Com alta do petróleo, subsídio do diesel preocupa setor de energia

Com o preço do barril de petróleo ultrapassando os US$ 80 no mercado internacional, o subsídio do diesel é visto, atualmente, como uma das principais preocupações do setor de energia, de acordo com empresas e associações do setor. O tema esteve no centro do debate no segundo dia da conferência Rio Oil & Gas, que acontece nesta semana no RioCentro.

O ponto central da discussão é que o subsídio do diesel acaba no dia 31 de dezembro deste ano e, até agora, não foram pensadas alternativas para aliviar a alta do petróleo no preço do combustível vendido no país, o que pode gerar novas crises, como a greve dos caminhoneiros que paralisou o país no fim de maio.

Leonardo Gadotti, presidente da Plural, associação que reúne os distribuidores, diz que ninguém sabe como vai acabar o subsídio de R$0,30 no preço do diesel. Para ele, é preciso uma definição rápida.

– Não temos empresas na área de refino. O problema hoje é o preço alto. Temos que parar tudo e ver o que está acontecendo. O que vai ser feito? Será que o país vai parar de novo? É preciso planejamento e evitar ideias criativas. Não se pode criar outro problema, pois quem vai pagar é o consumidor.

Enquanto isso, as empresas questionam o modelo. O presidente da Raízen, Luís Henrique Guimarães, chamou a política de subsídio do diesel de “maluquice”.

– Somos o segundo maior distribuidor de combustível do país. Espero que até o fim do ano acabe essa maluquice – afirmou Luís.

A Petrobras, por exemplo, que já recebeu R$ 1,6 bilhão da Agência Nacional do Petróleo (ANP) por conta da venda do diesel com desconto no país, discute com o órgão regulador o recebimento de outros R$60 milhões referente ao subsídio.

– Estamos com um processo administrativo aberto na ANP. Os valores estão em discussão. Esperamos ainda para receber o valor do subsídio referente ao mês de agosto – disse Guilherme França, gerente executivo de Comercialização da Petrobras.

Para outras empresas, o país precisa ir além e pensar em novas fontes de energia para reduzir a presença do diesel no setor produtivo, como pontuou o presidente do Santander no país, Sérgio Rial.

– Os Estados Unidos continuam crescendo e isso vai deixar o dólar mais forte, e trazer muita volatilidade cambial. O Brasil tem uma malha dependente do diesel. Por isso, o ideal é colocar o gás no centro do debate. O gás tem que sair da agenda termelétrica e ir para a agenda do desenvolvimento. Temos que sair da discussão teórica – explicou Rial.

Executivos destacam ainda a incerteza eleitoral. O presidente da Brookfield, Henrique Carsalade Martins, empresa com R$80 bilhões em gestão no Brasil e dono da rede de gasodutos NTS, defendeu políticas claras para o setor.

– É difícil tomar qualquer decisão de investimento nesse ambiente. Temos recursos para investir no mundo, mas a quantia que virá para o Brasil, vai depender do momento – afirmou.

Fonte: O Globo