguá, no qual Leader, Renner e Zinzane oferecem vagas para vendedores e operadores de caixa.

Segundo Aldo Gonçalves, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas do Rio (CDL), as contratações devem começar em novembro e chegar a dez mil postos. O número, porém, representa queda de 16% em relação ao ano passado.

NOVOS CONTRATOS
De acordo com sondagem feita pela CDL com 500 empresas, 20% pretendem contratar, 65% estão indecisas, 10% não contratarão e 5% pensam em pagar horas extras se for necessário.

— Estamos passando por um momento muito difícil. Em todas as datas comemorativas tivemos vendas em volume menor do que no ano passado. Aumentaram os camelôs e tem o efeito violência prejudicando o comércio — resume Gonçalves.

Sem a garantia de um Natal mais próspero do que o do ano passado, os setores de comércio e serviços se preparam para aplicar nas contratações de fim de ano os dispositivos previstos na reforma trabalhista — que entrou em vigor em novembro do ano passado — para reduzir custos.

Entre as alternativas em estudo estão a extensão de contratos de temporários, a contratação de intermitentes, a aplicação da jornada de 12 por 36 horas e a jornada parcial, além da compensação de banco de horas. Segundo advogados, os setores de serviço e varejo devem implementar recrutamento misto de mão de obra — parte do reforço será composta por temporários, e parte, por intermitentes. Na indústria, a previsão é de adoção de mudanças de forma mais tímida.
Para especialistas, porém, os intermitentes não vão substituir os temporários porque, pela lei, eles não podem ter dia ou horário fixo de trabalho. Esse tipo de contrato deve ganhar espaço em setores com períodos pontuais de maior movimento e com recrutamento feito pela própria empresa, no lugar das firmas especializadas que organizam as seleções de temporários.

O valor da hora remunerada para cada categoria ainda está em discussão nos setores, mas não poderá ser inferior ao piso. Para Maria Lúcia Benhame, sócia da Benhame Sociedade de Advogados, as empresas ainda estão aprendendo a fazer a gestão da mão de obra à luz da nova lei:

— Em um fim de semana de aumento da demanda, a empresa poderia usar a mão de obra do intermitente, mas precisará correr o risco de o trabalhador não estar disponível naquela data, já que ele pode recusar o chamado. Poderá haver a aplicação de jornada em tempo parcial, quando o empresário não precisa das oito horas de trabalho do funcionário, e o salário é proporcional.

Fonte: O Globo